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Memórias Breves (6) Terra Ruiva nº 200

Terra Ruiva entra no seu 200.º número de publicação, e Paula Bravo na sua direção. O mensário tem sido uma escola para gente que, nas suas áreas profissionais, se entrega em colaboração, nas suas horas de lazer. Mas não será uma forma dos colaboradores, entrarem nessas vontades “adormecidas”, e que despertam para um contributo auto/plural? Deixemos estas divagações e vamos ao proveito do Terra Ruiva para a informação, nas suas pluralidades, ao encontro do leitor do concelho, aos ausentes dele, que refletem nas palavras escritas, nas ideias transmitidas. Nas imagens! E nessa globalidade se forma, se constrói um mensário, também de ideias transmitidas, menos ou mais aceites. Mas certamente o Terra Ruiva segue uma linha, um projeto de ideias, de cultura, poesia, literatura, política, economia, etc. etc. Vamos, então, continuando a colaborar, a ler, a sentir a terra, a abrangência de todo o concelho de Silves. É para isso e por isso mesmo, que se idealizou o mensário, que chega, neste mês de Abril, como seja um Jornal de Abril…

Hoje 15 de Março de 2018, vem a notícia do Rio de Janeiro, aquela cidade de todos os conflitos inimagináveis para uma sociedade deste novo século, herdeiro dos séculos passados, a nação sul-americana é hoje, o Brasil, um território imenso, em contrastes gritantes, como se passa por todo o continente Norte, Centro e Sul americano. Quero deixar a minha voz, nunca de silêncio, pelas tragédias humanas: do forte ao fraco; do rico ao pobre. Esse Brasil continental a perder-se no pior.
Marielle Franco foi mais uma das vítimas daquela nação irmã de língua. Ela foi uma Mulher que não se silenciou às turbulências criminosas do seu país. Por tal, foi brutalmente assassinada. Que foi uma socióloga, ativista dos direitos humanos. A Vereadora mais votada nas eleições nas municipais de 2016. Mas era uma mulher negra, determinada, guerreira. Uma Mulher incómoda. O meu amigo Viriato Seromenha afirma que o pronúncio do espanhol Franco, anda à solta, por aí, pelos continentes, ditos “civilizados”, na sua afirmação dita e cumprida, que ressuscita neste início de século XXI : Viva la muerte. Muerte la inteligencia. E certo que ”eles andam por aí”, não se esgotam no tempo nem nos espaços: Itália, Brasil, Áustria, Alemanha, etc.

Logo as vozes dos poetas, dos cantores do Brasil vieram homenagear a Mulher sacrificada, como os seus artistas se pronunciam. Assim foi com Caetano Veloso, de imediato: Estou triste, tão triste Estou muito triste Porque será que existe O que quer que seja O meu lábio não diz O meu gesto não faz sentido Sinto o peito vazio e ainda assim farto Estou triste, tão triste Estou mesmo triste Porque será que existe o que quer que seja O meu lábio não diz O meu gesto não faz Sinto o peito vazio e ainda assim farto Estou triste E o lugar mais frio é o meu quarto. É triste, como diz Caetano, porque eles “ andam por aí!”

A 7 de Março passado, visitei a minha terra numa ação cultural. Chovia em Messines… mas nada fez para aquelas dezenas de pessoas que quiseram vir homenagear o Educador/Poeta, 188 depois do seu nascimento. Mulheres e Homens que guardam a memória do Homem, plural, da terra portuguesa. Uma figura que não é de local. Convivi com aquelas Mulheres e Homens que guardam o poeta/educador numa consideração inultrapassável. Foi bem visível, naquela tarde de 7 de Março, aquela comunicação, tão direta com a casa, com as fotos, com tudo que se relacionou na figura nacional do educador. A poesia foi vivida, repetida em vozes diversas e diferentes, nos dois graus. Não sei, imagine que não, ver figuras masculinas, adultas, locais se entregarem aquela manifestação cultural, espontânea. Por isso, digo, João de Deus continua “Vivo”, na admiração dos portugueses. Agora, com um novo bloco físico: a casa simples , onde o menino João nasceu, mais , ainda, será a figura respeitada. Espero bem, seja mais uma Casa de livros, de debates, de convívios plurais. Não posso deixar de reconhecer a tenacidade do amigo João Correia, em conjunto com a presidente Rosa Palma, nessas responsabilidades de autarcas. Na aquisição do espaço onde, sempre se afirmou, ser do nascimento do poeta. À jovem Amiga que prestou todo o apoio à celebração dos 188 anos do nascimento do Educador, Hélia Coelho completou-se na sua modéstia e sinceridade, num serviço público a quem “visita” o Poeta.

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