O Município de Silves informa que se encontra a decorrer o concurso público para a execução da empreitada de Reabilitação do Antigo Mercado de Alcantarilha para Centro de Exposições e Outros Eventos Culturais.
A proposta vencedora apresenta um preço de 300 mil euros, sendo que o prazo de execução previsto é de 9 meses.
A intervenção preserva a riqueza patrimonial do imóvel e a muralha envolvente. A autarquia explica que “o investimento integra a estratégia municipal de recuperação, reabilitação e valorização do património histórico-cultural, preservando a memória coletiva, que se constitui como fator indispensável ao desenvolvimento integrado do concelho de Silves.”

O antigo mercado…
Foi a 2 de julho de 1934 a data da inauguração do antigo mercado de Alcantarilha, instalado em edifício térreo e típico exemplar da arquitetura vernácula do sul de Portugal, com fachada principal pontuada por um vão de porta, vão de janela e um portão em madeira pintada de verde, guarnecidos por barras e socos pintados de cor amarelo ocre e telhado de duas águas. Imóvel composto por um único compartimento com cerca de 62m2 de área útil onde permanece a bancada de alvenaria e servido por um logradouro com sensivelmente a mesma área, cujo limite sul é confinado por um troço das muralhas do Castelo de Alcantarilha, onde se localizam pequenos anexos destinados a instalação sanitária e zona de depósito de lixo orgânico proveniente da atividade ali praticada.

Na década de 1980 a edificação de um novo edifício para albergar o Mercado Municipal fez-se sentir, uma vez que os moradores da povoação, pela exiguidade do espaço e condições, iam abastecer-se nos mercados vizinhos de Pêra e Armação de Pêra .
Neste sentido, em reunião camarária de 17 de maio de 1983, sob a presidência de José Viseu, foi deliberado adjudicar a “Arquitetos Joaquim Cabrita Rodrigues do Carmo e António Centeno”, o projeto para a construção de um novo Mercado Municipal de Alcantarilha. Em dezembro de 1984 a edilidade aprovou o projeto.
Na reunião camarária de 1 de abril de 1986, analisadas as propostas para adjudicação da empreitada de construção do Mercado, a mais vantajosa foi apresentada pela firma “Cintra – Urbanizações, Turismo e Construções, S.A.R.L.”, pelo valor de 18.094.951$00. No entanto, o presidente da edilidade silvense, agora, José Viola, propôs “que o concurso seja anulado, por se verificar que no ano em curso não é possível ter verba para esta obra”.
A construção de um novo Mercado Municipal, que reunisse num único espaço a venda de frutas e legumes, como também de carne e peixe só tomou forma no ano de 2001, então com a presidente Isabel Soares.
A obra iniciou-se em novembro de 2001, mas parou em maio de 2002, durante dezoito meses, devido a diversos entraves, e que fizeram subir os encargos, de modo que teve um custo total de 377.068,61€.
No dia 26 de maio de 2005, Dia de Corpo de Deus, o novo mercado foi finalmente inaugurado, com direito a bênção religiosa a cargo do pároco, Pe. Manuel Coelho e que contou com a presença da presidente da Câmara, Isabel Soares, do presidente da Junta de Freguesia, João Palma Santos, além de outros autarcas da freguesia e do concelho.
Deste modo, setenta e um anos depois da sua inauguração o antigo mercado, que se encontrava degradado e sem as condições mínimas exigíveis para o uso que lhe vinha sendo dado há várias décadas, era transferido para as novas instalações.
Tratando-se o velho mercado de um elemento que faz parte da história e da memória local, que serviu a população de Alcantarilha e povoações limítrofes durante muitos e muitos anos, a Câmara Municipal de Silves desejando a sua reabilitação, anunciou em 2018 a sua conversão em Sala de Exposições/Eventos. Mantendo as características que lhe são inerentes e transformando-o num espaço dedicado à cultura de modo a continuar a ser uma referência da freguesia. Em março de 2019 foi assinado com “António Marques – Arquitetura e Planeamento, Lda.” a elaboração do projeto de reabilitação do antigo Mercado de Alcantarilha. Esta obra vai permitir dinamizar e dar outra dimensão e dignidade ao imóvel, valorizando o património histórico local.
Nota: Os elementos históricos são retirados do artigo “Em Alcantarilha a história de dois edifícios destinados a mercado municipal”, de Vera Gonçalves, publicado no Terra Ruiva, em maio de 2020


