PÁGINA ABERTA: Acordai!

ACORDAI !

Acordai
Acordai
Homens que dormis
A embalar a dor
Dos silêncios vis
Vinde no clamor
Das almas viris
Arrancar a flor
Que dorme na raíz
Acordai
Acordai
Raios e tufões
Que dormis no ar
E nas multidões
Vinde incendiar
De astros e canções
As pedras do mar
O mundo e os corações
Acordai
Acendei
De almas…

Acordai, de Fernando Lopes Graça

Nestes meses de confinamento, temos assistido a várias performances internéticas em que esta canção tem surgido como uma prece.
Porquê?
Tenho para mim que o Homem deseja, realmente, mudar, evoluir, ser melhor, mas não sabe como. Sente que não está bem, que não é feliz, sabe que tem esse direito, dizem-lhe constantemente que TEM de o ser, mas não sabe onde se encontra essa tão apregoada FELICIDADE.

Assistimos, hoje, a um ecletismo nessa busca.

Uns procuram isolar, por momentos, a mente da realidade, para a aguentar; outros buscam frases de sábios que lhes dêem força e um objectivo na Vida; outros procuram quem lhes leia o futuro ou o passado para lhes indicar um caminho; outros procuram entupir o pensamento com imagens cibernéticas para descontrair; outros procuram mergulhar em novelas ou séries em doses maciças, alienantes, que apenas fazem de conta que mostram a realidade, quando apenas pretendem que AQUELA seja a realidade, condicionando comportamentos; outros jogam para se salvarem (este comportamento está a tornar-se uma doença na sociedade, mas ninguém proíbe os casinos on-line, nem se fala disso); outros acham que são verdadeiros iluminados e tornam-se youtubers, passando dez ou mais horas numa cadeira ou num quarto, fazendo de palhaços para os milhares que os seguem e que os consideram um exemplo porque são jovens, ganham muito dinheiro, não estudam e têm aquele ar parvo; outros são fundamentalistas da aparência física; outros são fundamentalistas da posse (possuir a mulher ou o marido, a casa repleta de coisas, os carros, os filhos, as viagens, nas quais podem, até, nada absor/ver, pois aí procuram, tantas vezes, apenas os centros comerciais para a compra de «souvenirs» como prova «documental» das mesmas); outros são fundamentalistas de uma vida alternativa sem que o seja efectivamente, frequentam locais alternativos, mas com o mesmo objectivo: ver e ser visto; outros buscam na natureza a paz e a reconciliação com o mundo, embora nem todos respeitem os ecossistemas, deixando marcas da sua passagem; outros agradecem o facto de haver pobres para que eles possam exercer a caridadezinha, ajudando, muitas vezes, na medida em que tem a certeza de que “aquilo” NUNCA lhe acontecerá; outros criticam tudo e todos, porque, como não sabem qual é o caminho correcto para si, lhes é mais fácil criticar só porque sim, porque podem e porque assim se acham diferentes; outros controlam a economia mundial, fabricam pobres – para a caridadezinha – e enchem-se de dinheiro; outros querem ter um pouco dessa riqueza, vendem-se e controlam a comunicação social; outros…

Cada um tenta atravessar esta sua vida como pode ou sabe. Quer-se ser feliz, mas não se sabe bem como, mas também não se acha que essa busca possa ser individual, possa estar dentro de si. Só se é feliz reproduzindo o comportamento de alguém que transmite uma imagem e uma ideia de Felicidade. O pensamento de que, primeiro, temos de estar bem connosco para, só depois, estar bem com os outros, hoje, é muito difícil. Só reproduzindo atitudes e pensamentos, se tem um vislumbre de uma espécie de felicidade, a dos outros!

Acordai, acordai, acordai, acordai, acordai, acordai…!
Procurai a flor que dorme na vossa raiz…!
Incendiai de astros e canções o Mundo e os vossos corações…!
Acordai, acordai, acordai…!
Acendei de Almas, e não apenas de Corpos, este planeta que também é nosso !
Façamos a MUDANÇA !

 

Texto: Paula Villares Pires

1 de Maio de 2020

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