Criada por petição em 1825, a feira de Setembro em São Bartolomeu de Messines comemorará dentro de dois anos o seu duplo centenário. Todavia, nas circunstâncias atuais e depois do último certame, tal dificilmente acontecerá.
Quem no passado dia 20 se deslocou ao novo campo de feiras encontrou pouco mais de dúzia e meia de feirantes, e estamos a ser generosos, e decerto ficou perplexo por aquele que foi durante mais de 180 anos o principal acontecimento económico e social da freguesia, estar reduzido a uma insignificância que à maioria deve envergonhar.
Recorde-se que o certame foi fundado por Provisão de D. João VI, de 7 de julho de 1825, na sequência de uma petição que os messinenses lhe dirigiram para a criação de «huma Feira Franca de loges, gados e todos os mais géneros nos dias 20, 21, e 22 do mez de Septembro em cada anno». Tinha como objetivo engrandecer a festa de Nossa Senhora da Saúde, que de acordo com a petição se realizava desde antiquíssimo tempo. Pretendia-se aliar o religioso ao pagão, em suma, criar mais uma atração na aldeia naqueles dias 20, 21 e 22 de Setembro. Uma realidade transversal a tantas romarias em Portugal, como na de Nossa Senhora dos Remédios em Lamego, só para dar um exemplo maior.

Ora, no final dos anos de 1990, a festa religiosa começou a realizar-se em data móvel, sempre no sábado seguinte ao dia 21 de Setembro, mas em contracorrente a feira não acompanhou a mudança. Por essa altura eram já poucos os feirantes que ficavam para o dia 21 de Setembro, ainda assim, os carrinhos de choque e outras diversões eram presença habitual.
A decadência acentuou-se nos anos seguintes e a tal não foi alheia a perda de importância económica da freguesia e do concelho (que aqui abordaremos oportunamente).
Em 2016 o certame era já mais pequeno que um qualquer mercado mensal. Por essa altura, lembrámos aqui no «Terra Ruiva» a necessidade de uma reflexão em torno da feira, onde propúnhamos que a mesma passasse a móvel, realizando-se sempre no fim de semana, acompanhando a solenidade religiosa, que sugeríamos transitasse para o domingo. Em complementaridade lembrávamos a necessidade da realização de eventos musicais/culturais de renome nacional, nas noites de sexta-feira e sábado, no mesmo espaço, para atração de visitantes dos concelhos vizinhos. Nesta conceção o certame devia ser enriquecido com as nossas tradições, bem como constituir um mostruário das atividades económicas da freguesia.
Se não há dúvida que os hábitos mudaram nas últimas décadas, não faltam exemplos por esse Algarve e Baixo Alentejo de feiras que renasceram e voltaram a ganhar, nos nossos dias, a importância e prestígio que tiveram outrora.
Se em 2016 se impunha a reflexão, agora impõe-se a ação! Quer a Junta de Freguesia de São Bartolomeu de Messines, quer a Câmara Municipal de Silves têm de decidir se o certame é para extinguir (praticamente já está), ou para ser reinventado (realizando-se sempre ao fim de semana, com atuação obrigatória de artistas de renome nacional), e ficar associadas, para o bem e para o mal, à decisão que tomarem em nome de todos nós.







