Projeto de requalificação do Centro Histórico de Messines vai ter apresentação pública

Terá lugar no próximo dia 9 de abril, pelas 18h30, no Salão da Junta de Freguesia de São Bartolomeu de Messines a apresentação pública do Projeto de Execução da Requalificação do Centro Histórico de São Bartolomeu de Messines, promovida pela Câmara Municipal de Silves.

A sessão será transmitida nos canais digitais da autarquia, sendo a participação presencial sujeita a pré-inscrição face à atual situação pandémica.

“A filosofia do projeto e toda a intervenção prevista será objeto de esclarecimento nesta apresentação pública, em simultâneo com a audição da população”, informa a autarquia.

Ainda segundo a Câmara de Silves “o significativo investimento previsto, na ordem dos 4 milhões de euros, abrange uma vasta zona da vila de São Bartolomeu de Messines, a partir da artéria principal (desvio para o Jardim-Escola, Rua João de Deus à Rua Cândido dos Reis, Cemitério Velho) para norte, incluindo todo o Centro Histórico e envolvendo a remodelação integral das infraestruturas existentes.
A concretização do projeto de execução com a abertura posterior do concurso público para a execução da empreitada proporcionará a transformação substancial de parte importante da vila, não deixando de provocar forte impacto na melhoria do bem-estar da população e no desenvolvimento socioeconómico do centro urbano de SB de Messines, tornando-o mais apelativo e competitivo.”

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Um Comentário

  1. Atendendo à delicadeza do que está em causa – intervenção para “melhoramento e reabilitação” da zona histórica de São Bartolomeu de Messines, pelo Sector de Ordenamento do Território da Câmara Municipal de Silves (CMS) – venho, excepcionalmente, solicitar à direcção do Terra Ruiva a publicação, como comentário, da carta que dirigi ao sector acima da CMS – que transcrevo, maia abaixo –, aquando da participação que foi sugerida aos munícipes para envio de propostas, no âmbito das reabilitações urbanos previstas para as várias localidades do concelho.

    Faço-o, no propósito de tornar pública esta minha carta e como alerta para um assunto que tanto diz à nossa terra : a preservação da identidade do património único que é, para nós, messinenses, o núcleo ancestral, que deu origem à vila e a que esta deve o seu nascimento, muito antes da nacionalidade.

    Não poderei estar presente, no próximo dia 09 de Abril, na apresentação pública do Projeto de Execução da Requalificação do Centro Histórico de São Bartolomeu de Messines.

    Esperamos que esta apresentação não seja um mero “pro forma” e que, pelo contrário, sejam, efectivamente, levadas em conta as justas preocupações dos que amam a sua terra, para que não sejam cometidos, no seu núcleo, eventuais erros de consequências irreparáveis, de modo a que nos continuemos a rever na sua identidade, que o passado nos legou.

    A carta que foi dirigida ao Sector do Ordenamento do Território da CMS :

    “Exmos. Senhores,

    Sou natural de São Bartolomeu de Mesines, onde nasci, no núcleo antigo da vila, há setenta e sete anos.

    Embora tenha desenvolvido toda a minha actividade profissional fora, nunca me desliguei do que se passa na minha terra, procurando manter-me atento aos principais eventos que nela ocorrem, designadamente àqueles que – como é o caso presente da “reabilitação urbana”, que se perfila – podem, eventualmente, mexer com as suas estruturas arquitectónicas e / ou melhoramentos de equipamentos que se pretendam levar a cabo.

    Não foi impunemente que, pela primeira vez, vimos a luz do dia, no casco antigo da vila, que nele brincámos e passámos os tempos mais gloriosos das nossas vidas, onde guardámos para sempre o imaginário da arquitectura humilde, simples e acolhedora das suas casas, a maioria delas térreas, algumas muitas vezes centenárias, cuja dimensão se funde, harmoniosamente, com a nossa condição humana, num cenário, em que, aqui e ali, ainda emergem, virgens, os próprios afloramentos de arenito e em que tudo mais nos remete para a Mussiene árabe de antanho, anterior à própria bela e primeva Sé de Silves.

    Desconheço quais as zonas da vila que irão ser objecto da referida “reabilitação urbana”.
    Faço questão de deixar bem claro que não é, minimamente, propósito meu desmerecer a competência dos técnicos que irão ser envolvidos na mesma.

    A razão de ser destas breves linhas que dirijo ao Sector de Ordenamento do Território da Câmara Municipal de Silves (CMS), no âmbito do convite à participação, que nos foi sugerida, prende-se com a minha preocupação de que alguma eventual intervenção, na arquitectura da zona antiga de São Bartolomeu de Messines, possa envolver alguma ligeireza, tratando-se, como se trata, de uma zona de características únicas, uma zona em que, por respeito pela sua vetustez, a regra primeira deverá ser a de mexer o mínimo, recuperando o que houver para recuperar e que o tempo degradou, mas mantendo a rigorosa traça original exterior, a fim de que não seja cometido algum erro irreparável.

    Considero, por exemplo, que o próprio licenciamento de colocação de primeiros andares sobre casas térreas, como já ocorreu em duas situações, na própria Rua onde nasci, a Rua de São Sebastião, é – permita-se-me a franqueza – um “crime” arquitectónico de lesa-património histórico.

    Na expectativa de que este meu modesto contributo e apreensão sejam equacionados e levados em linha de conta, nas intervenções que o Sector de Ordenamento do Território da CMS se propõe levar a cabo, sou com os melhores cumprimentos,

    José Domingos”

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