O projeto de requalificação da Rua do Saco e do parque de estacionamento afeto à Santa Casa da Misericórdia de Silves veio revelar novos dados sobre a história da cidade, através dos achados arqueológicos que foram descobertos durante as obras.
O acompanhamento das obras foi realizado pela equipa de arqueologia da Câmara Municipal de Silves, em pleno “comboio de tempestades”, no início do ano, e o resultado desse trabalho foi organizado na exposição “Onde hoje se estaciona, ontem se vivia”, que foi mostrada ao público no Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, assinalado a 18 de abril.
No mesmo local onde foram realizados os trabalhos arqueológicos, a autarquia montou a exposição, estando presentes os técnicos para prestar explicações aos visitantes.
Aqui, destaca-se a descoberta de três silos da época islâmica. Os silos são estruturas subterrâneas, escavadas na rocha, para armazenamento de bens alimentares, sobretudo cereais e, nalguns casos, frutos secos. Era um recurso utilizado desde o Neolítico final, que se afirmou durante o período de domínio muçulmano, tanto em meio rural, como urbano. O declínio deste recurso, na Idade Média, designado por “covas de pão”, nota-se a partir do século XVI, para quase desaparecer durante a centúria seguinte. Supõe-se que estas estruturas poderiam previver durante um longo período ( há referências a mais de 100 anos), sendo quase sempre utilizadas como lixeiras, ou mesmo fossas detríticas, após o seu abandono.

Os silos assumem diferentes formas, mas caracterizam-se por terem sempre uma boca de menor diâmetro, alargando à medida que se aprofunda. A boca apresenta rebaixamento para encaixe de tampa em madeira ou pedra, as paredes são, em geral, revestidas por barro amassado com cinzas e palha. Surgem com dimensões diversas e em relação com o fim a que se destinam: família monocelular, comunidades familiares ou populações urbanas.
Nas obras foram também recolhidos muitos fragmentos que estão a ser estudados, peças utilitárias que fariam parte do dia a dia da população e outras que ainda desafiam os arqueólogos.
De referir ainda que neste dia, e no âmbito da comemoração do Dia Internacional de Monumentos e Sítios, a Câmara de Silves abriu, pelo segundo ano consecutivo, a cisterna existente nas traseiras da Sé de Silves, permitindo a sua visita, através de um sistema de cordas, manuseado por elementos dos Bombeiros Voluntários de Silves. Uma atividade que reuniu muitos curiosos e gerou entusiasmo entre os mais “afoitos” a descer, suspensos pelas cordas, admirando aquela antiga estrutura.









