Silves terá a primeira Unidade de Saúde Familiar-Modelo C no Algarve, gerida por uma empresa privada, com a qual foi celebrado um contrato perto de três milhões de euros.
A abertura está prevista para breve, estando dependente do Tribunal de Contas, mas tudo indica que será feita até ao final do ano. O objetivo declarado é o de conseguir dar médico de família a 7.500 utentes do concelho de Silves que atualmente não têm.
Mas as opiniões sobre esta opção não são unânimes.
O concelho de Silves irá receber a segunda Unidade de Saúde Familiar de modelo C, (USF-C) do país, depois de, recentemente ter aberto a primeira, no concelho de Torres Vedras.
O anúncio do concurso público, promovido pela Unidade Local de Saúde (ULS) do Algarve, para a instalação destas unidades, em Silves e Lagos, foi publicado no Diário da República a 22 de dezembro de 2025, com o preço global de mais de oito milhões de euros.
O concurso foi ganho pela Knokhealth Portugal, Lda., uma empresa portuguesa criada em 2015, conhecida pela sua atividade na área da saúde digital e telemedicina. O contrato, celebrado em maio deste ano, tem um valor de cerca de dois milhões e novecentos e vinte e cinco mil euros, e uma duração de cinco anos.
As USF de modelo C distinguem-se das unidades do Serviço Nacional de Saúde (SNS) pela entidade responsável pela sua gestão, uma vez que neste caso a prestação de cuidados é contratada a uma entidade privada ou do setor social.
Segundo os termos do contrato, a empresa ficará responsável pela organização e gestão da unidade, contratação dos profissionais (médicos, enfermeiros e assistentes técnicos) instalações, equipamentos e diversos encargos de funcionamento. A unidade deverá assegurar cuidados de medicina geral e familiar, enfermagem e serviços administrativos, bem como a articulação com os restantes serviços da ULS Algarve.
A ULS Algarve, por sua vez, mantém responsabilidades de acompanhamento, fiscalização e articulação da unidade com o restante SNS.
A nova USF de Silves deverá abranger 7.750 utentes e funcionar nos dias úteis entre as 8h00 e as 20h00. Entre os principais objetivos aponta-se para que o tempo médio de acesso do doente a uma consulta seja inferior a cinco dias úteis.
Opiniões dividem-se
A USF-C de Silves surge numa altura em que o acesso a médico de família continua a constituir um dos principais problemas dos cuidados de saúde primários no Algarve, sendo a situação particularmente grave nos concelhos de Silves e Lagos.
Esta opção do Governo é justificada como uma forma de aumentar a capacidade de resposta do SNS através de contratos com entidades externas. A opção, contudo, não é consensual e tem sido alvo de debate em torno da participação de empresas privadas na prestação de cuidados públicos.
Também em Silves, as opiniões dividem-se. O PCP de Silves expressou a sua “rejeição” a este modelo, criticando o facto de haver verbas para “dar de negócio a privados” quando faltam para “o reforço do serviço público”. Para o PCP, “esta medida insere-se num ataque mais geral ao Serviço Nacional de Saúde (SNS) por parte deste Governo PSD/CDS, que para tal tem o total apoio e suporte do Chega e da IL, onde o PS tem também grandes responsabilidades ao ter criado legislação para este tipo de modelo de organização das Unidades de Saúde Familiares e ao não se opor a este rumo de destruição do SNS.” O PCP acrescenta que este modelo não dá garantias de “assegurar uma carteira básica de serviços, como por exemplo a vigilância de grávidas e crianças, a realização de rastreios oncológicos, vacinação, consultas ao domicílio, entre outros.”
Já o PSD Silves defende a opção do Governo: “a USF Modelo C não é a solução definitiva para todos os problemas da saúde em Silves”, mas é “contudo, uma resposta concreta para um problema urgente.” “O verdadeiro fracasso não é experimentar uma nova solução. O verdadeiro fracasso seria continuar a aceitar como normal que cerca de um terço da população de Silves permaneça sem médico de família.”- acrescenta. Se as soluções adotadas até agora não foram suficientes para garantir médico de família a todos os silvenses, então é responsabilidade dos decisores políticos procurar respostas adicionais”, defende o PSD Silves, afirmando que “é precisamente nesse contexto que surge a USF Modelo C.”
A ULS Algarve irá abrir novo concurso para a USF-C de Lagos, que abrange 13.450 utentes, uma vez que o primeiro concurso, no valor de 5,2 milhões de euros, não foi adjudicado. No total, para o Algarve, estão previstas cinco USF- C, em Silves, Lagos, Albufeira, Portimão e Vila do Bispo que deverão servir 55 mil utentes.







