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Os semáforos na entrada de São Marcos da Serra e a estrada dos Abrutiais em Messines

A população de São Marcos da Serra foi uma das felizes contempladas, há mais de 150 anos, com a construção da ferrovia para o Algarve, cujo traçado bordeja a aldeia desde então.
Todavia, a distância a que foi construída a gare, as morosas décadas que aguardaram para a execução da estrada até esta, ou o estrangulamento provocado no caminho pelas casas da Companhia, constituíram motivos de muita insatisfação para aquelas gentes.

De todos eles, perdura até hoje o estreitamento da via junto à estação, com apenas uma faixa de rodagem. Eis que agora, com o objetivo de acalmar o tráfego no local, a Câmara de Silves instalou um sistema de controlo de trânsito, ou seja, semáforos, que deverão entrar em funcionamento por estes dias.
O problema de segurança ficará certamente minimizado, mas é incompreensível que, encontrando-se as habitações desocupadas há mais de 20 anos, fechadas e entaipadas, a edilidade, juntamente com a empresa pública Infraestruturas de Portugal, não alarguem finalmente a estrada, com a demolição de um dos edifícios habitacionais.

Estamos em 2020 e já que a CP se nega a oferecer transporte ferroviário àqueles cidadãos, ao menos que a estrada seja merecedora desse nome, e permita a passagem célere de carros e autocarros, isto é, que exiba duas faixas de rodagem e pelo menos passeio de um dos lados.

A aldeia de S. Marcos não precisa de acalmia, mas antes de dinâmica e estratégia, e ela só pode ser potenciada por acessibilidades dignas desse nome.

Alguns quilómetros mais a Sul, junto ao Furadouro, na vizinha freguesia de Messines, foram, no âmbito da eletrificação da Linha do Sul, em 2003, eliminadas duas passagens de nível e criada uma situação caricata, que aliás já aqui abordámos na edição do «Terra Ruiva», n.º 114, de setembro de 2010.
Recentemente, em 2018, o assunto subiu mesmo ao Parlamento pela mão do Bloco de Esquerda, que interrogou o governo acerca da perigosidade da via. Porém, se houve resposta a comunicação social não a divulgou e no terreno tudo permanece igual – ou seja, um percurso de estrada com cerca de 100 m que não permite o cruzamento de veículos, além de exibir uma lomba muito acentuada (com subida e descida sobremaneira inclinada) e que retira a total visibilidade aos condutores.

Como se não bastasse, junto à lomba tem origem o acesso à ermida de S. Pedro, onde acontecem celebrações mensalmente. No local ocorreram já alguns acidentes graves e não obstante ignorarmos o que pretende fazer aqui o Município, em termos de segurança, pois a via é também municipal, deixamos duas sugestões.

A primeira, que exija à Infraestruturas de Portugal que cumpra definitivamente o ratificado pela então REFER, em 2003, isto é, a ampliação do caminho, com a demolição da caseta de apoio aos automatismos de uma das passagens de nível suprimidas. Ou, de uma forma mais arrojada, adquira/ exproprie parte de um edifício particular, bem como de uma faixa de terreno dos mesmos proprietários, permitindo dotar o caminho da largura e visibilidade que carece, de um passeio que leve os caminhantes em segurança até à ermida e um pequeno parque de estacionamento de apoio à mesma.

Volvidos que são 17 anos, está na altura das entidades corrigirem com visão o erro que conceberam em 2003, atabalhoadamente e contra a vontade das populações.

Se o estrangulamento da via junto à estação de São Marcos da Serra foi criado há muitos anos, numa altura que nem carros havia, no Furadouro ele já foi nos nossos dias.

Ambas as situações são anacrónicas e carecem de uma resolução digna desse nome. Os automobilistas e os peões merecem infraestruturas do século XXI, que lhes propiciem a necessária segurança na sua mobilidade. Estejam finalmente as entidades públicas à altura do seu tempo e das suas responsabilidades.

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