Não sei se o leitor estará como eu. Eu estou sem perceber nada. O que me vem à cabeça é aquela frase que usávamos antes dos exames, na escola, quanto mais estudo mais parece que nada sei..
Vem isto a propósito da composição do novo Governo. Vai uma pessoa à procura de uma cara conhecida, quer dizer, alguém que fale com sotaque algarvio e descobre que não há ninguém desse jeito nos corredores do poder central. Na capital fala-se “lisboeta” e pouco mais. Não há ninguém a trocar os “os” pelos “es” ou a ficar “marafado” com a oposição…
Que o Algarve seja visto por muita gente quase como uma entidade estranha ao país, algo que ali se acoplou, levando os algarvios, de Vila a Real de Santo António a Vila do Bispo, a dizerem que são “do Algarve”, enquanto os outros nacionais são de cidades ou sítios concretos, como Lisboa, Porto, Santa Maria da Feira ou Coruche…. já nos tínhamos acostumado. Uns e outros… Mas um Governo que irá determinar a nossa vidinha pelos próximos quatro anos, em circunstâncias tão particulares como as que vivemos, não contar com um único algarvio…
Quer dizer, não haverá na região, uma personalidade com conhecimentos e capacidades para ocupar uma pasta ministerial, uma secretaria de Estado? Não um verbo de encher que por lá estivesse para cumprir uma determinada “quota de regiões” mas uma pessoa capacitada e reconhecida?!!
Poderia, quiçá, ocupar um lugar na Secretaria de Estado do Turismo, um sector que tem uma enorme importância para o Algarve? Como já tivemos, o “nosso” Vítor Neto, algarvio, messinense, pessoa com profundo conhecimento sobre o Turismo e reconhecidas competências?… Hum… pois, mas deixou de haver essa Secretaria, que passou a ser Secretaria de Estado do Turismo, Comércio e Serviços. E a anterior secretária de Estado do Turismo, Rita Marques, licenciada em Engenharia Eletrotécnica e Computadores, com experiência profissional nessa área, acumula as três secretarias. Deixem-me lá reler o que escrevi… Faz-vos sentido ou sou só eu que não percebo?
Acho que não estou enganada quando me lembro que há poucos anos, na “época pré-covid”, o turismo era a alavanca do nosso crescimento económico e é em grande parte com o turismo que se conta para melhorar, quando a “situação normalizar”. Não estando equivocada nesta minha lembrança ainda mais confusa fico. O Turismo é importante para o país? Fundamental para regiões como o Algarve? Respondo sim e sim e fico a cismar… e nem uma Secretaria de Estado? Nem um responsável dedicado a 100%?
Compreendo que o Governo tenha querido formar uma equipa mais reduzida, coesa, profissional e organizada, como ouvi nas declarações do primeiro-ministro. De acordo. Mas fiquei entristecida com as notícias sobre a composição da equipa e não ver ninguém da região.. . Há muito que a influência política do Algarve é próxima do zero e desta vez parece ter mesmo batido no fundo. A minha dúvida é saber até que ponto isto vai prejudicar (ainda mais) a região. O exemplo do que se tem passado com a construção do Hospital Central do Algarve, sucessivamente adiado, enquanto se constroem noutras regiões hospitais que nem estavam projetados, é muito elucidativo.
Também oiço dizer que muito deste nosso atraso, este “ficar de fora”, é por culpa dos algarvios. Calados, divididos, pouco dados a manifestações conjuntas. Haverá um fundo de verdade, talvez. Mas o nosso erro não justifica o erro dos outros, como se costuma dizer.
A realidade dura e crua é que o Algarve não conta para nada, não tem qualquer importância a nível nacional e não teria nenhuma relevância não se desse o caso de ser um destino de férias para metade do país? Acho que nem consigo escrever a resposta… de tão deprimente me soa…
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