Existem duas épocas do ano em que me encontro num rodopio para finalizar um vasto conjunto de afazeres, o final dos anos civil e académico. Se o nosso ano académico coincidisse com o ano civil, como acontece no hemisfério sul, talvez esta síndroma de final de estação só me afetasse com o fecho do calendário gregoriano. Nesse caso, tudo ficaria (ou não) finalizado no mês de dezembro e, desde modo, o ciclo seguinte iniciar-se-ia com a abertura do novo ano, num momento de pausa para umas simpáticas férias no inverno (no nosso hemisfério). Naturalmente que a adaptação académica destas circunstâncias ao hemisfério sul resultaram de a época estival coincidir com o nosso início de ano civil.
Dada a minha natureza de tentar antecipar os acontecimentos, já pensando no retorno do ano académico ou, em dezembro, do ano civil, pelo menos aquelas tarefas que se adivinham para tempos medianamente imediatos, quando estou a fechar alguns eventos já estou a planear a necessidade de abertura de outras ocorrências e, assim, nunca tenho a sensação de desligar o interruptor, para vivenciar os dias tórridos de verão, ou frios de inverno, numa atitude de férias, com o sentido total de ócio, completo desapego.
Na verdade, ficam sempre pontas, ficam sempre casos por resolver, ou pelo menos não totalmente resolvidos. Será isto o contínuo da vida? Será que esta continuidade está inerente aos acontecimentos universais?
Quando conduzo preocupo-me, naturalmente, com o fluir dos outros meios de transporte que circulam na mesma via, acreditando que nada poderá surgir do nada, nada poderá aparecer repentinamente do vazio. Claro que não antecipo a possibilidade de algum objeto surgir vindo do céu ou de alguma lateral não identificada. E a vida tem de ser assim, devemos estar atentos, mas não podemos acreditar que, do nada, surge uma complicação, uma antecipação dos nossos dias neste universo.
E é assim que estamos permanentemente ativos e num vivido contínuo, sem interrupções, nem possibilidade de optar por não existir e, posteriormente, voltar a existir, não está prevista a ressuscitação dos corpos nem, provavelmente, das almas, não somos um modelo com descontinuidades. Por isso, o importante é, em cada momento, cumprirmos aquilo que é o nosso compromisso connosco e com os outros. Vale a pena fazer sempre planos para os dias, meses, anos, imediatos ou não, vale a pena projetarmos o futuro.
Umas boas férias em julho e agosto, fazendo já planos para setembro e outubro.






