Estive há alguns dias numa iniciativa organizada pelo Grupo Amigos de Silves, para a qual foram convidados José Viola, Francisco Matos, Rogério Pinto, Isabel Soares (que não compareceu) e Rosa Palma, na qualidade de anteriores e atual presidente da Câmara de Silves.
O tema em questão “Repensar o passado, Perspetivas de futuro”, era muito abrangente e a conversa, ainda que interessante, circulou, por muitas estradas diversas, sem que realmente se chegasse a algumas conclusões. Uma das questões mais interessantes, foi levantada por Rogério Pinto. Defendeu este que “Silves não pode crescer se o Algarve não crescer” e que a nossa região tem sido sistematicamente ignorada e que continuará a ser. Uma das razões, dizia, é porque “não há ninguém do Algarve no novo Governo” e, por conseguinte, não temos “voz lá em cima”, e “somos periféricos”.
Uma visão que foi contrariada, em parte, por Francisco Matos, que considera haver condições para que Silves se desenvolva por si só, mas “temos que saber o que queremos”; e, em parte, por José Viola que lembrou que um dos equipamentos mais emblemáticos de Silves, o Museu Municipal de Arqueologia “foi construído sem um centavo do Governo”, numa espécie de “teimosia” da Câmara.
Foi, no entanto, consensual a ideia de que há sectores de grande importância e que estão na ordem do dia, como a habitação, a saúde, a educação, em que a ação da autarquia, independentemente de todos os esforços e da cor da liderança, só terá resultados plenos se for acompanhada de medidas nacionais e/ou regionais. Como Rosa Palma o disse, apontando o caso concreto da Saúde, sector em que foi dada a possibilidade e meios financeiros, através do PRR, para as autarquias requalificarem os edifícios dos centros de saúde. E a Câmara de Silves vai avançar com as obras em todos os centros de saúde do concelho, mas não consegue os 10 médicos de família que faltam no concelho. A saúde continuará a ficar adoentada, se assim se pode dizer… fazendo uma piada num assunto que nada tem de divertido…
Terminou o debate com uma conversa sobre o tema da imigração, questão que se torna cada vez mais premente, perante não só um número crescente de imigrantes, sem que haja qualquer controle no processo, como também pelas condições precárias e de grande exploração em que a maioria vive. Aqui também a capacidade de decisão das autarquia, como foi reconhecido por todos, é nula, sendo necessária a definição de medidas a nível nacional. E no entanto… e no entanto, reconhece-se que as autarquias, incluindo a de Silves, devem começar a agir no sentido de se prepararem para as alterações demográficas, sociais e culturais que os imigrantes trazem consigo. Nesse sentido, é necessário uma intervenção local, de acompanhamento e de integração que se torna já urgente, como o demonstra um simples passeio pelas avenidas de Armação de Pêra, ou pelos serros da freguesia de S. Bartolomeu de Messines, onde do nada surgem barracões com imigrantes que se escondem à aproximação de estranhos.
O que cada entidade pode ou não fazer pelo seu território e população é um tema que vale a pena aprofundar, numa reflexão sem complexos de competências próprias ou cores partidárias.
Mesmo quando não se pode fazer, há muito que se pode fazer – parece-me ser esta a conclusão passível de ter a concordância de todos. É claro que a definição das ações concretas já dependerá de cada um, “cada cabeça sua sentença”. Mas se não podemos intervir em “macro”, podemos fazê-lo em “micro”.
E repito uma ideia que já muitas vezes defendi: podemos mudar o mundo, começando pela nossa rua.
Fazendo no “micro”, na nossa rua, na nossa comunidade, podemos deixar um contributo decisivo. E a partir deste pensamento, passo ao convite: leiam, por favor, o artigo que publicamos (na página 12,) sobre um homem, “alcantarilhense de coração”, Manuel Caetano. Que na sua homenagem reuniu todas as associações de Alcantarilha, porque em todas teve intervenção.
Este é um exemplo de pessoas que temos e, atrevo-me a sugerir, o exemplo de pessoas que deveriam ser homenageadas no Dia do Município.







