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Opinião

Alterações de trânsito em Messines- calvário começou há 14 anos!

Aurélio Cabrita
Última Atualização: 2017/Out/Ter
Aurélio Cabrita
9 anos atrás
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Foi em setembro de 2003 que a Câmara de Silves implementou um conturbado processo de alterações de trânsito na vila de S. B. de Messines, cujas consequências nefastas se fazem sentir até hoje.

Com data de “inauguração” aprazada para 13/09/2003, o processo seria suspenso, para ser implementado logo em outubro seguinte, não obstante um rol de críticas, abaixo-assinados, moções de diferentes forças políticas e até pedidos de esclarecimentos de deputados à Assembleia da República. Na altura foi tomada a opção mais fácil, a maioria dos arruamentos ficou com sentido único de circulação, tornando a vila num amplo parque de estacionamento e com ele a estagnação económica foi rápida. Disso mesmo se queixavam alguns comerciantes da Rua João de Deus ao jornal “Barlavento”, na edição de 29/04/2004, lembrando que bastava a proibição do trânsito a pesados, para que a circulação melhorasse. Porém, pouco, ou quase nada foi alterado, não obstante os protestos de muitos, como o de Natália Correia, na edição do “Terra Ruiva”, em outubro de 2004.

Anos depois seriam feitas algumas correções, todavia há pelo menos duas situações caricatas que se mantêm, os sentidos únicos na Rua João de Deus e Dr. António Cabrita Carneiro (Rua do Barranco). No caso da R. João de Deus a cenográfica igreja, o principal monumento da freguesia, está sempre de costas para quem circule de automóvel, e mesmo que algum turista a queira visitar terá depois de percorrer meia vila até ao monumento, se entretanto não desistir.

Uma das razões invocadas para manter esta situação é a facilidade de circulação para quem utilize a autoestrada, vindo de Lisboa/Faro e opte por passar pela vila. Porém ao invés de se conduzir essas pessoas para o centro, para que aqui permaneçam, são encaminhadas de imediato para a saída, seguindo sempre em frente, quando para esse objetivo já existe a variante.
Relativamente à R. António Aleixo e para quem circule no sentido nascente-poente, em direção ao mercado municipal, terá de subir a 1º de Maio até ao Alto Frente, para depois voltar para trás pela R. da Liberdade, o mesmo acontece para quem descer pela 1º Maio e queira deslocar-se para poente. Situação ilógica, que se tornará ainda mais anacrónica com a inauguração do novo terminal rodoviário.

Incoerente é ainda a proibição de estacionamento na R. António Aleixo, o “preço” para que fosse dotada com os dois sentidos de trânsito, quando nas traseiras da igreja matriz coexiste um estacionamento caótico, sem que tal preocupe as autoridades. Ou já para não falar na R. da Liberdade e na confusão que aí reina diariamente, com veículos estacionados em segunda fila.

Na verdade a criação de parques de estacionamento no casco urbano da vila não tem sido, nem nunca foi, preocupação da autarquia silvense. Em S. Brás de Alportel a estratégia da Câmara passou pela aquisição de algumas casas devolutas que foram transformadas em pequenos parques de estacionamento, que muito facilitam a vida aos habitantes daquela vila. Já em Tavira, concretamente, na Luz, foram criadas bolsas de estacionamento que permitem, simultaneamente, não só o parqueamento como o cruzamento de veículos e os dois sentidos de trânsito.

Mas isso são opções e políticas diferentes que visam facilitar a vida aos munícipes, o que de todo não tem sido, neste caso, o âmbito da edilidade silvense, não que faltem imóveis devolutos, ou ruas passíveis de criar bolsas de estacionamento em Messines, mas tão somente um plano ou uma visão estratégica.
Se o objetivo há 14 anos era tornar a vila estagnada e economicamente frágil o mesmo foi inteiramente cumprido. Quando o Algarve recebe milhões de turistas, que se concentram a 20 km de S. B. de Messines, a vila encontra-se paralisada e decrépita.

Embora guarde uma das mais belas igrejas de Portugal, uma pequena jóia, ao que tudo indica obra de Diogo de Boitaca, mestre-de-obras do Mosteiro dos Jerónimos, tal não é suficiente para que os nossos autarcas, comissão de trânsito e demais entidades, preocupadas com o bem estar de cada uma, procedam às alterações que se impõem, até pela drástica diminuição do tráfego interno que ocorreu na última década. Não queremos milhares de turistas em S. B. de Messines, mas algumas dezenas por dia podem fazer toda a diferença na economia local.

Que a nova Câmara, que desde já felicitamos e desejamos os maiores sucessos, esteja à altura das suas responsabilidades, não descurando estas modificações que se impõem. Afinal o interesse coletivo deve prevalecer sobre o particular e S. B. de Messines precisa e agradece.

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TAGGED:alterações de trânsitoAurélio Nuno CabritaMessines
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PorAurélio Cabrita
Natural de S. Bartolomeu de Messines, nasceu em 1978. Licenciado em Engenharia do Ambiente, é mestrando em História do Algarve e técnico superior no Município de Odemira. Tem publicados diversos artigos e livros sobre a história local e regional. É também colaborador no jornal on-line Sul Informação.
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3 comentários
  • Manuela Correia diz:
    25 de Outubro, 2017 às 10:45

    Um turista nacional ou estrangeiro chega de carro a Messines, vindo de Silves. No início da rua João de Deus, pergunta a um habitante local, como pode visitar a igreja matriz. A igreja está na frente. A explicação é caótica, levanta sorrisos no turista e o desespero no messinense. E a resposta mais simples é: estacione por aqui e siga a pé pela rua João de Deus, olhe que vale a pena, a igreja é linda e única.

    Responder
  • João Guerreiro diz:
    25 de Outubro, 2017 às 13:37

    As alterações de trânsito em São Bartolomeu de Messines ou em qualquer outra terra do país ou do mundo, causa sempre celeuma, seja alterar de uma forma ou de qualquer outra, haverá sempre cidadãos com visões diferentes para a mesma situação.
    Quanto a estagnação económica, penso que não será tanto esse o motivo mas sim a falta de investimento económico, a perca de trabalho nesta freguesia levando os jovens a sair para outras paragens, ao longo das últimas duas décadas a freguesia veio invariavelmente perdendo população.
    Desde que aja turistas para visitar a igreja, circulando o trânsito por um sentido ou pelo outro ou pelos dois sentidos penso que todos chegarão ao dito monumento.
    Lamento que o SR. engenheiro Aurélio neste artigo se tivesse esquecido de falar na circulação da população e dos mesmos turistas pelos passeios desta vila.
    Eu que sou cego ou pessoas idosas e mães com carrinhos de bebés é tremendamente difícil circular devido o péssimo estado dos passeios e a falta de sensibilidade de muitos cidadãos que estacionam indevidamente os veículos em cima do mesmo.

    Responder
  • Aurélio Nuno Cabrita diz:
    27 de Outubro, 2017 às 22:58

    Obrigado João Guerreiro pelo seu comentário. Propositadamente não falei nos passeios e na circulação pedonal através dos mesmos, esse é um tema que, pelos maus exemplos deve merecer uma reflexão em texto próprio e não aqui, onde pretendi abordar unicamente a circulação automóvel e mesmo assim ocupando mais espaço do que é hábito. Contudo desde já desafio o João a partilhar também uma reflexão mais detalhada sobre os “nossos passeios”. obrigado

    Responder

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