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História & Património

O Mercado Municipal de Pêra

Vera Gonçalves
Última Atualização: 2020/Set/Sáb
Vera Gonçalves
6 anos atrás
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Pêra é uma vila e sede de freguesia do concelho de Silves, com cerca de 20 Km2 de área e com uma população a rondar os 2432 habitantes (Censos de 2011) que dista 12,5 km da sede do concelho.
A povoação de Pêra situa-se no extremo sul do concelho, confrontando a norte com a freguesia de Alcantarilha, a sul com o Oceano Atlântico, a oeste com a freguesia de Armação de Pêra e a este com a freguesia de Guia (município de Albufeira).

A freguesia de Pêra é uma das mais antigas do concelho de Silves, tendo sido criada em 1683, por provisão do Bispo D. José de Meneses, desanexada da freguesia de Alcantarilha. Anos depois, tornou-se a unir a esta, mas, em 1875 passou a ser, de novo, independente.
Originalmente era chamada de “Pêra de Cima” para se distinguir de Armação de Pêra que se denominava então, “Pêra de Baixo”. De modo que, ao longo dos séculos a história da freguesia de Pêra encontra-se relacionada com a de Armação de Pêra, na medida em que esta zona começou por ser um aglomerado de cabanas dos pescadores de Pêra.

Esta antiga freguesia apresenta uma paisagem com uma fisionomia caracteristicamente mediterrânica que se relaciona com as características de relevo, clima e vegetação, associadas à posição atlântica da mesma. Neste âmbito, a extensa faixa costeira baixa e linear constitui uma das principais potencialidades desta área, sendo a Praia Grande uma extensa zona dunar, classificada como Praia Dourada, pela Quercus. Tal como o património ambiental de reconhecida importância nacional e internacional de que é exemplo a Lagoa dos Salgados, área classificada como IBA (importante bird área).

Situada na margem esquerda da ribeira de Alcantarilha e apinhada sobre um outeiro largamente exposta ao sul e à vibração do mar, do ponto de vista da malha urbana antiga é caraterizada por ruelas muito estreitas e becos, com casas caiadas de branco e acabamentos coloridos, que remontam ao século XIX, ou inícios do século XX, e demonstram alguma preocupação com questões de índole estética, o que confere a esta pequena povoação uma beleza singular.

Do património local fazem parte imóveis como a Igreja de São Francisco (de talha dourada do século XVIII, com alçados pintados na capela-mor e telas do pintor algarvio, Rasquinho, oferece uma varanda de onde se pode desfrutar de belas paisagens e de onde o mar e os campos se perdem de vista), a Igreja Matriz ou Igreja do Espírito Santo (com os seus azulejos historiados, os retábulos barrocos do altar-mor, das capelas laterais e da sacristia, e ainda o cadeiral do coro e o arcaz na Sacristia) e a pequena ponte sobre a Ribeira de Alcantarilha, a sul da localidade.

Pêra registou um dinamismo económico visível pela progressiva concentração de população no aglomerado populacional e no crescimento de atividades económicas, equipamentos e infraestruturas, sendo o principal impulsor de desenvolvimento da freguesia, respeitando os condicionalismos físicos existentes na paisagem, a nível de relevo, clima, vegetação e proximidade do litoral.
Os equipamentos existentes conferem autonomia e um razoável nível de qualidade de vida à população, sendo também uma freguesia essencialmente de pendor turístico, que conhece um aumento de residentes durante a época balnear.

A freguesia de Pêra viu a sua elevação à categoria de vila no dia 12 de julho de 2001, pela publicação da Lei n.º50/2001, do Diário da República, em reconhecimento do desenvolvimento desta freguesia.

Os mercados municipais enquanto locais de comércio a retalho de vários géneros alimentícios comercializavam produtos frescos, desde hortofrutícolas a peixe e carne, de modo a satisfazer as necessidades dos consumidores.
Estas transações comerciais decorriam exclusivamente em espaço aberto, sobre os passeios públicos, essencialmente no largo e praça principal, sem as mínimas condições. Neste sentido, a Câmara Municipal de Silves, em sessão de 29 de junho de 1934, sentiu a necessidade de alterar esta situação, considerando de urgente necessidade a construção de um mercado coberto nesta povoação. Todavia o mesmo nunca chegou a se realizar e este assunto só voltou à edilidade trinta e sete anos depois.

Assim, na reunião camarária realizada no dia 11 de maio de 1971, o Sr. Presidente Salvador Gomes Vilarinho propôs a aquisição de um terreno, com a área de 360 m2, situado nos subúrbios, em Areias de Pêra, para Mercado Municipal. A 2 de agosto concretizou-se a escritura de compra do mencionado terreno, à senhora D. Francisca da Conceição Cabrita, destinado à construção do Mercado Municipal de Pêra e arruamentos.
O projeto de construção do Mercado de Pêra ficou a cargo do Gabinete de Planeamento da Região do Algarve (GAPA) que o remeteu à edilidade silvense para aprovação em abril de 1976 .
Em junho do ano seguinte a Câmara Municipal de Silves, sob a presidência de Rui Hernâni de Castro e Silva de Morais, depois de apreciadas duas propostas, deliberou adjudicar a empreitada para a construção do Mercado de Pêra à firma SOMAPRE – Sociedade de Materiais Pré-Esforçados, S.A.R.L., pela quantia de 2.372.952$90, enviando, no entanto, as propostas para apreciação do GAPA, que concordou com a sua adjudicação, tendo a escritura se realizado a 31 de agosto de 1977 .
As obras de construção iniciaram-se pouco tempo depois e ficaram concluídas em fevereiro de 1979.A edilidade silvense, atendendo ao espirito descentralizador da Lei das Finanças Locais, deliberou entregar a exploração do Mercado à Junta de Freguesia de Pêra, que ficou não só responsável pela atribuição de lugares, bem como encarregue da sua conservação e manutenção.

Quarenta anos depois da sua inauguração o Mercado Municipal continua a desempenhar um importante papel económico para muitas famílias da vila, contribuindo para uma forte ligação afetiva e enquanto ponto de encontro e de sociabilidade entre a população de Pêra.

Nota: Este texto integrou a Exposição mensal organizada pelo Arquivo Municipal, no mês de agosto de 2020. Por o Terra Ruiva não se editar nesse mês não foi possível publicar o texto, dentro da habitual colaboração com o Arquivo Municipal de Silves. 

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PorVera Gonçalves
Natural da Sé de Faro, oriunda de S. Brás de Alportel, nascida em 1980. Licenciada em Línguas e Literaturas Modernas variante de Estudos Portugueses e Pós-graduação em Ciências Documentais – Ramo Arquivo pela Universidade do Algarve. Funcionária da Câmara Municipal de Silves, desde 2005, como técnica superior de arquivo.
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