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Continuidades

Chegados ao final de cada mês, fico sempre com a dúvida sobre o que irei escrever. Ao faze-lo procuro ter uma perspectiva de alerta, e chamada de atenção para aspectos da nossa vida que, no meu, entender possam estar menos bem. Creio que um consciente exercício de uma cidadania activa impõe que façamos estas chamadas de atenção, não pela crítica pela crítica, mas antes como cidadã que não desiste da sua “cidade”.
Assim, cheguei a este fim-de-semana chuvoso e frio, bom para ficarmos em casa a pensar. E neste sereno afã, dei comigo a pensar no “fim-de-semana com sabor a laranja” actividade proposta pela Câmara Municipal de Silves com vista a promover este fruto tão característico do nosso Concelho.
É bonito olharmos para este produto e verificar que todos os executivos souberam dedicar grande parte do seu tempo e atenção à “Laranja de Silves”. Desde a Feira da Laranja, passando, mais, recentemente, pela CitriSilves, ou a 1.ª Semana Gastronómica da Laranja, nos idos de 2003, até à criação do “Silves, Capital da Laranja” e este fim-de-semana com sabor a laranja.
A laranja é, neste Concelho, um produto intrinsecamente bom, com grande valor económico e sobre o qual, não restam dúvida, há grande consenso. Talvez consiga gerar mais consenso que o vastíssimo e rico património deste Concelho, o que não é de estranhar pois as laranjas são mesmo boas. São estas “continuidades” nas políticas que nos levam a acreditar que, de facto, há assuntos que transcendem os políticos. É sempre bom termos este conforto!
Mas regressando a este fim-de-semana com sabor a Laranja, claro que me levou a essa semana gastronómica da Laranja, de 2003 (há já 13 anos e que teve lugar em todas as freguesias do Concelho), mas levou-me, ainda, a uma outra iniciativa com, também já com alguns anos e de outros executivos. Falo dos fins-de-semana com sabor a história, onde durante um mês, se aliava a gastronomia ao património do Concelho.

Por norma acho que todas as actividades que se façam para promover o Concelho, são meritórias. Porém, achei que apenas um fim-de-semana foi curto, ou, neste caso, soube a pouco. Para o público, creio que seria melhor se o evento durasse mais tempo e decorresse por todo o concelho, em vez de se limitar à freguesia de Silves.

Doutra parte, seria interessante se o evento decorresse quando as laranjas fossem mais abundantes e doces. Mas critérios são critérios, e com certeza que esta data foi escolhida em função de uma estratégia de divulgação, previamente, definida e com objectivos claros.
Apenas como nota final, não seria interessante podermos associar todas as potencialidades do Concelho em todos os eventos. Obviamente que o móbil principal seria dar destaque às potencialidades gastronómicas da laranja (tal como em 2003), mas porque não lançar um repto aos utentes do evento (que tivessem ido a um dos restaurantes aderentes e consumido uma refeição em família) para visitarem o nosso património oferecendo-se os bilhetes? Poderá parecer simples mas era um mimo extra e uma nova descoberta da nossa cultura.
Deixo este meu modesto contributo, na esperança de não ser entendida como mais uma crítica vazia de conteúdo, mas como alguém que deseja o melhor para Silves. E por falar em desejos, não posso deixar de vos desejar um Santo Natal e um melhor ano de 2017.

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