A comemorar os 50 anos do 25 de Abril de 1974 que marcou o início da liberdade e vida democrática em Portugal – e que o 25 de Novembro de 1975 viria a estabilizar -, Portugal mudou muito. Hoje, seria incompreensível três amigos serem impedidos de conversar numa rua. Hoje, atingida a maioridade, uma mulher pode exercer o seu voto livremente independentemente do seu nível escolar, escolher a sua carreira ou viajar sem precisar de uma autorização escrita do marido. Hoje, é possível aceder a literatura, cinema, música e outras formas de arte sem censura, tal como é possível usufruir de uma imprensa livre. Nada disto seria possível antes de 25 de Abril de 1974.
Apesar do enorme progresso nestes anos de democracia, há ainda muito por realizar e ao observar os resultados das eleições legislativas de 10 de Março, onde saltou à vista o resultado do partido Chega, parece evidente que há uma grande parte da população descontente e descrente com o sistema de alternância democrática PS e PSD que tem caracterizado o sistema político português ao longo destas décadas.
Os níveis de pobreza e de exclusão social continuam acima da média europeia. Os Portugueses trabalham em média mais horas do que os restantes europeus mas produzem menos, o que se traduz em salários mais baixos e por conseguinte a um êxodo de jovens em busca de melhores oportunidades e condições de vida no estrangeiro. Portugal é um dos países mais endividados do mundo e existe um desfasamento significativo entre o mundo da política (e dos políticos) e a realidade dos cidadãos comuns, entre o litoral do país e o interior, entre Lisboa e o Algarve onde, recorde-se, o partido de André Ventura foi o mais votado. As assimetrias, tal como os problemas nas diversas áreas (saúde, educação, habitação, justiça, entre outras) vão-se agravando e os discursos populistas tiram partido disso, alimentam-se dos esquecimentos, das promessas levadas pelo vento, das confusões e trapalhadas, mas também de todo um circo mediático montado.
Aqui chegados é claro que os dois principais partidos (PS e PSD), que alcançaram o seu pior resultado de sempre, terão de se refundar, de ouvir as pessoas, mudar a sua forma de fazer política e de comunicar para atrair não apenas o eleitorado mas também as pessoas mais competentes para a política e, dessa forma, elevar o nível no escrutínio enquanto oposição, ou na tomada de decisão e execução quando integrados no governo, regendo-se por valores e convicções fortes, em detrimento do oportunismo e de interesses pessoais ou partidários. É essencial inovar na Política e sobretudo nas políticas para o país para dar resposta aos problemas das pessoas. Esse será um sinal de uma democracia madura que sabe adaptar o seu sistema político.
Neste contexto e momento, a comunicação social, considerada como o 4º Poder pela forma como transmite, molda e forma opiniões, desempenha um papel especialmente relevante no escrutínio em prol da sociedade civil, bem como na correcção da actividade política e de eventuais vícios. Quer a nível nacional, regional ou local, uma imprensa livre tem o condão de agitar a comunidade, discutir e debater temas, expor e denunciar vícios para além de noticiar a história dos nossos dias com imparcialidade, factualidade e rigor. Demitir-se desta responsabilidade seria desistir da democracia.
Parabéns ao “Terra Ruiva”, à sua equipa diretiva, a todos os colaboradores, apoiantes e amigos pelo 24º aniversário. Que continue por muitos anos num exercício notável de pluralismo e liberdade.






