Repegamos, mais uma vez, o tema da ansiedade, já abordado em edições anteriores, mas cada vez mais uma queixa de crianças, jovens e adultos. Por diferentes razões, ou razões que se cruzam, este é um dos motivos de recurso ao apoio psicológico e, infelizmente, um dos motivos que leva à toma exagerada de medicação. A não identificação dos sinais a devido tempo, leva a que atinja, muitas vezes, níveis de perturbação inibidores do bom funcionamento do indivíduo, reduzindo em muito a sua qualidade de vida e bem-estar emocional.
A ansiedade, no seu estado leve, é uma reação natural do organismo, tem a sua raiz no medo e funciona como mecanismo de sobrevivência, que é acionado quando o indivíduo se sente ameaçado ou em perigo. Pode haver aqui 3 tipos de resposta – fuga, luta ou congelamento. De acordo com o tipo de resposta, entra em curso uma variedade de alterações física, como uma maior irrigação sanguínea para o coração e para os músculos para promover a energia e a força necessárias para enfrentar o perigo, como fugir ou defender-se de um agressor.
A ansiedade passa a ser patológica quando é vivida de forma excessiva e interfere de forma perturbadora no quotidiano do indivíduo, quer a nível físico, cognitivo, comportamental ou emocional; quando ocorre em momentos indevidos, de forma desproporcional, com muita frequência, de forma intensa e duradoura.
São inúmeros os motivos que podem levar ao desenvolvimento da ansiedade de forma excessiva ou patológica. Preocupações, stress elevado, dificuldades no relacionamento interpessoal, baixa auto estima, baixa autoconfiança, baixa tolerância à frustração, conflitos, dificuldade de integração, lidar com a mudança, … são inúmeras as razões que podem estar na base do seu desenvolvimento. Começa subtilmente com pequenas sensações que aparentemente não parecem nada, mas depois o coração começa a bater de forma mais acelerada; a respiração, dia após dia, começa a ser mais rápida e difícil; os pensamentos mais acelerados e constantes, e de cariz negativo; uma estranha agitação começa a instalar-se no dia a dia. Têm ressonância em si estes sinais? Então a ansiedade está a ganhar terreno e é necessário agir, para que ela não passe de leve a grave em pouco tempo.
Esteja atento a sintomas como: frequência cardíaca aumentada; falta de ar; respiração rápida; dor ou pressão no peito; sensação de asfixia; tonturas; suores; náusea; tremores; formigueiro nos membros superiores e inferiores; fraqueza e sensação de desmaio; tensão muscular; boca seca; medo de perder o controlo; preocupações frequentes com o futuro; … entre outros. Repare que muitos destes sintomas são similares aos de enfarte, por isso muitas vezes se confunde, sendo fundamental uma avaliação médica e, caso não se esteja perante um problema do foro cardíaco, uma avaliação psicológica.
Para aprender a lidar com a ansiedade é fundamental aprender a reduzir o seu nível de ativação, para retomar o controlo, mas também identificar a sua origem, para, indo à fonte, resolver o problema na base e consequentemente recuperar a qualidade de vida e bem-estar emocional. Procurar ajuda é fundamental e uma medida de autocuidado.
“ A nossa ansiedade não esvazia o sofrimento do amanhã, mas apenas esvazia a força do hoje.” – Charles Haddon Spurgeon
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