Turismo vacinado

A corrida à vacinação continua; desde que foram aprovadas as diferentes vacinas, o governo português apressou-se a que a mesma estivesse disponível para a população. Dada prioridade aos idosos, grupos de risco e profissionais mais críticos, a vacina começa agora a chegar aos escalões etários com menos grau de risco.

No Algarve, a vacinação encontra-se algo abaixo do verificado nas outras regiões; no relatório de vacinação com os dados até 30/05/2021, a região contava com apenas 32% da sua população vacinada com a primeira dose, e apenas 19% tinha vacinação completa. Há algumas semanas foi noticiado que o ritmo de vacinação do Algarve iria aumentar, em virtude de ser a região mais jovem, e visto que foi dada prioridade aos mais idosos, acabou por ter uma proporção inicial mais baixa de vacinados.

Com o advento do verão, a vacinação no Algarve assume especial preponderância; a importância do turismo para a economia regional e o fraquíssimo desempenho do sector no ano passado colocam o verão de 2021 como um caso de “vida ou morte” para o sector empresarial algarvio.

A abertura do corredor aéreo entre Portugal e o Reino Unido a meio de maio deixou boas indicações de como os turistas da velha Albion anseiam pelo sol e pela diversão algarvia. Sendo o turismo britânico o grande driver do turismo algarvio, estas são notícias que trazem alguma esperança. De facto, e atendendo aos dados obtidos no Holiday Money Report 2021, o Algarve surge no terceiro lugar como destino mais barato da Europa, e o mais barato da zona euro. Mais ainda, Portugal surge no relatório como o destino com maior valor a nível global, a par da Espanha e Grécia. Portanto, em termos de perceção de valor, o Algarve surge como um destino muito apetecido pelos turistas britânicos, sequiosos de algumas férias.

Pese embora esta distinção, é fundamental proceder à vacinação célere em massa dos trabalhadores do turismo e da população algarvia; sendo o turismo uma negócio de base reputacional, o pior cenário para a região seria uma onda de turistas a encontrarem hotéis fechados e restaurantes encerrados. Tal constituiria uma machadada terrível no futuro a longo prazo do turismo, pois o turista insatisfeito é um turista que não regressa nos anos vindouros. A experiência turística é fundamental: um ambiente seguro, confiável e confortável é capital para a experiência das férias dos que nos visitam. Para a criação desse ambiente, a vacinação é imprescindível; a sua execução, bem como a sua boa comunicação junto dos nossos mercados-alvo turísticos, poderia significar a diferença entre um verão medíocre e um verão aceitável, em termos de receitas.

Para além do desafio pandémico, parece que outro dos desafios atuais das empresas turísticas passa pela incapacidade de contratação de pessoal para a sua atividade; a atividade turística sempre foi extremamente sazonal, e muitas empresas têm dificuldade em preencher as suas vagas. Uma vacinação mais alargada e célere poderia ser um factor que facilitasse a candidatura de mais pessoas.
Pese embora paire a noção de que o Algarve se arroga de um certo excepcionalismo ao exigir uma vacinação mais rápida, a verdade é que a região desfruta, para sua desgraça, de uma desmesurada dependência do turismo, inaudita no resto do país; falhar em tratar o Algarve como uma região excecional poderá condená-la.

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