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Memórias Breves (9) – Reviver a Estravanca

MESSINES REVIVER A “ESTRAVANCA” = Recordo o meu tempo de juventude, antes de deixar a minha TERRA, nos bailes de carnaval. Terminada a festa, outra surgia, no sentido divertido mas, fisicamente “violenta”: era a dança da estravanca. Uma dança secular que se foi passando de geração a geração. Eu julgo que essa herança virá dos tempos trágicos e violentos das guerrilhas do Remexido, no início do século XIX. Recordo os rapazes, homens jovens, assim considerados, garbosos. Os mais novatos não entravam nesses movimentos rápidos, eram só homens maduros, vintistas (não sectários do vintismo), nesses contorcidos, de pernas audazes, movimentos másculos, que quem tombasse passava a bobo da dança. Tudo decorria na sala grande da Sociedade Recreativa, no edifício da rua João de Deus. Os sons musicais, eram as pernas, os gritos controlados pelo funcionário da Sociedade, o mestre José Clara. Se bem me lembro! Nos seus movimentos (quase que me atrevo a considerar “baléticos”), sonoridades fortes, num bater as mãos em (palmas), pelos joelhos, pelas ancas, pelos peitos. Durava esse contornear, para duas horas, até o sol nascer. E a “malta” menos vigorosa, aplaudia os heróis da “estravanca”: o Aparício, o Florival, o Cagum, o Zingra, o Arnaldo Pinguinha, e de tantos mais de que já me saíram da memória. Havia um critério de jogo: Quem tombasse por terra saía perdedor e pagava a despesa no bar da Sociedade. Outra festa, no caso, para o mestre sapateiro José Clara, funcionário da Sociedade Recreativa. Depois, todo o grupo seguia para uma pequena sala onde os manjares e bebidas eram servidos. Mas nenhuma rapariga deveria estar presente. Era o baile dos masculinos, os “machos”, como se afirmavam.
No Verão de 1986, publiquei um título MESSINES REVIVE A “ESTRAVANCA”, nessa coreografia tão máscula e natural dos homens jovens da minha terra. Que assistira num programa televisivo, num concurso nacional do folclore português. Mas nada era parecido, nada era tão natural…

UM MUNDO ORDINÁRIO – Diria o regresso de tantas javardice de cariz político … O século XX foi o gerir, no pior sentido, a herança do século XIX. Não me posso alongar nesse meu conhecer a História, que não é para um espaço restrito do mensário da minha terra. Mas fiquemos na ramagem dos tempos e das ambições: uma Europa no sentido em alongar o seu tapete de poder, tanto pela África, como pela Ásia. Assim foi nesse sentido em construir a primeira guerra mundial, em que Portugal, um país europeu, nesse sentido, do tempo foi o partir para Ceuta e descer na margem africana do Atlântico, pelo território africano, na cobiça da Inglaterra, em negociata de partilha, com os vencedores. E Portugal, nessa ingenuidade de país aliado em Windsor… ficava entalado, por obediência, na exigência do novo tratado imposto pela Inglaterra, em 1891, no apelidado “ cor de rosa”. As trafulhas dos impérios.
No início do século XX, foram vontades impostas em absorver, como a Inglaterra, a França, a Itália, Alemanha, por aí fora a construir-se a 2ª grande guerra mundial. A ambição hitleriana ficou “ suspensa”. Os movimentos de libertação com o após guerra foram criando perspectivas legais. A Península Ibérica sucumbia nos anos 70. A União Europeia veio num ideal de comerciantes do aço/ferro. Foi o que se mostrava: poder dos fortes, em nome da democracia. Para muita gente europeia de bom viver! A U.E. era uma “muralha” para a Paz…Assim considerada e explicada e poli entendida . Neste século XXI, o poder instala-se: Ordinário! O centralismo norte europeu regressa em ideias e práticas que pareciam ultrapassadas. “Acordam”, como Trump, e agem como tal. E, de repente, a União Europeia perde o equilíbrio. Os E.U.A. de Trump e seus aliados, inflamam a chamada democracia europeia: Itália, Polónia, Hungria… A renúncia aos direitos constituídos pelos seus pares. A imoralidade à família de emigrantes, como se a América não fosse constituída dessa humanidade: Americanos latinos, italianos, ingleses, irlandeses, espanhóis, portugueses, japoneses, chineses, russos, etc. Menos a sua verdadeira identidade, a dos chamados “Índios”.

O presidente eleito dos Estados Unidos ordena, nestes dias, um terceiro Departamento de Defesa, ao Pentágono. Que se inicie imediatamente. Acrescentando: “ Não queremos que a China e a Rússia e outros países nos ultrapassem”. Eu, pessoalmente, considero uma situação de fraqueza mental, num renascer aos anos 30 do século XX. O Alto Comissário das Nações Unidas, Zeid Raad al-Hussein, para os Direitos Humanos, veio classificar Trump, como um “ sem consciência”, para um deixar de apoiar quem tem fome, assim como na política de separação de famílias dos E.U.A. O Conselho dos Direitos Humanos considera “ Uma desilusão, mas não uma surpresa.”

É um recorrer à memória para um entendimento, ao presente! Lembremos de que nenhum ser humano “é ilegal”…

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