O livro “Os presos e as prisões políticas em Angra do Heroísmo” será apresentado no sábado, dia 18 de junho, às 17h, no Auditório da Biblioteca Municipal de Silves.
A apresentação está a cargo de José Manuel Vargas, historiador e investigador, colaborador do Terra Ruiva, membro do Conselho Nacional da URAP – União de Resistentes Antifascistas Portugueses, entidade que edita esta obra.
“Esta obra conta as histórias, a vida e o sofrimento de mais de 600 antifascistas, os quais, durante 10 longos anos (1933/1943), numa belíssima ilha do Arquipélago dos Açores, Terceira de seu nome, em Angra do Heroísmo, cidade de feitos libertários e Património Cultural, viveram tempos desumanos e cruéis nas prisões políticas da ilha: Fortaleza de São João Baptista e Castelo de São Sebastião (Castelinho) e, dentro das suas muralhas, em masmorras sórdidas onde a barbárie habitava: Poterna e Calejão.
Lemos este livro e interrogamo-nos: como foi possível? Que ódios, que medos ungiram o desumano terror que o fascismo de Salazar e Caetano, sob a mão persecutória e tentacular da PIDE, espalhou pelo País durante 48 anos. Perseguições, vilezas, torturas, suplícios, humilhações soezes, o pão negado a todos aqueles, homens e mulheres que de fronte levantada e com as frágeis armas das ideias justas, ousaram dizer NÃO! A morte às mãos dos algozes.
Tempos de infâmia e de vergonha, mas também tempos de coragem, de resistência e luta. Neste livro se contam, para que a memória permaneça actuante e viva e a História registe a verdade dos dias de cativeiro desses antifascistas (que nestas páginas se homenageia e nelas inscrevem o seu nome), suas angústias, seu modo sagaz de torcer o destino, de inventar a claridade em tempo de trevas. Modos de enfrentar o medo criando códigos, lendo, aprendendo, criando laços afectivos, entreajudando-se. Construindo alicerces de Paz e Pão, para os dias do futuro.
Este livro diz-nos desse património único de coragem, de altruísmo e luta. Memória perene das gerações que resistiram ao fascismo em nome de ideais de justiça, de liberdade livre, de fraternidade, num Portugal outro. Sem usura. Sem exploradores nem explorados.”








