Gisela João, de quem sempre gostei da ousadia, desde o primeiro momento em que se afirmou como fadista, genuína, deu em Silves, na Fissul, no âmbito da Mostra Capital da Laranja, um excelente concerto. Do fado às canções de José Afonso, tivemos oportunidade de ouvir uma voz poderosa, modelada e ampliada em diferentes registos. Ouvi-la e vê-la no palco, ajoelhada, elevar a voz, numa interpretação muito singular da Canção de Embalar, silenciando por completo uma plateia, embalou a estrela d’alva no alvorecer da emoção. Falando no intervalo das canções como se estivesse entre amigos ou em família, mulher do norte, despida de preconceitos.
Na canção Louca, um canto feminista, de afirmação feminina da liberdade de ser mulher. A letra retrata a opressão machista “Dizes que eu sou louca, exagerada, mas não sabes nada de mim/Dizes que eu sou complicada…”
E talvez por se aproximar Abril e a celebração dos 50 anos que abriram os caminhos da liberdade e da democracia, trouxe até nós a Inquietação de José Mário Branco. E também falou de liberdade, de como é preciosa e frágil, pois de tão livre que é permite até a expressão aos que com ela querem acabar. Talvez, quem sabe, a pensar nas próximas eleições e na ameaça demagógica e populista.
Dos gardenias para ti, um tango, dedicado ao seu amor e ao alimento da paixão. Referindo-se ao seu processo criativo Vou juntando poemas e músicas. E a terminar, como boa minhota que é, enraizada no melhor da tradição popular, dançando em palco Viras e Malhões.
Eu gosto da imprevisibilidade da vida – Gisela João.







