Tatiana Teixeira “sempre” dançou. Desde esse percurso, iniciado ainda muito jovem, à formação da Associação STAM, a primeira associação de dança juvenil do Barlavento Algarvio, passaram alguns anos. Hoje, a STAM, com sede em Armação de Pêra, no concelho de Silves, continua a expandir a sua ação. E Tatiana continua a prosseguir o difícil caminho da dança.
Em 2017, em Armação de Pêra, abriu a primeira classe de hip-hop dirigida por Tatiana Teixeira. Foi o início de um projeto que começou com dificuldades, na sede do Clube de Futebol “Os Armacenenses” mas, contrariamente a muitas previsões, teve forças para se consolidar e expandir.

Tatiana fala de algumas “adversidades”, mas a menina que começara a “dançar em casa, a ver vídeos”, antes de ingressar no grupo Exclusive Dancers e de ter aulas na Sociedade na Baixa da Banheira, não é pessoa para desistir. Atualmente, a STAM já participou em mais de 30 eventos, quer no concelho de Silves, quer noutros, tendo estado, por exemplo, em eventos de grande dimensão como a abertura da Fatacil, em Lagoa, neste verão.

Além das aulas de hip-hop em Armação de Pêra, a STAM está também em São Bartolomeu de Messines, com aulas para crianças e jovens, na Sociedade de Instrução e Recreio Messinense. Novas aulas, de danças de salão e outras, estão igualmente a ser preparadas. Em Armação de Pêra está já lançado o desafio “aos pais, mães e conhecidos” que tenham interesse num novo estilo, que faz uma fusão entre hip-hop e danças latinas.
A STAM está também a desenvolver um projeto de dança inclusiva com a APEXA (Associação de Apoio à Pessoa Excecional do Algarve), com sede no concelho de Albufeira.

“Acreditamos que toda a gente tem direito a dançar”, diz Tatiana Teixeira. Nesse contexto, tem realizado diversos workshops e aulas em várias escolas do concelho de Silves, bem como palestras na FNAC, para dar a conhecer vários estilos de dança e o prazer de dançar, em geral.
“A dança é dos melhores meios de comunicação que existe. A dançar, eu consigo contar uma história. E a dança é também uma grande ferramenta contra a exclusão social e a desigualdade. Quando dançamos juntos, todos contamos a mesma história, podemos vir de todas as partes do mundo, mas na dança somos iguais e estamos juntos”, diz Tatiana.
Não por acaso, o seu estilo preferido, o hip-hop, tem fortes raízes sociais. Surgido na década de 1970, nos Estados Unidos da América, numa conjuntura social e económica desfavorecida, em bairros marcados pela existência de gangues e criminalidade, o hip-hop emerge como uma espécie de alternativa. “Os jovens tinham duas opções, ou juntavam-se aos gangues ou faziam alguma coisa boa. E muitos escolheram a música, o hip-hop. Mas este é um estilo que vai muito para além da música, é também uma forma de falar, de vestir. E é isto que eu também tento passar aos meus alunos, mostrar-lhes que há alternativas, mostrar que mesmo quando as coisas estão muito mal, podemos fazer coisas boas”, explica Tatiana.

Esta mensagem é também transmitida nas aulas e palestras que tem feito, “ falo sobre a história do hip-hop mas também mostro que isto não é só dança, é uma cultura”. “Sermos unidos e usarmos a dança para criar laços, também é muito importante, portanto nas minhas aulas eu digo-lhes: vocês são todos iguais!.. E temos um momento, são 30 segundos, em que todos se juntam e colocam a mão no ombro do outro. É a importância do toque, de se aproximar do outro, que é um dos objetivos da dança”.
Nos múltiplos projetos que a STAM tem para o futuro, conta-se ainda a preparação de um evento, que desejam de alguma dimensão, no Dia Mundial da Dança (29 de abril), que pretende promover os dançarinos algarvios e dar a conhecer o trabalho que se vai fazendo na região.
Seguindo o objetivo de ajudar a formar novos dançarinos, esta associação criou a “Bolsa de Dança STAM” que irá atribuir ao melhor aluno, “o mais dedicado, que se interesse, que seja pontual, assíduo, com carisma”. A este aluno será oferecida uma possibilidade de formação, durante um fim de semana, num acampamento onde se encontrarão alguns dos melhores professores do país.
Este é um projeto muito acarinhado pelos responsáveis pela Associação STAM, Tatiana Teixeira e Hernâni Neves, coerente com duas preocupações que revelam ao longo de toda a conversa, o sentido de ajudar o próximo e o de tornar a dança acessível a todas as pessoas, independentemente de todas as suas condições, quer físicas, quer financeiras.
No capítulo dos sonhos, a jovem Tatiana, de 26 anos, que tem participado em diversas competições e este ano foi uma das convidadas da gala da Urban Dance Awards, partilha o seu: o de vir a ter a sua própria escola de dança. Uma escola onde haverá lugar para todos, para aqueles que “têm dois pés esquerdos” e para os que não têm. Porque a dança também pode ser uma forma de estar na vida.
Fotos: STAM


