Home / Editorial / As coisas já não são o que eram

As coisas já não são o que eram

É uma constatação e creio que positiva: as coisas já não são o que eram. Isto vem a propósito das recentes eleições autárquicas.
1º- Os eleitores preferem votar em pessoas do que em partidos e fazem muito bem essa destrinça.
2º- A campanha pela negativa não funciona.
3º – O futuro faz-se a andar para a frente.

– Para o bem e para o mal, a maioria das pessoas já interiorizou uma ideia: nas autárquicas votamos em pessoas e seus projetos, deixando as questões partidárias em plano secundário.
Nenhuma outra freguesia do nosso concelho ilustra tão bem esta ideia como São Marcos da Serra. Nas eleições para a Junta de Freguesia ganhou o PSD, com uma maioria bem significativa, mas para a Câmara Municipal a CDU foi a grande vencedora. Ou seja, as pessoas votaram no Luís Cabrita e na Rosa Palma, no trabalho que as suas equipas desenvolveram nos últimos quatro anos e nos projetos que apresentaram para o futuro.

A freguesia de São Marcos da Serra deu ainda outra lição de democracia ao concelho, ao ter uma taxa de abstenção de cerca de 29%, muito abaixo da média do concelho que se quedou na ordem dos 47 %.

– A má língua não funciona. A maioria das pessoas fica incomodada com este tipo de conversa. Sente, e muito justamente, que quando a oposição se faz em torno de aspetos pessoais é porque não se encontra nada de relevante para criticar no trabalho desenvolvido. Em Messines, uma freguesia em que a crítica pessoal ao presidente/candidato atingiu níveis bastante pesados, viu-se que a estratégia foi desastrosa por quem optou por essa via, já que o emblemático candidato da CDU à Junta de Freguesia superou os 80% de votos.
– O futuro faz-se a andar para a frente. Outra conclusão que me parece evidente é que o regresso ao passado proposto pelo PSD não foi apelativo para os eleitores. Trazer para a campanha a ex-presidente Isabel Soares e desenvolver um discurso baseado nas obras que a mesma fizera nos seus mandatos, acabou por retirar o protagonismo ao candidato Rogério Pinto. Que mais ofuscado ficou por ter na lista como número dois o filho de Isabel Soares que na campanha não parou de falar nessa ligação familiar.

No final, os resultados da CDU espelham uma nova realidade no concelho com a maioria absoluta conquistada na Câmara Municipal (e apenas a cerca de 200 votos de obter o quinto vereador) e também na Assembleia Municipal.
Para a CDU esta maioria absoluta representa também um ponto de viragem. Conseguirá governar de uma forma mais tranquila, sem estar condicionada pela votação da oposição mas ao mesmo tempo ganha uma responsabilidade acrescida no que respeita às grandes opções e decisões para este concelho. A tão expressiva votação alcançada pela CDU em todas as freguesias, na eleição para a Câmara Municipal, provou que a população acreditou na estratégia dos últimos quatro anos que consistiu em fazer obras estruturantes e muito necessárias. No próximo mandato, além de concluir estas obras e os muitos projetos que já divulgou publicamente, Rosa Palma e a sua equipa terão de dar provas de que são capazes de alavancar o concelho, no sector económico, social, cultural e patrimonial.

Para o PS, PSD e BE será o tempo, creio, de preparar novos rostos, novos caminhos. Quebrada a rigidez partidária e com os militantes e simpatizantes a votarem noutros projetos, só um trabalho a médio/longo prazo poderá trazer reconhecimento suficiente a algumas pessoas para que possam pretender ser candidatos de sucesso.

Essa situação de chegarem candidatos que ninguém conhece a explicarem aos cidadãos onde devem por a cruzinha no boletim de voto já acabou. É isso, as coisas já não são o que eram… e ainda bem.

Veja Também

Onde fica o interior?

Convenci-me há dias (com um entusiasmo muito moderado) a ler o Plano Nacional para a …

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *