Quando acordamos de manhã e abrimos os olhos, acordamos de um sono, embora para despertarmos nos seja exigido mais tempo, para estarmos atentos aos sentidos. O que nos leva a maior parte das vezes a agir por padrões já estabelecidos em nós. Controlo remoto que guardamos dentro de nós de todos os sentidos já experienciados, essa rotina em que nos deixamos levar diariamente.
A mente não é algo físico, palpável, consequentemente, não há meio para medir o seu tamanho. Mesmo assim, ela é dividida. A consciência é a mente racional, ela tem a capacidade de pensar, definir o que é certo ou errado, tem noção de tempo e espaço. Existe também o subconsciente, que não é racional, embora integre tudo o que conseguirmos absorver e que será aceite como verdade em nós, e é onde se encontram a maior parte das decisões tomadas diariamente, provindas dos estímulos sensoriais recepcionados constantemente.
Embora a aprendizagem seja constante, o que temos de mais valioso é quando conseguimos observar mais além, ver do outro lado daquilo que se vê.
A essência é aquilo que nós somos, a nossa proveniência sem ser lapidada. Porque nós temos o poder de fazer a nossa própria escultura, não por fora, mas por dentro. Nós não somos só aquilo que experienciamos fisicamente através da pele dos sentidos, mais do que isso, somos aquilo que sentimos através das emoções.
Ao adquirir sensibilidade através da auto-cura, é possível estabelecer a percepção do equilíbrio interno. É no despertar da consciência que mais fácil e genuinamente nos tornamos humanos. Fortalecendo a conexão com o próximo, com a nossa própria conexão emocional, percorrendo o fio condutor das acções alienadas da memória padrão no nosso interior inconsciente, embora presente.
Tudo tem um caminho, cada percurso tem um caminho, um trilho a seguir. O que vamos encontrar é sempre o desconhecido, nada é o que foi, nem nada será o que é. Nem será momentâneo, instantâneo ou duradouro, porque tudo é o que é.
O nosso ego manipula-nos para que nos mantermos na nossa zona de conforto emocional. Sem alterar, nem oscilar, é impossível avançar para o despertar da nossa própria consciência.
Existem momentos para tudo. Momentos para regredir, assim como para evoluir ou até estagnar. Tudo vai depender sempre daquilo que temos a apreender com determinada situação. É necessário sentir a ressonância, a vibração ao nosso redor, o que ela nos diz, sem interpretar, apenas sentir. Andar, parar ou avançar, traçar o caminho a cada instante.
A tendência de viver no futuro arrasta as pessoas para um passado que nunca será presente. Quanto mais presente mais consciente. Acordar para quem você é requer desapego de quem você pensa ser.
O ser humano é feito de camadas internas, que ao longo da vida vai criando em si, um exercício espectacular para nos conhecermos é através da subtracção das camadas que nos envolvem, como exemplos temos: o trabalho, a casa, o carro, o anseio do que virá. Subtraindo camadas através da mente, sentir a leveza desse momento. Deite-se confortavelmente, feche os olhos, respire fundo, as vezes necessárias para adquirir um batimento cardíaco sereno, e observe as suas acções, emoções e sensações, com o distanciamento necessário, porque só é relevante aquilo a que damos relevância.
O despertar não cura as suas feridas, embora as mesmas deixem de controlá-lo, por aprender a lidar com elas e porque a dor que é dor, sempre passa. Também não lhe dará mais poder, embora você descubra o poder que tem dentro de si.
Observe a criança que há aí dentro. Observe essa criança que necessita da sua atenção, para que possa vivenciar através das formas e cores que trouxe da sua raiz.
Escute-se mais!





