Educar com Respeito e para o Respeito

Este mês fomos mais uma vez surpreeendidos, ou não, por notícias de agressão, mais conhecido por bulling, entre colegas. Mais uma vez, e contrariando todos os princípios base de educação se expuseram estas crianças nas redes sociais e nos media, sem qualquer pudor, sem se pensar como isso as poderia afetar. O que foi feito na escola destas crianças? O que foi feito com estas crianças e suas famílias? Expor, castigar pura e simplesmente, não resolve o problema de base, que está na educação, nos valores, nos modelos com que estas crianças crescem. Quando falo de modelos, não falo só dos pais, falo de todos os que fazem parte do seu meio familiar e social.

Por outro lado, este período que atravessamos, privou as crianças de experiências fundamentais para o seu crescimento saudável. Tal como outras situações de violência, que também aumentaram durante esta fase de pandemia, como é o caso da violência doméstica, estas, que ocorrem no meio escolar ou no caminho para a escola, requerem uma profunda reflexão.

Temos enquanto sistema e enquanto sociedade de perceber que o que resulta não é apresentar formas de “resolução” de cariz punitivo, mas sim promover um espaço de reflexão, crescimento e construção de melhores pessoas, permitindo aos intervenientes perceber a origem e dimensão dos seus atos. Um espaço para aprender a estar no lugar do outro, aprender o respeito, aprender a respeitar as diferenças, a não crescer no preconceito. O que nos distingue não é a cor da pele, a etnia, a opção sexual, o estrato social, o que nos diferencia é o preconceito.

É fundamental ajudar os jovens agressores a perceber a dimensão dos seus atos e a resolver as questões que os levam a agredir; é fundamental ajudar os jovens vitimas de agressão a não esconder, é fundamental perceber junto dos que assistem por que não agem e como podem agir na proteção dos colegas. As situações negativas que ocorrem devem ser transformadas em momentos de aprendizagem e crescimento. Todos têm de se envolver neste trabalho, desde a escola, aos diferentes agentes educativos, aos alunos, aos pais, à comunidade. Todos somos responsáveis e agentes de mudança, todos devemos ser exemplos de civismo e cidadania.

Com que moralidade se exigem determinados comportamentos, quando na escola, em casa, na rua, nas redes sociais, nos meios de comunicação social, se faz exatamente o que se critica? Onde aprendem as nossas crianças estes comportamentos?

A adolescência é a fase do ser diferente, ou melhor, a de tentar ser igual ao grupo. Mas sempre há aqueles que não conseguem, aqueles que não se importam, e aqueles que se sentem à margem do grupo, que não são populares, que não se vestem como os demais, e que sofrem. Só quem já foi diferente sabe a dor que é ser deixado de lado por não apresentar os padrões socialmente aceites, não ter o corpo perfeito, a roupa, o sapato, a casa, a postura, a voz, a capacidade de aprendizagem, … Respeitar isso no outro, aceitar que ele é diferente, mas é, ao mesmo tempo tão igual em muitas coisas, é algo que pode fazer a diferença em muitas vidas.

O respeito é um dos pilares fundamentais das relações humanas, é a base da confiança, da amizade, do amor. Sentimentos como afeto, atenção, carinho, companheirismo, lealdade e proteção, não são verdadeiramente honestos se o respeito não estiver subjacente na sua expressão. O caráter constrói-se quando se tem claro quais são os valores e quando se aprende a agir com integridade. O respeito não se tira ou impõe, está na formação no nosso caráter.

É a capacidade de pensar e refletir que nos torna seres humanos, e é aí que está a nossa chave. Esta capacidade nasce connosco, está embrenhada no nosso ser como uma pedra à espera de ser lapidada, no sentido de nos transformar em cada vez melhores pessoas. Por isso não vale a pena usar as diferenças como desculpa, porque não é a cultura, credo ou língua que nos torna mais ou menos humanos, é a capacidade de pensar. Por mais que o outro seja diferente ou pense diferente, devemos colocar o respeito, a tolerância na base das nossas ações, não porque está escrito na Constituição ou em qualquer documento, mas porque é um dever humano respeitar os outros.

“Eu te entendo. E quando não entendo eu te aceito… Mas, acima de todas as coisas, eu te respeito.” (autor desconhecido)

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