Foi apresentado em Março passado um estudo realizado para a Região de Turismo do Algarve cujo objectivo foi traçar o perfil do turista cultural no Algarve. O turismo cultural é, de acordo com a Organização Mundial de Turismo (OMT), «um tipo de atividade turística na qual a motivação essencial dos visitantes é conhecer, descobrir, experienciar e consumir as atrações/produtos culturais, tangíveis e intangíveis, dum destino cultural. Estas atrações/produtos relacionam-se com um conjunto de características intelectuais, espirituais e emocionais de uma sociedade, compreendendo artes e arquitetura, património histórico e cultural, património gastronómico, literatura, música, indústrias criativas e as culturas vivas com os seus estilos de vida, sistemas de valores, crenças e tradições.»
Este tipo de turismo é reconhecido pela OMT e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) como um «dos segmentos com maior potencial de crescimento num mercado turístico marcado pelas experiências, aquisição de conhecimento e crescimento pessoal» e que tem vindo a ganhar cada vez maior importância. Os resultados do estudo apresentado apontam que apesar das férias constituírem o principal objectivo de visita ao Algarve, com destaque para a vertente Sol e Praia (36,8%), os turistas que indicam motivações de índole cultural nas suas várias vertentes (touring, urbano, vínico e gastronómico, educativas/criativas) representam 41,5% das motivações das férias dos turistas inquiridos, superando assim as motivações para turismo de natureza, bem-estar e turismo desportivo.
Não obstante, o Algarve é visto maioritariamente como “um destino para passear, fotografar e/ou ver lugares interessantes e incomuns”, em detrimento de uma região para “aprender muito sobre a cultura e o património”.
Apesar disso, uma vez na região, 97% dos turistas inquiridos tinham visitado ou pretendiam visitar uma atração cultural no Algarve durante a sua estadia, demonstrando uma procura activa por participar em eventos ou visitar atracções culturais.
Os inquiridos avaliaram ainda de forma satisfatória (7,44 numa escala de 1 a 10) as actividades culturais em que participaram, um resultado que merece reflexão para apontar o caminho tendo em vista a melhoria da experiência proporcionada.
Importa salientar que o turista cultural tende a despender mais dinheiro no destino, em média um total de €1.359,00 durante o período de permanência na região (cerca de dez noites), mas apresenta também um perfil exigente pelo alto nível de qualificações (ensino superior) que, regra geral, detém. Os inquiridos revelaram ainda que são os lugares patrimoniais, galerias e museus as maiores atrações culturais, ao invés de concertos de música ou eventos mas tal poderá dever-se ao perfil etário mais velho dos turistas que responderam ao inquérito.
A nossa região detém um importante e diversificado capital patrimonial que vai de edifícios arquitectónicos a sítios arqueológicos, para além de uma riqueza paisagística excepcional. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), o concelho de Silves é o concelho algarvio que concentra mais bens patrimoniais da região (21%), um total de 39 (30 monumentos e 9 sítios) em 182. De monumentos megalíticos como os menires do Monte Roma, em Silves, e de Vale Fuzeiros-Vilarinha, a Necrópoles, à Sé de Silves, ao Castelo de Silves, ao Museu Municipal de Arqueologia, à Casa Museu João de Deus ou ao Museu do Traje, à Fortaleza de Armação de Pêra, à Casa da Cultura Islâmica e Mediterrânica, a Igrejas, são muitos os pontos de interesse, e estes são apenas alguns exemplos.
O Algarvensis, aspirante a geoparque mundial da UNESCO, (o único geoparque a sul do rio Tejo) pretende ser um importante elemento diferenciador para o desenvolvimento do interior dos municípios de Loulé, Silves e Albufeira, e terá certamente um papel muito relevante a desempenhar no intercâmbio cultural e científico, na promoção dos territórios mas também no desenvolvimento socioeconómico sustentável, por via das histórias que conta, muito antes dos dinossauros aparecerem, e que nos trazem até aos dias de hoje, bem como das experiências que proporciona. Há muito para aprender, ensinar e descobrir, experimentar, vivenciar. Temos os ingredientes e os recursos para criar uma resposta emotiva de tal forma positiva que leve os turistas a repetir, a contar aos seus amigos e familiares, e a recomendar a visita ao Algarve que tanto tem para oferecer.







