No “Penedo Grande”

Há uma vista que vale um Geoparque? Uma verdadeira oportunidade e obrigação de contribuir para um objectivo mundial: preservar, até 2030, a biodiversidade de 30% do planeta. 

Depois da inauguração da rotunda Geoparque Algarvensis, em Salir no último dia 24 de Abril seria bonito pensar que a intervenção no centro antigo de S. Bartolomeu de Messines pode assumir compromissos maiores. Esta é uma forte motivação para reforçar o papel central da vila no projecto aspirante à denominação ‘Geoparques Mundiais’ da UNESCO. A intervenção no património urbano da vila e a consciência da importância da geodiversidade deste território  são uma oportunidade única para a promoção da qualidade da vida e um verdadeiro potencial de desenvolvimento social, económico e cultural para o futuro.

Apesar da confirmação de objectivos e compromissos ambiciosos, entre os mais diversos países, na‘Cimeira do Clima’ do dia 22 de Abril, e do acordo provisório entre membros da UE sobre as emissões atmosféricas – ‘Lei Europeia do Clima’ – há muito mais a fazer para preservar a biodiversidade do nosso território, vilas e aldeias.

As ‘magnificas vistas’ que nos apresenta a candidatura a Geoparque do território ‘ruivo’ entre as Serras de Monchique e do Caldeirão, vão muito além da paisagem, representam  a visão para um mundo novo, o da biodiversidade que é hoje, mais do que nunca, o da sobrevivência. Um mundo empenhado em restaurar com urgência o equilíbrio com a natureza e reverte o “suicídio colectivo” de que António Guterres fala.

Para que tal aconteça temos de reconhecer primeiro o valor da nossa paisagem, das vilas e aldeias, de Messines a Paderne, da Azilheira ao Ameixial, da Ribeira de Odelouca ao Barranco do Velho. Para preservar e gerir é fundamental assumir uma concepção holística de proteção, educação e desenvolvimento sustentável. Mas faltam-nos os elementos ou conteúdos para que nos possamos sentir habitantes deste Geoparque e não apenas turistas. Em Messines, ao longo da história da ocupação da vila, a vista para o Penedo Grande tem sido agregadora do sentimento de orgulho e pertença. No entanto poucos lhe reconhecem outros valores.

“entre as murtas singelas de S.Bartolomeu de Messines” em “Branco e Negro : semanário ilustrado” N.º 82 (24 Out.1897). Fotografia integra o N.º 80(12 Out.1897) do mesmo periódico

O principal objectivo do programa Geoparque Mundial da UNESCO é o de utilizar a percepção do “património geológico, em conjunto com todos os outros aspetos do património natural e cultural da área, para aumentar a consciência e a compreensão de questões-chave com que a sociedade se depara, como a utilização sustentável dos recursos do Planeta, mitigando os efeitos das mudanças climáticas e reduzindo o impacto das catástrofes naturais”. Esta motivação maior é um projecto por um novo espaço comum de bem-estar, que reconhece valor na ligação entre o espaço rural e urbano, entre a serra e a vila, nas suas relações cruzando economia, indústria, tecnologia e conhecimento avançado ou vernacular com a ecologia.

O projecto de intervenção no centro antigo de Messines em curso deverá centrar-se de forma responsável no valor material da pedra, que ao longo de séculos contribuiu de forma generosa para a construção de muitas casas e ruas na vila e agora serve de anfiteatro à reflexão do espaço comum. Nesse espirito, a futura intervenção deve valorizar a coesão de um território maior, entre o urbano, o rural e o natural, assumindo os princípios fundamentais do geoparque – “proteção, desenvolvimento sustentável, educação e cultura”. É a oportunidade para integrar os habitates e a vila num movimento maior em prol da biodiversidade global, proporcionando a todos o desafio de valorizar o património maior.

 

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