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Fábrica do Inglês Monumento de Interesse Público- Consulta Pública a decorrer

Terra Ruiva
Última Atualização: 2022/Mar/Ter
Terra Ruiva
4 anos atrás
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Está a decorrer, até ao dia 25 de março, a Consulta Pública referente ao processo de classificação da Fábrica do Inglês como Monumento de Interesse Público.

A classificação foi requerida pela Associação Portuguesa de Arqueologia Industrial (APAI) com o apoio do Município de Silves, e no dia 10 de fevereiro foi publicado em Diário da República o projeto de decisão relativo à classificação da Fábrica do Inglês como Monumento de Interesse Público (MIP), incluindo os jardins e o património móvel integrado, nomeadamente o do Museu de Cortiça.

Durante o período da Consulta Pública, os interessados poderão pronunciar-se e consultar todos os elementos relevantes do processo nos portais da DGPC  e da Direção Regional de Cultura do Algarve.

Este processo resulta de uma proposta de classificação para o imóvel de monumento de interesse público por parte da APAI, em fevereiro de 2016, que processo caducou sem obter qualquer resposta. Mas foi agora “considerada oportuna a reabertura, apesar do imóvel já estar classificado de interesse municipal (IIM) pela autarquia”.

No período em que a Fábrica do Inglês funcionava como um empreendimento de animação turística

No documento da Secção do Património Arquitetónico e Arqueológico do Conselho Nacional de Cultura, que apreciou o assunto e deu parecer favorável lê-se: “Inquestionavelmente, a designada “Fábrica do Inglês”, com origem nos finais do século XIX, dedicada ao tratamento e transformação da cortiça, deixou uma marca indelével no concelho de Silves, quer no que se refere à valia do seu património arquitetónico, como também relativamente ao património integrado, bem como, ainda, pelos aspetos patrimoniais identitários imateriais que deixaram uma forte marca no concelho de Silves. Assim, pese embora a meritória ação de proteção por parte do Município de Silves, que nos garante uma cuidada atenção local, estamos perante um monumento de arqueologia industrial que é sem dúvida merecedor de uma classificação de âmbito nacional.”

 

A Fábrica do Inglês

A antiga Fábrica do Inglês é uma unidade industrial do século XIX, construída cerca de 1893, que, no âmbito da atividade de transformação de cortiça, laborou até 1997.

Nos registos oficiais consta a data de 2 de Janeiro de 1894, como data oficial da inauguração da Fábrica, mas existem indícios claros que apontam para a existência, antes de 1894, de uma sociedade denominada Avern, Sons & Barris na exploração do negócio da cortiça, conjuntamente com o silvense Gregório Nunes Mascarenhas.

Essa designação manteve-se até 1938, altura em que a firma londrina Henry Buckmall & Sons, já com instalações fabris em Portugal, se torna sócia e posteriormente dona exclusiva da fábrica, o que aconteceu no ano de 1944. Foi preciso esperar quase quatro décadas para o complexo passar para a gerência portuguesa. Estava-se em 1962 e os novos donos chamavam-se José Bentes Estrelo e sua irmã Ana Cristina Estrelo, filhos de um empregado da fábrica José Alexandre Estrelo, que se tornou seu administrador até meados dos anos noventa, altura em que a fábrica parou definitivamente de laborar.

No final da década de noventa, o complexo industrial foi adquirido pela sociedade “Fábrica do Inglês, S.A.” de modo a reabilitar a antiga estrutura fabril sob a forma de um empreendimento turístico-cultural. Por iniciativa desta empresa privada, após obras de requalificação do conjunto, foi reinaugurado como equipamento para restauração, atividades culturais e animação turística.

Salientava-se o museu então criado, numa parte da estrutura requalificada, que permitiu resgatar da ferrugem as velhas máquinas da era industrial corticeira, conservando-se assim um importante espólio da época industrial. O espaço museológico era composto por oito áreas distintas e uma exposição interior. De entre elas destaca-se a sala de interpretação – onde era possível observar um conjunto diversificado de temas que introduzem a história da fábrica, a importância de Silves como cidade corticeira e a informação relativa ao ciclo da matéria-prima – e a oficina transformadora onde era reproduzido o ambiente semi-manufactureiro, anterior a 1921.

O Museu que, em 2001, foi distinguido pelo Fórum Museológico Europeu com o Prémio Micheletti para Melhor Museu Industrial da Europa integrava um arquivo e um centro de documentação.

Na sequência da falência da sociedade “Fábrica do Inglês, S.A.”, o conjunto encerrou, em 2009, sendo retirados para reaproveitamento equipamentos de hotelaria, não se registando qualquer tipo de manutenção, mesmo no referente ao museu. Em 2014, os edifícios e bens imóveis integrados (espólio do Museu da Cortiça) foram leiloados e adquiridos pela CGD e pelo grupo Nogueira, respetivamente, o que levantou protestos indignados, tendo a APAI, na sequência, proposto a sua classificação em fevereiro de 2016.

Desde 2009 o recinto encontra-se encerrado ao público. Em 2010, o mesmo foi classificado pela Câmara Municipal de Silves como Imóvel de Interesse Municipal. O que não impediu a sua degradação até ao presente momento. Recentemente foi tornado público, pelo Terra Ruiva, que a Câmara Municipal aprovou um plano para a recuperação da Fábrica do Inglês que prevê que este espaço venha a receber um aparthotel de cinco estrelas com 130 apartamentos turísticos, SPA, piscina e restaurante. O Museu da Cortiça está incluído neste projeto de reabilitação e está prevista a reabertura ao público.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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1 comentário
  • Maria Marcelo diz:
    16 de Março, 2022 às 16:28

    Penso que este espaço deveria continuar como espaço cultural e de animação turística. Um aparthotel com as características enumeradas , obriga a uma construção dentro do espaço e irá ocupar uma grande área tirando o interesse arquitectónico do edifício. Quando trabalhava com animação turística, museu e gastronomia trazia muito movimento à cidade. O único defeito era a qualidade da comida e o estacionamento. É de facto pena que a Câmara não tenha adquirido o edifício e o espólio quando do leilão, poderia ter entregue à exploração os espaços de restauração com diversidade de cozinhas e pastelaria. Tem espaço para as crianças brincarem dando descanso aos adultos.
    E a Câmara poderia explorar a zona de espetáculos para festas públicas e/ou privadas . Enfim! Ideias!

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