Investimento ambicioso

O país necessita de recuperar e regressar ao crescimento económico, sabendo-se, contudo, que este processo é indissociável da (in)eficácia do plano estratégico, das políticas adotadas pelo Governo e dos resultados dos compromissos estabelecidos no seio da União Europeia, designadamente, a aplicação da “bazuca financeira” que tarda a chegar ao terreno, cujas condicionalidades, capacidade nacional de absorção dos fundos no período de 3 anos, equidade e justiça na sua repartição, nos levanta fundadas dúvidas, dado o neoliberalismo europeu vigente e o passado histórico.

As consequências da pandemia de Covid-19 que a todos toca, embora, de forma assimétrica, afetando com intensidade superior os países mais periféricos, vulneráveis e dependentes, bem como as micro, pequenas e médias empresas, as classes trabalhadoras e os estratos sociais mais desfavorecidos, obriga à simultaneidade nos ritmos de recuperação das diferentes economias nacionais, sendo certo que novos confinamentos massivos e paragens generalizadas de setores da atividade produtiva, não serão exequíveis e sustentáveis no futuro, dada a devastação que provocaria sobre famílias, empresas e sociedade. Usando o ditado popular: “Não morrer da doença, morrer da cura.”

Nesta fase da crise, os municípios são portadores de um papel não despiciendo nos níveis de retoma do crescimento económico, desde que a par da sua intervenção local e fundamental no combate ao surto pandémico, intervindo além das suas competências, substituindo-se ao Estado Central, na atribuição de medidas de apoio direto e indireto, apoio domiciliário e incentivos vários, a famílias, trabalhadores da autarquia, comércio local, coletividades, corpos de bombeiros, forças de segurança, unidades de saúde, escolas, e demais entidades, não perca o enfoque estratégico na defesa do investimento programado e do interesse geral da população dos seus concelhos.

É o caso do Município de Silves, único do Algarve com liderança CDU, que não obstante as avultadas despesas com a pandemia, a manutenção sem quaisquer cortes dos montantes transferidos para as Juntas de Freguesia, associações e coletividades e a perda de receitas significativas, mantém de pé um programa ambicioso de investimentos, que ultrapassa os 20 milhões de euros.

Sumariamente, descortinamos a intervenção estrutural em Armação de Pêra de combate às cheias e renovação dos sistemas de abastecimento de água e saneamento (1.ª fase), a estratégica empreitada de combate às perdas de água em todo o concelho com recurso a inovação e tecnologia de topo, a construção da Ecovia do Litoral Sul (Pêra e Armação de Pêra), a requalificação das Escolas Básicas do 1.º ciclo de Silves e Alcantarilha, a requalificação da rua atrás dos muros (Silves), a remodelação profunda dos Mercados Municipais de Silves e S. B. de Messines, a reabilitação do antigo Mercado de Alcantarilha para Centro de Exposições, a requalificação integral do Centro Histórico de S. B. de Messines, a conservação e restauro da Ponte Velha de Silves, a reabilitação da estrada Boião-Azilheira (2.ª fase), a requalificação urbanística de uma das principais artérias de Pêra e a construção do Polidesportivo de Tunes (2.ª fase).

Fixar o investimento numa bitola elevada em período de crise económica e social é desafio complexo, que implica uma eficaz e eficiente gestão orçamental e financeira, o aproveitamento das oportunidades de financiamento comunitário e de outras fontes externas, que proporcionem a alavancagem do investimento autárquico, e pressupõe priorizar projetos e opções, não perdendo ao mesmo tempo, a visão global e estratégica sobre o concelho.

Na atividade de direção e governação é fundamental pensar, refletir e planear mas sobretudo agir e concretizar. No fundo são as evidências palpáveis e concretas atrás referidas que diferenciam e demonstram a real capacidade de fazer, a ambição e a qualidade da intervenção municipal.

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