Regressados às nossas conversas e partilhas, trago-vos neste mês de regressos ao trabalho, à escola, à rotina do dia a dia, uma reflexão sobre o tempo, a vida e o que fazemos com ambos
“Não é que tenhamos pouco tempo, é que perdemos muito.” — Séneca
Vivemos como se o tempo fosse infinito, como se cada dia viesse com garantia de renovação. Mas a verdade é crua e simples: só temos uma vida. E o tempo que ela nos oferece não se repete, não se estica, não se recupera. Em cada novo dia temos à nossa disposição exatamente 86.400 segundos, nem mais, nem menos. Será que está a aproveitar bem esse tempo que lhe é colocado à disposição?
Na azáfama dos dias, entre compromissos, ecrãs e distrações, esquecemo-nos de viver. Sobrevivemos. E isso, por si só, devia fazer-nos parar. Viver com intenção é o antídoto contra o desperdício.
Na nossa terra — onde o tempo ainda tem cheiro a campo e sabor a conversa demorada — temos o privilégio de poder escolher viver com mais presença. Aqui, o tempo não precisa de ser uma corrida. Pode ser uma caminhada. Pode ser um café partilhado, uma tarde sem pressa, um gesto que fortalece laços.
“A vida é o que acontece enquanto estás ocupado a fazer outros planos.” — John Lennon
Usar bem o tempo não é fazer mais. É fazer melhor. É escolher o que nos preenche, o que nos aproxima dos outros e de nós próprios. É desligar o ruído e ouvir o que realmente importa. Olhe para o tempo como valor, não como medida. Ofereça à sua família, aos seus filhos, aos seus próximos, à sua comunidade, o seu tempo. Essa é a prenda mais preciosa que pode dar. Tempo de escuta, tempo de partilha, tempo de participação, tempo de envolvimento, tempo de conexão.
“O tempo é a coisa mais valiosa que uma pessoa pode gastar.” — Theophrastus
Não precisamos de mais horas no dia. Precisamos de mais vida nas horas que temos. E isso começa com pequenas escolhas: estar presente, agradecer, cuidar, criar memórias.
Na correria moderna, esquecemo-nos que o tempo é o único bem que não se compra, não se guarda, não se devolve. Cada minuto, cada segundo, é uma oportunidade — ou uma perda.
Como alguém um dia disse, o valor que tem um ano, conhece aquele que fracassa; o valor de um mês conhece a mãe de um filho prematuro; o valor que tem um minuto conhece aquele que perde o avião; o valor que tem um segundo conhece aquele que escapou da morte; o valor de uma fração de segundo conhece aquele que conquistou uma medalha de prata.
“Não acrescente dias à sua vida, acrescente vida aos seus dias.” — Harry Benjamin
Este artigo não pretende ser um sermão, mas um convite. Um convite à consciência, à presença, à intenção. Porque se amanhã não vier, que hoje tenha valido a pena.
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