A preocupação com a saúde deve ser uma das principais prioridades das pessoas. Seja devido à pandemia que deixou mossas nos hábitos dos portugueses ou devido ao sedentarismo enraizado, estamos perante uma população pouco ativa e em risco de desenvolver uma série de condições que, na maioria dos casos, seria evitável.
Segundo do Instituto Nacional de Estatística (INE), mais de metade da população portuguesa com idade superior a 18 anos tem excesso de peso ou obesidade. Os números tornam-se ainda mais alarmantes se estudarmos os cenários associados a este “simples” acumular de gordura: 70% das pessoas com obesidade também tem esteatose hepática, mais conhecida como fígado gordo.
Mas porque é que o fígado gordo é tão prejudicial? Não será apenas gordura semelhante à acumulada em outras regiões? A resposta é simples. Ter gordura no fígado é abrir portas para que esteja a comprometer o funcionamento deste órgão. A esteatose hepática surge de forma silenciosa e evolui sem que se aperceba, podendo causar lesões mais complicadas de tratar e progredir para o estado de cirrose, uma doença hepática sem reversão, especialmente nos doentes mais velhos.
No entanto, ainda que os problemas do fígado deem poucos ou nenhuns sinais até se entrar na fase descompensada, é essencial que esteja atento a sintomas como:
- Olhos e pele amarelada (icterícia);
- Inchaço na barriga proveniente da acumulação de líquidos (ascite);
- Manchas roxas na pele (equimoses);
- Dor na região superior direita do abdómen;
- Urina escura;
- Fezes claras ou esbranquiçadas.
Por mais que estas doenças se comecem a manifestar tardiamente e com gravidade, a prevenção deve estar na ordem do dia, através das recomendações dos especialistas na área. Alimentação saudável, consumo muito ligeiro de álcool e a prática regular de exercício físico, são as medidas mais benéficas para fazer a manutenção da saúde do fígado e do organismo.
No caso da prática desportiva, existem várias formas para se manter ativo e evitar o fígado gordo, seja através de exercícios aeróbicos (correr, caminhar, andar de bicicleta e saltar à corda) ou de treinos de força, sendo que alguns estudos apontam que o fortalecimento muscular pode contribuir para a redução de gordura deste órgão em apenas poucas semanas.
Não fique sentado à espera de que a saúde do seu fígado se deteriore. Tome a iniciativa de ser ativo, estabelecendo objetivos realistas, que mais facilmente se irão adequar ao seu estilo de vida a longo prazo.
Artigo de opinião de José Presa, presidente da Associação Portuguesa para o Estudo do Fígado (APEF)










Não é novidade que a leitura habitual de bons autores enriquece o domínio do idioma pátrio, não só pela aquisição de mais e bom vocabulário, como pela melhoria da textura dos nossos escritos.
Dentro do contexto dos grandes mestres da língua, na minha galeria de escolhas, figuram, no lugar de honra, o irónico Eça, o “caceteiro” Camilo, o histórico e municipalista Herculano, ou o romântico Garrett (acerca de cujo apelido irlandês, o próprio dizia que “o meu nome tem dois / tt /, para que um deles, ao menos, seja pronunciado”).
Contudo, aparte a vasta gama lexical, que com eles aprendemos, existe um extenso leque de outros termos, por norma, de origem grega, logo, de natureza mais erudita do que popular, dos quais o significado nos escapa.
Falo dos vocábulos utilizados em medicina, nos quais o presente artigo é pródigo, sendo que os que aqui são utilizados ainda são os mais vulgares, outros havendo, cuja hermeticidade é muito maior e quase exclusivamente utilizados inter-profissionais da classe médica.
Uma vez que reputo de algum interesse o conhecimento do significado existente por detrás dos “palavrões” aqui reproduzidos, aqui vai o de alguns deles:
– Esteatose: Do gr. “steatosis”, “degenerescência gorda”, por sua vez, de “stéatos” e este de “stéar”, “gordura sólida”, “sebo” – quem não conhece as chamadas “velas de estearina” ? );
– Cirrose: Através do lat. “cirrhosis” (do gr. “kirrhós”, “alourado”, devido à cor da granulação do fígado com este enfermidade + “-sis”, inflamação);
– Icterícia: Idem, do lat. “icterus” (do gr. “íkteros”, “amarelo-esverdeado”, devido à coloração da pele, pela deposição de pigamento biliar nas suas camadas profundas);
– Ascite: Idem, do lat. “ascites” (do gr. “askítēs” e este, por sua vez, de “askós”, “odre”, “saco de couro”);
– Equimose: Idem do lat. (médico) “ecchymosis” (do gr. “ekkhúmōsis”, “extravasamento”, entenda-se, de sangue sob a pele, por efeito de contusão, aquele, por sua vez, de “ekkhéō”, “derramar” e este de “ek-“, “para fora” + “khéō”, “deitar”).
Nota final:
Os conselhos sábios e amigos do dr. José Presa são mesmo para seguir, “pela nossa saúde”.
Amanhã mesmo, se nada houver contra, o escriba destas palavras irá fazer uma valente caminhada …