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Editorial

Barracas, barraquinhas e ilusões

Paula Bravo
Última Atualização: 2016/Jul/Dom
Paula Bravo
10 anos atrás
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Com o verão chegam também as inevitáveis festas por todos os cantos do concelho – literalmente da serra ao mar e vice-versa.
A grande maioria é organizada por associações e clubes que encontram nestas festividades uma forma de angariar alguma verba suplementar. E o povão lá vai comparecendo, atraído pela música ou petiscos, pelo convívio e noites quentes.
O problema é que uma imensa parte de todas estas festas se faz “às costas” da Câmara Municipal e a ajuda das Juntas de Freguesia. Isso significa: isenção de licenças; montagem e desmontagem de palcos; empréstimo e montagem de barracas e stands; colocação de iluminação e sistema de som e por aí fora…
Analisando friamente: muitos destes eventos não chegariam a realizar-se não fosse o apoio das autarquias.

E aqui se coloca a questão: por que razão associações que fazem há anos o mesmo evento não tentam criar condições para o tornar sustentável sem ter de recorrer sistematicamente a apoios externos? Fazem-no porque se julgam no direito a receber todos os apoios que reivindicam ou porque não têm competência ou condições para o fazer?
Falando com muitos autarcas ao longo dos anos, quer nas juntas de freguesia, quer na câmara de Silves, ouve-se repetidamente uma queixa: “as pessoas julgam-se no direito a receber tudo”… Aparece um novo grupo desportivo, quer oferta de t-shirts, para qualquer festa exige-se um palco, não há evento que não peça a oferta de lembranças e troféus… Tudo isto repetido por seis freguesias e dezenas de associações, clubes, coletividades, entidades de solidariedade social…
Existe em muitas associações/clubes/coletividades/entidades uma dependência excessiva do apoio externo que contraria a essência do espírito associativista. Habituadas a pedir (e ai do autarca que faça frente a estes pedidos!) não têm estas entidades progredido no sentido de rentabilizar e partilhar os recursos que possuem.

Cada um por si, a trabalhar em benefício dos seus associados e frequentemente com o dinheiro e os meios públicos. E (quase) toda a gente acha isto legítimo. Mas será?

Tendo em conta que a Câmara de Silves tem, no seu quadro de pessoal, meia dúzia de operacionais como carpinteiros, pintores e eletricistas é fácil de imaginar a “ginástica” que é necessária para responder às solicitações.
Alguma coisa terá de ficar por fazer, enquanto se acorre às festas…

A par disto o que complica ainda mais a situação? A Câmara Municipal organiza, ela própria, a Festa-Mor : a Feira Medieval de Silves. Para este evento, a autarquia mobiliza, durante vários meses, praticamente todos os seus recursos, financeiros mas sobretudo humanos. Uma frase comum ouve-se, nesta altura, tem de esperar pelo fim da feira… ou só depois da feira…
Vista pelo prisma dos números, a Feira é boa. Sobretudo para Silves. Mas será “boa” para a Câmara? “Boa” para o concelho?
Pessoalmente, defendo que a Feira Medieval não serve da melhor forma os interesses do concelho, porque obriga a Câmara a concentrar e a esgotar os seus recursos num evento recreativo, o que não é de todo a vocação de uma autarquia.
Está também por construir a ligação entre a Feira Medieval e as restantes iniciativas de verão que acontecem no concelho de forma a que os milhares de visitantes que vêm a Silves fossem informados e levados a interessar-se pelo resto do concelho e pelo que lá existe e acontece.
À Câmara Municipal cabe o papel mais difícil de ser capaz de encontrar o rumo para posicionar o concelho em lugar de destaque no panorama turístico do Algarve, evitando que a animação seja uma manta de retalhos, de eventos ao sabor de cada um, nos quais as autarquias investem muitos milhares de euros, sem que daí venha qualquer retorno significativo… vem o outono e já ninguém se lembra das festas de verão…

E depois da rentrée?
Lucros versus Populações
Meu rico verão
A informação local pela verdade
Cidadania espetadora
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PorPaula Bravo
Natural de S. Bartolomeu de Messines, nascida em 1963. Licenciada em Comunicação Social. Desde 1986, trabalhou em vários órgãos de comunicação nacionais e regionais. Dirigente associativa. Fundadora e diretora do Terra Ruiva desde abril de 2000.
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