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Quando o mundo (parece que) não muda

No nosso minúsculo mundo a que chamamos Concelho de Silves, parece que há coisas que não mudam. E algumas não mudam mesmo, provocando por vezes algum desespero a quem tenta escrever uma reflexão sobre o que de mais importante por aqui se vai passando. Como é o caso desta pessoa que escreve neste espaço.
Fosse eu buscar os textos de 2014, sobre o primeiro orçamento da responsabilidade do executivo CDU na Câmara Municipal de Silves, e os comparasse com os que publicamos nesta edição de dezembro de 2018, que diferenças encontraríamos? Respondo já: além dos números, muito poucas. A CDU continua a seguir a mesma estratégia: equilibrou as contas e aposta fortemente no investimento, o que significa três coisas fundamentais: muitas obras; grande reforço de verbas para juntas de freguesia; forte apoio a associações, coletividades e clubes. Por sua vez, a oposição continua a criticar o mesmo: que a CDU não tem uma estratégia e uma visão para o concelho e que se limita a fazer investimentos desgarrados.

Não, não estou a inventar. Este ano, há poucos dias, ouvi outra vez estas palavras.

Para mim, ao contrário de outras opiniões, é claro que o Executivo CDU tem uma estratégia bem definida: dar resposta às solicitações e necessidades da população. Introduziu os orçamentos participativos, percorre todas as freguesias a ouvir as populações, promove reuniões com os presidentes das juntas e define em consenso quais as obras prioritárias para as freguesias, convida as outras forças políticas a apresentar sugestões. E depois decide. Naturalmente que com erros e omissões, e naturalmente não satisfazendo tudo e todos, como sempre foi e sempre será. Mas eu tenho assistido às assembleias, onde uma oposição morna repete as mesmas críticas, ano após ano. E nessa ausência de novas ideias não tenho conseguido ver na oposição “o rasgo” que dizem faltar à CDU, que entretanto até conquistou a maioria absoluta.

Curiosamente e com grande pena minha, em todos estes anos, nenhuma das partes trouxe para a praça pública a grande discussão que falta fazer: o que podemos fazer de diferente? E acrescentaria: o que podemos/devemos fazer para investir no progresso cultural da população ao mesmo nível do investimento que fazemos em termos económicos e sociais?

Este ano, sentada na Assembleia Municipal, assistindo à apresentação e discussão do orçamento, não ouvi a palavra Cultura. Não estava na apresentação feita pela CDU que falou em “atividades”, “eventos” e “apoios às associações”. Não esteve em nenhuma intervenção do PS, PSD ou BE.
Tão forte a ausência que até dói.

Aqui sim, falta uma estratégia que nos dê um rasgo, que nos levante do chão e nos permita usufruir um pouco mais do que de uma nova estrada, de uma boa escola. As diferenças tornam-nos únicos. Une-nos o que temos em comum. Estes dois aspetos têm de caminhar juntos, alavancarem-se, como por aí se diz na linguagem económica.

Este é um caminho mais longo, menos claro e cujos resultados tardam a surgir. Mas é essencial que se inicie. A sua falta não nos permite que sejamos algo mais do apenas frequentadores da existência humana…

A todos os leitores do Terra Ruiva, colaboradores, anunciantes e amigos quero deixar votos de um Feliz Natal e de um Ano Novo com saúde, amor e esperança.

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