Ao utilizar este site, concorda com a nossa politica de privacidadePolitica de Privacidade e Termos e Condições.
Accept
Terra RuivaTerra RuivaTerra Ruiva
  • Concelho
  • Sociedade
    • Ambiente & Ciência
    • Cultura
    • Educação
    • Entrevista
    • História & Património
    • Lazer
    • Política
  • Opinião
  • Vida
  • Economia & Emprego
  • Algarve
  • Desporto
  • Autores
    • António Eugénio
    • António Guerreiro
    • Aurélio Cabrita
    • Clara Nunes
    • Débora Ganda
    • Eugénio Guerreiro
    • Fabrice Martins
    • Francisco Martins
    • Frederico Mestre
    • Helena Pinto
    • Inês Jóia
    • José Quaresma
    • José Vargas
    • Maria Luísa Anselmo
    • Maria José Encarnação
    • Miguel Braz
    • Paula Bravo
    • Paulo Penisga
    • Patricia Ricardo
    • Ricardo Camacho
    • Rocha de Sousa
    • Rogélio Gomes
    • Sara Lima
    • Susana Amador
    • Teodomiro Neto
    • Tiago Brás
    • Vera Gonçalves
  • Página Aberta
  • AUTÁRQUICAS 2025
    • AUTÁRQUICAS 2021
  • Edições
Reading: A urgência do desassoreamento do Rio Arade em 1822 e os relatórios técnicos elaborados para o efeito – II
Partilhe
Font ResizerAa
Terra RuivaTerra Ruiva
Font ResizerAa
  • Home
  • Demos
  • Categories
  • Bookmarks
  • More Foxiz
    • Sitemap
Follow US
  • Advertise
© 2022 Foxiz News Network. Ruby Design Company. All Rights Reserved.
História & PatrimónioSociedade

A urgência do desassoreamento do Rio Arade em 1822 e os relatórios técnicos elaborados para o efeito – II

Aurélio Cabrita
Última Atualização: 2025/Jan/Seg
Aurélio Cabrita
1 ano atrás
PARTILHE

O desassoreamento do rio Arade foi considerado, em julho de 1822, em Lisboa, pelas Cortes, como uma prioridade em Portugal.

Nessa sequência, o governo enviou de imediato a Silves dois técnicos especialistas, Francisco Lino e Mr. Deflorence (provavelmente de nacionalidade francesa, ou belga), com o objetivo de elaborarem uma proposta de intervenção. Ainda que, estivesse prevista a redação de uma exposição conjunta, tal não aconteceu, pela antecipação de Francisco Lino, facto que Mr. Deflorence não deixou de lamentar e de transmitir às Cortes.

Na última edição do «Terra Ruiva» recordámos o conteúdo do relatório de Francisco Lino, pelo que analisaremos agora o de Mr. Deflorence.

Assim, informou aquele técnico de hidráulica que, durante a viagem de barco entre Portimão e Silves, efetuara «as observações mais escrupulosas, sondando-o com atenção, achando-o cheio de arêa solta em certas distancias». Areia que considerava «mui fácil de a tirar», propondo para o efeito vários utensílios, cujo desenho e caraterísticas anexou.

Segundo as suas medições, impunha-se remover os sedimentos em «1 800 braças de comprimento e de que o escavamento deve ser de meia braça de profundidade em huns lugares mais e n’outros menos por cauza de sua irregularidade». Se considerarmos que uma braça tem cerca de 2,20 m, aquele técnico propunha uma intervenção, em cerca de 4 km do curso do rio, na qual estimava a remoção de 4 500 braças cúbicas de dragados (na verdade seriam 4 050), advindas do «termo médio em meia braça em toda a sua extensão, sobre 4 braças e meia», qualquer coisa como 43 100 m3. Calculava ainda que, com barcos pequenos, com dois homens cada um, munidos das ferramentas que propunha, fossem retirados uma braça cúbica por dia de sedimentos (10,6 m3).

Quanto ao orçamento, avaliava-o em 9 000 cruzados, quantia a que acrescentava mais 1 000, não só para os apetrechos (que era necessário fabricar), mas também por acreditar que ia encontrar: «antes homens de pouco trabalho do que de muito». A produtividade dos portugueses, como hoje diríamos, já então era notada pelos estrangeiros e não pelas melhores razões.

As ferramentas iam desde as «paviolas e arpias para arrancar as pedras grandes, e leva-las para fora, e pás para descarregar os barcos co’ a maré baixa», às quais se juntavam varas, enxadas e os ditos arpões (?).

 

As ferramentas consideradas necessárias para o desassoreamento, propostas por Mr. Deflorence

Segundo os seus cálculos, depois da obra, o Arade ficaria, na maré alta, com «14 palmos de alto até Silves», isto é, cerca de 3 metros de profundidade.

Procurou ainda inteirar-se da existência de barcos e homens para concretização dos trabalhos: «assegurarão-me, que tanto em Villa Nova e seus arredores e a Silves, se acharão 50 a 60 barcos e tão bem homens». Mais referia e alertava que «grande parte deste escavamento será feito á padiola. Serão percizas pranchadas fortes para resguardar os obreiros dos lodos, sem as quaes não poderão arrancar-se delle». Deflorence ofereceu também os seus préstimos para projetar um porto na cidade, se assim fosse entendido, o que não terá acontecido.

Refira-se que nenhuma das propostas de intervenção, quer a de Francisco Lino ou Deflorence, avançou, mas estes relatórios são primordiais para o conhecimento do rio, do território e também das suas gentes há 200 anos.

A contrarevolução em 1823 levou à queda do regime liberal, degenerando pouco depois na guerra civil (particularmente violenta no Algarve, com a guerrilha de Remexido ativa até meados dos anos de 1840, a que se seguiu a Patuleia), deixando os cofres do Estado exauridos. A partir de 1851, a construção do caminho de ferro e de estradas macadamizadas tornaram-se na prioridade nacional. Paulatinamente, as vias fluviais foram perdendo importância, seja no transporte de pessoas ou de mercadorias. Ainda que no caso de Silves, o assoreamento não tenha impedido o estabelecimento da indústria corticeira na cidade, com o escoamento, através do Arade, dos produtos dela resultantes, até meados do século XX.

 

O desassoreamento em 2025?

Quanto ao desassoreamento na atualidade, resolvidos que estão os problemas de saúde pública, agrícolas e económicos, tendo as estradas roubado o protagonismo ao transporte fluvial, tal não faz sentido. Reiteramos assim o que escrevemos na edição do «Terra Ruiva», n.º 238, de Dezembro de 2021. O assoreamento é natural e secular e a natureza triunfará sempre nos seus desígnios, pelo que nada impedirá que rapidamente o rio fique como está. A acontecer, o desassoreamento irá favorecer principalmente o turismo, mas turistas a visitar Silves já existem e às centenas por dia (ainda que a cidade pudesse tirar mais partido destes visitantes, mas isso é outro assunto). Urge, por isso, agir no diferenciamento das atividades económicas do concelho e do Algarve.

As entidades públicas municipais deveriam, por exemplo, valorizar o potencial empresarial/ industrial de Silves e do seu território, potencialidades históricas únicas que se impõem, numa altura em que a industrialização da Europa é inquestionável e cada vez mais irreversível. Parques tecnológicos acoplados a áreas de localização empresarial e industrial (tirando partido do campus universitário), deveriam constituir uma das prioridades, qual «lanterna que na frente alumia duas vezes», como diz o adágio popular. O Arade teve a sua importância e o desassoreamento a sua época. Atualmente tal «problema» é útil apenas para os políticos perderem mais algum tempo (ao invés de pugnarem pela «lanterna» do futuro, que há décadas se apagou e perdeu no concelho), qual muro das lamentações, que impede de verem mais além, de refletir sobre tantas outras potencialidades, que infelizmente teimam em não passar disso mesmo, potencialidades…

Votos de um Bom Ano de 2025 para todos.

 

Nota: Nas transcrições manteve-se a ortografia da época.

 

 

Total Views: 0
Oficinas Criativas para Jovens, em Silves
White Party no Enxerim
Algarve no Congresso do PSD “com representação forte e visão clara para a região”
Ciclo de webinars da Almargem dá a conhecer o património natural e cultural do Algarve
Arraial e Banho de São João, em Armação de Pêra
TAGGED:Aurélio Nuno CabritaDeflorencedesassoreamentoFrancisco Linorelatórios técnicosRio Arade
Partilhe este artigo
Facebook Email Print
PorAurélio Cabrita
Natural de S. Bartolomeu de Messines, nasceu em 1978. Licenciado em Engenharia do Ambiente, é mestrando em História do Algarve e técnico superior no Município de Odemira. Tem publicados diversos artigos e livros sobre a história local e regional. É também colaborador no jornal on-line Sul Informação.
Artigo Anterior Investigadores portugueses descobrem fóssil raro de planta com 310 milhões de anos
Próximo Artigo Ciclo de Teatro abre em Silves com peça de teatro infantil “Da Floresta vamos cuidar”
Sem comentários

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Últimas

Algarve quer aumentar número de manifestações inscritas no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial
Algarve
Algoritmo
Opinião
Corte de água em Armação de Pêra
Concelho
Município de Silves inaugura parque urbano em Armação de Pêra
Concelho
Grupo HPA Saúde passa a ser Rede CUF, no Algarve e Alentejo
Saúde & Bem Estar Vida

– Publicidade –

Jornal Local do Concelho de Silves.

Links Úteis

  • Notícias
  • Estatuto Editorial
  • Ficha Técnica

Publicidade

  • Publicidade & Assinaturas
  • Conteúdo Patrocinado

Info Legal

  • Contactos e Info Legal
  • Termos e Condições
  • Politica de Privacidade

Siga-nos nas Redes Sociais

© Copyright 2025, Todos os Direitos Reservados - Terra Ruiva - Created by Pixart
Ajustes de acessibilidade

Com tecnologia de OneTap

Durante quanto tempo queres ocultar a barra de acessibilidade?
Duração de ocultação da barra
Perfis de acessibilidade
Modo de Deficiência Visual
Melhora os elementos visuais do site
Perfil Seguro para Convulsões
Remove flashes e reduz cores
Modo Amigável para TDAH
Navegação focada, sem distrações
Modo de Cegueira
Reduz distrações, melhora o foco
Modo Seguro para Epilepsia
Escurece cores e para o piscar
Módulos de conteúdo
Tamanho do ícone

Padrão

Altura da linha

Padrão

Módulos de cor
Módulos de orientação
Welcome Back!

Sign in to your account

Username or Email Address
Password

Lost your password?