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EconomiaOpinião

Investimento público: necessário mas ponderado

António Eugénio
Última Atualização: 2017/Jan/Sex
António Eugénio
9 anos atrás
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Vivemos tempos estranhos. Temos uma taxa de juro historicamente baixa e no entanto, o investimento e o crescimento económico não aparecem. Face à ausência de actividade privada, algumas escolas de pensamento económico sugerem que, face à incapacidade do investimento privado em propulsionar a atividade económica, terá de ser o investimento público a assumir o papel de catalisador, promovendo políticas de carácter expansionista para que o motor económico volte a funcionar.
A questão é que o erário público encontra-se depauperado; décadas de políticas expansionistas sem consideração pelo ciclo económico levaram à intervenção da Troika no nosso país e à imposição de “austeridade” fiscal.

Face a estas limitações, confrontamo-nos com um dilema: precisamos de investimento para impulsionar a economia, mas se o esbanjarmos, arruinamos as finanças do Estado.
Teremos de ter em consideração, igualmente de que a construção de qualquer infraestrutura carecerá de manutenção futura, pelo que a sua avaliação deverá ter isso em consideração.

É, portanto, importante discutir a qualidade do investimento, dado que não podemos simplesmente atirar dinheiro para cima do problema. As políticas expansionistas de investimento que os Estados implementaram no passado tiveram um sucesso assinalável numa altura em que o mesmo investimento era parco.

Os primeiros euros investidos apresentaram retornos consideráveis, visto que eram investimentos que tinham impactos significativos na produtividade da economia; a construção de uma estrada entre duas cidades que anteriormente não tinham ligação entre si cria economias de rede que fomentam o crescimento económico. Se criarmos uma segunda faixa de rodagem nessa estrada, os ganhos serão menores do que os que se verificariam inicialmente, dado que estes investimentos obedecem à Lei dos Rendimentos Decrescentes: o preceito que dita que um acréscimo de um euro irá produzir retornos inferiores à medida que mais euros forem investidos, mantendo os outros fatores constantes.
A prossecução de um plano de investimento estatal com a intenção de promover a produtividade da economia nacional deverá assim, ter uma particular ênfase na produtividade desse investimento. Assim sendo, o investimento deverá ser canalizado para os locais onde o mesmo terá maior impacto. Tradicionalmente, é aceite que o impacto destes investimentos será maior nas regiões com menor desenvolvimento, onde um euro de investimento adicional terá efeitos acrescidos na produtividade. Esta lógica é bem patente na filosofia de como os fundos comunitários são distribuídos pelas diferentes regiões da Europa; quanto menos desenvolvidas são as regiões, mais fundos receberão. Esta cabimentação dos fundos serve duas visões complementares: a de que se devem promover politicas de redução de assimetrias de desenvolvimento entre as regiões e a de levar o dinheiro às zonas onde o mesmo terá os maiores efeitos na economia local.
Assim sendo, e embora possa ser contraproducente em termos eleitorais, acredito que devem ser promovidas politicas de investimento no interior do país, porque serão aí maiores os ganhos em termos de produtividade. Tendo tudo em ponderação, argumenta-se que qualquer plano de investimento estatal deverá ter vários fatores em consideração, quer para a construção de novas estruturas, quer para a promoção da manutenção das já existentes.

No entanto, há apenas duas conclusões inevitáveis: que o mesmo plano é sobejamente necessário e que deverá ser aplicado onde se verificarem os maiores ganhos de produtividade.

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PorAntónio Eugénio
Natural de São Bartolomeu de Messines, nascido em 1983. É licenciado em Economia e Mestre em Marketing pela Faculdade de Economia da Universidade do Algarve, tendo efectuado pós-graduações na área das Finanças Empresariais e da Fiscalidade. É membro efetivo da Ordem dos Economistas e da Ordem dos Contabilistas Certificados. Gestor de profissão, interessa-se especialmente por desenvolvimento regional e territorial e é doutorando em Gestão de Inovação e do Território na Universidade do Algarve.
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