Há uns dias escrevi nas minhas redes sociais que no final a China iria estar bem lançada para o plano Marshall do Sec XXI. Ora bem, isso é a nível da Macro-Economia, mas e o que fazemos cá?
No dia 26 de Março 2020 lia uma estatística, entre muita coisa infértil e estéril que circula nas redes sociais, que afirmava que fomos um dos primeiros países a tomar mais medidas, como por exemplo, declarado o estado de emergência ao dia 18 da crise (inicio da detecção do primeiro caso), enquanto os mestres Pizzaiolos, os reis das tapas, dos chefs da baguete só o decretaram depois de 40 dias de “caos anunciado”.
Dizia alguém que a Europa ia ter problemas sérios no mês de Março e Abril, pois pela atitude democrática (que faz e ainda bem parte da nossa cultura) seria muitooooooo dificil de conter fosse o que fosse. Depois, com a falta de saber ler e com algumas quebras de QI, vemos amigos que não se vêem há mais de três dias a darem grandes abraços, apertos de mão e uns Hi5´s. Dá pena isto, pois tenho cumprido o que consigo e estou em “quase”solidão” há umas boas semanas.
Ressalva muito positiva para a CMS que abordou o tema com assertividade e a meu ver competência, encerrando os serviços e fazendo o que deveria ter sido feito na hora certa. Pena para mim que fiquei sem rendimentos e os nossos nadadores do ACS – Aquático de Silves, ficaram com todo o treino de 6 meses comprometidos (mais ou menos uma média de 2h / dia) o que contabiliza milhares de euros, de km feitos em deslocações, 20 dias a dormir fora de casa em competições e treinos, e no fim, vem um bicho que obriga a fechar! – o treino por definição é a “optimização da saúde e das capacidades atléticas dos sujeitos que sofrem o estimulo” (haverá mais outras definições, mas esta é bonita e fica bem)
Arrisco-me a ser chamado de extremista, por afirmar que me parece no mínimo estranho ou no máximo muito tolo que os nossos queridos e adorados emigrantes não tenham sido contactados pelos consulados dos referidos países onde laboram para que não viessem para a “quaresma”… ainda por cima, estes nossos tugas além fronteiras são de países como França, Alemanha, Suíça, e etc… Ora se esses países têm mais camas de estado critico em todos os hospitais que nós e também estão com mais percentagem de casos por milhão de habitantes, fica fácil de ser um bom matemático nesta situação.
Sendo que o amor familiar não promove imunidade e a saudade, enfim numa “guerra” como declarado pelo nosso Presidente Marcelo R. Sousa teria de fazer com que entendêssemos que há sacrifícios que precisam de ser feitos.
E o tal sr. emigrante que na zona de Bragança se esgueirou pelas montanhas em caminho florestal? Esse é o verdadeiro esperto, engana a GNR, fura o estado de emergência, e no fim vai dar abraços a toda a malta da aldeia, que estavam felizes e contentes a celebrar pela primeira vez o isolamento que locais como aqueles promovem. Pumbas…. contágio gratuito para os parentes e amigos.
Mas queria fazer um alerta, pensar no que muitos dos técnicos, treinadores, professores, personal trainners, e etc, vão fazendo por esse país fora, e pela Europa e quem sabe pelo Algarve.
Eu tenho habilitações de licenciatura em Ciências do Treino e do Desporto, mas não ofereço o meu trabalho agora assim do pé para a mão.
Por muito estranho que pareça, toda a minha vida profissional, defendi a minha posição laboral, algumas vezes não sendo entendido, mas para os que não entendem, pois precisamos, às vezes, de explicar de novo.
NOTA – É necessário as pessoas fazerem actividade física (ainda para mais enfiados em casa como estamos) mas, e como diria a minha avó , “a mim faz espécie”, e que me desculpem todos os que estão a beneficiar destas aulas gratuitas, em tempo de crise, umas vezes de bastante qualidade, pois o profissional que as dá é competente.
Noutras vezes, o artista do ginásio tece “macacadas” de acordo com o que viu no Youtube, ou no Instagram. E é aqui que reside o problema. O tal paradoxo do grátis tem um dia de ser analisado, pois uns querem ajudar, outros querem ficar bem na foto, outros ter uns likes ou uns Kudos, mas no final que valor podem cobrar por hora de serviço, naquele dia em que as coisas reabrirem e voltarmos “à normalidade”. E quando as aulas voltarem a ser pagas, no final de uma pandemia e no meio de uma crise socio-económica, vamos ter de trabalhar mais barato…, instrutores da Manz, habilitados ou não, defensores do sofá ou da barra de supino. Todas as lutas por cédulas desportivas, licenciados, não licenciados e influencers do instagram vão estar como se quer, a curva de gauss da nossa epidemia, valor baixo, flat, sem direitos de novo, e entregues ao que fizer mais barato. O tal “Lay Off” irá perdurar, muito mais, e por culpa nossa.
Há uns tempos numa intervenção que fiz sobre o modelo de trabalho, liderança e caracterização social inter-grupo que fiz sobre o Aquático de Silves perguntava se seria melhor os atletas treinarem ou não treinarem nas férias de Verão , altura em que os nadadores transitam de época. (embora seja um contexto diferente) obviamente pelos benefícios que isso trás ao país. Refiro-me ao contexto envolvente da actividade desportiva e aos benefícios que isso emana para aos contribuintes num todo, pois um “atleta” não gasta tantos medicamentos para hipertensão, doenças coronárias, e previne assim muitas “maleitas” que o nosso estilo de vida promove hoje em dia. (em grosso modo, seja dito). A actividade física é muito importante, o desporto ainda mais, mas…. grátis? nem o Google é gratuito, há sempre um interesse escondido.
Os Atletas, e os Desportistas, e os outros que dependem da actividade física! Ponto! Mas dependemos todos de ficar em casa, de fazer algum exercício e talvez de perder a vontade de mostrar ser “FIT” no meio da pandemia.
Quem sofre mais, são os atletas profissionais, os “amadores olímpicos” e os que ainda que beneficiem de “um Jail Free Card” para circular e treinar, estão de certeza limitados, física e mentalmente.
TEXTO: Ricardo Jorge Correia








