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Mercado Municipal de São Bartolomeu de Messines – 72º aniversário

Em Silves, no edifício da Câmara, encontra-se patente, até ao final do mês de junho a Exposição do Arquivo Municipal com o tema «Mercado Municipal de São Bartolomeu de Messines, 72º aniversário da sua inauguração”.
O Terra Ruiva colabora com esta iniciativa do Arquivo Municipal publicando um resumo da exposição. A versão integral, com o texto e as imagens, está disponível aqui: Expo_DM_junho-2020

Mercado Municipal de São Bartolomeu de Messines
72º aniversário da sua inauguração

Os mercados municipais enquanto locais de comércio a retalho de vários géneros alimentícios comercializavam produtos frescos, desde hortofrutícolas a peixe e carne, de modo a satisfazer as necessidades dos consumidores.
Estas trocas comerciais decorriam exclusivamente em espaço aberto. Neste sentido, a Junta da Paróquia de São Bartolomeu de Messines, através de ofício n.º11, comunicou à autarquia silvense que deliberou “construir um mercado para venda de peixe, fructas e hortaliças, num quintal pertencente a casa de residencia do Paroco da freguesia” , todavia, na reunião de Câmara de 15 de janeiro de 1891 foi deliberado suspender esta intenção visto a Junta não ter competência para a sua construção.

Dez anos depois, o vereador Manuel José Figueiredo Mascarenhas, na reunião de 22 de junho de 1901, “ponderou á Camara a necessidade de se construir na povoação de S. Bartholomeu de Messines um mercado para a venda do peixe que ali concorre principalmente aos domingos e dias santificados, cuja venda se realiza n’uma das ruas da povoação, com prejuizo para o transito e salubridade publica e lembrou que se destinasse o material proveniente da demolição do antigo alpendre de venda de peixe n’esta cidade para a construção da referida obra”. A Câmara deliberou aprovar a proposta, bem como se procedesse à elaboração do projeto e orçamento.

Em 1905 a necessidade de um mercado foi novamente levantada, desta vez pelo vereador Diogo João Mascarenhas, que, além do mercado para a venda do peixe, lembrava a conveniência de uma casa para talho, uma vez que “o peixe que ali concorre é exposto à venda nas ruas da povoação e o talho feito n’uma casa do arrematante, o que tudo julga bastante prejudicial para a saude publica” . Referindo, ainda, que a despesa a efetuar seria rapidamente reembolsada, através dos impostos cobrados.
Um ano depois, na reunião camarária de 13 de maio, o vice-presidente, José Duarte d’Almeida, ficou encarregado de mandar organizar o respetivo orçamento e projeto, que foi aprovado a 4 de agosto de 1906, pela quantia de “um conto cento e setenta e seis mil reis” e enviado à Comissão Distrital para apreciação. Em outubro foi devolvido com a respetiva aprovação por aquela entidade .
Em 1907, o presidente da Câmara, João Vaz Mascarenhas, ficou autorizado a proceder à aquisição do terreno, bem como a contratar alguns materiais necessários para a sua construção, assim como a mão-de-obra, dentro da verba prevista em orçamento de 400 mil réis .
Na sessão de 12 de junho é transmitido um ofício do facultativo municipal fazendo sentir as inconveniências da forma como é exposto à venda o peixe e as carnes verdes nesta povoação, solicitando sem delongas a construção do mercado.
Na mesma sessão, devido a dificuldades na aquisição do terreno primitivamente destinado e “havendo toda a facilidade em construir o referido mercado ao sul do ribeiro, por ser um e outro terreno todo plano e não trazer augmento de despeza á referida construcção” propôs o presidente a sua edificação numa parcela pertencente a Manuel José de Figueiredo Mascarenhas. A proposta foi aprovada.
O terreno foi adquirido ainda nesse ano, iniciando-se os trabalhos de construção nos últimos dias de 1907, no entanto os mesmos prolongaram-se até 1913. A última arrematação, destinada à sua conclusão, ocorreu a 29 de junho. O imóvel ficou concluído em 1913 e abriu ao público no final desse ano, início de 1914.

Na década de 1940 devido à sua insuficiência e estado de conservação, a edilidade projetou a construção de um novo edifício destinado ao Mercado Municipal, cuja autorização foi obtida por despacho de Sua Excelência o Ministro e comparticipação de 279.300$00 pelo Fundo de Desemprego.
O arquiteto Jorge Ribeiro de Oliveira, ao serviço da Junta de Província do Algarve, foi o responsável pelo projeto do Mercado Municipal de São Bartolomeu de Messines, implantado nas imediações do primeiro, que entretanto fora demolido. Para a sua construção foi adotado um estilo arquitetónico denominado “Português Suave”, também conhecido por “Arquitetura do Estado Novo”, que perdurou nas décadas de 1940 e 1950, em edifícios públicos e privados.
A empreitada para a construção do Mercado de São Bartolomeu de Messines foi adjudicada a 29 de dezembro de 1945, a João Gonçalves Palmeira, empreiteiro de obras públicas, de Albufeira, pela quantia de 592.818$00.

Mercado Municipal de São Bartolomeu de Messines – 1950

Para a sua implantação e abertura de novos arruamentos circundantes foi necessário adquirir “ao preço de seis escudos por cada metro quadrado, cerca de dois mil metros quadrados de terreno pertencente ao exmo Sr. João Rodrigues Figueira Santos” (escritura a 29 de abril) e “pela quantia de trinta e quatro mil escudos uma morada de casas com três compartimentos, três vãos, um alpendre e quintal, que confronta do nascente com estrada, norte com Joaquim Figueiredo Neutel, poente com Manuel Francisco e outros e do sul com João Rodrigues Figueira Santos (…) a qual é propriedade de Manuel Henriques Lopes Neves, declarando que o predio em referencia será demolido” (escritura a 16 de setembro) .
As obras de construção iniciaram-se em junho de 1946 e decorreram durante dois anos.

Mercado Municipal de SB Messines – Projeto

O Mercado foi inaugurado a 28 de junho de 1948
Nesse dia o concelho de Silves esteve em festa por motivo da inauguração de importantes melhoramentos, tendo-se deslocado de Lisboa os ministros do Interior, Eng.º Cancela de Abreu, e das Comunicações, Coronel Manuel Gomes de Araújo. Também para aqui convergiram o deputado engenheiro Sebastião Ramires, o Bispo do Algarve, o Governador Civil do Distrito, major Amado da Cunha, o comandante geral e distrital da G. N. R., os engenheiros Mário Costa e Duarte Calheiros, o comandante da Polícia de Segurança Pública, o presidente da União Nacional Distrital, representações de quase todas as Câmaras do Algarve, o Dr. Mário Lister Franco e muitas outras individualidades.
Na cidade a primeira infraestrutura a ser inaugurada foi o Salão Nobre do edifício dos Paços do Concelho, considerado “o melhor, actualmente, do sul do país”.

Em seguida foi inaugurado, pelo ministro das Comunicações, o novo motor da Central Elétrica dos Serviços Municipalizados. Às 16 horas o ministro do Interior inaugurou o moderno e amplo edifício dos C.T.T., seguindo-se a inauguração do Parque Infantil.
Os ilustres membros do governo, a sua comitiva e muitos convidados seguiram para São Bartolomeu de Messines onde, por entre aclamações, às 20h30, foi inaugurado o edifício do Mercado Misto e por último, às 21 horas, Messines recebeu com grande entusiasmo a iluminação elétrica, “importantes melhoramentos que encheram os messinenses de alegria” .

“Depois de inaugurado o mercado misto e de estabelecida a ligação eléctrica, que iluminou profusamente a vila, realizou-se um jantar oferecido pela Junta de Freguesia, em que usaram da palavra os srs. dr. Francisco Neto Cabrita, o médico da Casa do Povo; dr. Matos Parreira, presidente distrital da União Nacional; Salvador Gomes Vilarinho, presidente da Camara Municipal de Silves; e o ministro do Interior, que agradeceu as referências feitas ao Governo” e a maneira afetuosa como havia sido recebido pelas gentes do Algarve. Findo o jantar, os ministros tomaram o comboio de regresso a Lisboa. (Jornal «Correio Olhanense» n.º21, de 1 de julho de 1948)

Todavia, só em novembro o Diretor dos Serviços de Urbanização do Sul remeteu o auto de receção provisória e o Diretor Geral da Repartição dos Melhoramentos Urbanos concordou com a abertura ao público, realizando-se nos meses seguintes a ocupação das lojas. Em maio de 1950, o Diretor de Urbanização de Faro oficiou a câmara comunicando que foi aprovado o auto de receção definitiva da obra de Construção do Mercado de São Bartolomeu de Messines.

Em fevereiro de 1979, atendendo ao espirito descentralizador da Lei das Finanças locais, o Mercado passou a ser explorado pela Junta de Freguesia de Messines, que ficou encarregue da sua conservação e manutenção.

Cinquenta anos depois da sua inauguração, carecendo o edifício do Mercado de algumas obras de requalificação e encontrando-se a cobertura em avançado estado de degradação, na reunião camarária de 6 de maio de 1997 foi deliberado adjudicar a empreitada de remodelação da cobertura do Mercado. No ano seguinte este imóvel sofreu vários trabalhos de remodelação.

Vinte anos depois da última grande intervenção o Mercado Municipal de Messines vai ser alvo de profundas obras de requalificação.

O espaço será sujeito a uma intervenção de fundo, com a criação de uma mezzanine na zona nascente, que poderá ser usada para atividades culturais, com acesso por escadas e instalação de um elevador interior. No exterior, está previsto a pedonalização e requalificação da rua Dr. José Ventura Duarte, o que permitirá a instalação de esplanadas.

Na reunião de Câmara realizada a 13 de janeiro de 2020 foi deliberado adjudicar à firma InOutBuild – Arquitetura, Engenharia & Construções, Lda., pelo valor de 920.270,48€ a empreitada de “Requalificação do Mercado Municipal de S. Bartolomeu de Messines”.

O Mercado Municipal de Messines desempenhou e continua a desempenhar um importante papel económico para muitas famílias da vila, contribuindo para uma forte ligação afetiva e enquanto ponto de encontro e de sociabilidade entre a população messinense.

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3 Comentários

  1. A “PRAÇA” DE MESSINES

    Aproveito para saudar os preciosos artigos que esta senhora, Vera Gonçalves, nos vem oferecendo, ao longo do tempo, que nos remetem para saborosos mergulhos no passado, um pouco à maneira como “fazer as pazes” com um tempo que avança, implacável e avaro, e nos vai rareando, em cada dia que passa.

    Em relação ao de hoje, que mais perto me toca, na qualidade de messinense, poderei também juntar algum do meu testemunho vivencial.

    Tinha eu completado exactamente cinco anitos, nas vésperas do dia da inauguração do actual Mercado Municipal – a que, comummente, chamamos “a praça” –, pelo que me recordo, não já de ver em funcionamento o antigo, que havia, à frente do que agora existe, mas de restos da sua estrutura, ainda não totalmente retirada.

    Sucede com a minha memória, neste caso, o mesmo que com cada um de nós, quando procuramos, sem êxito, atingir algo que enxergamos, mas já muito difuso e nebulado, na aurora do nosso eu, em que a nitidez é mínima e se mistura com sombras que remetem para o desconhecido.
    Assim me sinto, com uma impotência frustrante, quando procuro sintonizar em mim, com um mínimo de clareza, a imagem da velha “praça”, antes da demolição, sem o conseguir, de todo.

    Após a entrada em funcionamento, algumas lojas do espaço interior da nova “praça” foram ocupadas.
    Recordo-me que na primeira delas, à esquerda, havia o talho de uma senhora viúva, a mãe da Natália, minha condiscípula da Primária.
    À direita, outro talho, o do sr. Manuel Branco, filho da Ti Maria Branca, cujo talho transitou da “praça” velha para a nova.
    Ao fundo, à esquerda, eram as bancas do peixe, sempre fresco, a cheirar a maresia e capturado na noite anterior.
    O peixe mais miúdo, como sardinhas e carapaus, era vendido à dúzia (12) e ao quarteirão (25).
    Geralmente, era dado mais “para o gato” …

    Logo pela manhã, todo o povo era percorrido pelo Sainhas – um pobre homem, sempre descalço, cujo estado quase normal era embriagado –, que apregoava a sardinha e o carapau, a vinte e cinco tostões a dúzia, ou a menos, dependendo da fartura.

    Uma outra figura típica da terra, o Ti Zé Carlos, costumava percorrer as chamadas Ruas de Cima do núcleo antigo de Messines, com canastras de peixe, que vendia, porta a porta.
    Como viciado na bebida que também era, não era raro vê-lo, depois da venda, deitado no chão, profundamente embriagado.
    O álcool era a droga do tempo, em que muitos afogavam as suas carências, os seus infortúnios, as suas desgraças, a sua fome, a sua pobreza, enfim …

    O “ribeiro” que é referido no artigo, como ficando “a Sul da “praça” velha, era uma linha de água natural, que vinha do lado da “Cruz Grande” a que chamávamos o “barranco” e de que conheci ainda parte, por detrás do cemitério velho.
    Consta-me que, em determinado ano, houve uma enorme cheia, muito destrutiva, precisamente pelo facto de se tratar de uma linha de água natural, como atrás referi, ocupada, ao longo dos anos, por construções de moradias, sendo que a Natureza, por vezes, “zanga-se”… por retirarem o que lhe pertence.

    No mesmo dia em que as individualidades inauguraram o novo Mercado Municipal, também a iluminação eléctrica chegou a Messines, melhoria que alterou por completo toda a vida da comunidade.
    Até aí, a grande maioria das ruas não tinha qualquer iluminação, sendo as principais iluminadas com candeeiros a petróleo, colocados dentro de estruturas de vidro, para que o vento os não apagasse.

    A iluminação doméstica era, commumente, feita com candeeiros de petróleo, que se comprava, ao litro, na drogaria do sr. Ruivo.

    Muito interessante a alusão que a autora do artigo faz ao orçamento de 1906, no valor de “um conto cento e setenta e seis mil reis”.
    Para os mais velhos, esta terminologia monetária está ainda bem fresca, porém, a muitos dos mais novos, pouco dirá.
    Aos mais jovens que, porventura, o desconheçam, deve esclarecer-se que o termo “reis” nada tem a ver com “rei”, visto que é, sim, o plural de “Real”, a unidade de conta monetária, que vigorou, em Portugal, do século XV, até ao advento da Primeira República, altura em que foi extinto e substituido pelo “Escudo”.

    Porém, não foi impunemente que o real existiu durante vários séculos, como moeda básica da circulação fiduciária, visto que, mesmo após ter sido, legalmente, trocado pelo escudo, ainda permaneceu na memória colectiva do povo, que o transportou, durante quase um século, no vernáculo da Língua, até à própria transição para o “Euro”.

    Um exemplo bastante comum, que poderei dar, era o preço com que se designava o custo de cada pão : “três mil e trezentos” ( subentenda-se, “réis), ou seja, “três escudos e trinta cêntimos”.
    Uma outra reminescência, que o povo manteve, como o grande guardião e criador da Língua que é, era o custo de um paposeco : um “cruzado”, isto é, “quarenta cêntimos” ou “quatro tostões”.
    Também o “cruzado”, a par do “real”, teve o seu nascimento no século XV.

    O “conto”, termo que vinha já da monarquia, (do lat. “computus”, cálculo) valia um milhão de réis, pelo que se lhe chamava também “conto de réis”.
    Era uma quantia apreciável, a que nem todos tinham acesso.
    O “conto de réis” não existia, oficialmente, como unidade de conta, contudo, o povo utilizava-o, informalmente, para quantias elevadas.
    – “Quanto pede pela sua quinta ?”
    – “Trinta contos de réis ! “

    Quem não se recorda, entre outras, das notas verdes, que designávamos por “vinte mil réis”, ou seja, “vinte escudos”, com a efígie do Santo António ?

    Para facilitar a linguagem, nos negócios, utilizava-se, muitas vezes, terminologia convencionada.
    Na Feira de Setembro, na nossa terra, quando se tratava da venda de um macho ou de uma mula, o diálogo, que cheguei a ouvir, entre vendedor e comprador, depois de este ter observado a dentição do animal para ajuizar da sua idade, podia ser este :
    – “Por quanto vende a mula ?”
    – “Cinco notas “ !”
    O termo “nota” significava cem escudos, pelo que o valor do animal seria de quinhentos escudos.

    A vida dos velhos é feita de memórias vivas e vividas.
    Recordo-me que, certa vez, no dia dos meus anos, a minha mãe me deu vinte e cinco tostões (dois escudos e cinquenta centavos), uma pequena moeda, oferta rara, naqueles tempos, que me deixou radiante, e disse-me :
    – “ Toma ! Vai comprar uma Laranjina C !”

    O “tostão”equivalia 100 réis, a centésima parte do “escudo” e tem uma origem curiosa.
    A forma anterior a “tostão” foi “testão”, através do fr. “teston” e este do ital. “testone”, aumentativo do lat. “testa”, vaso de terra cozida, que, pela sua dureza, foi assemelhado ao crânio, tendo originado o fr. “tête”, cabeça.
    Como havia uma moeda, na qual era imprimida a cabeça do rei, daí, a origem do termo “tostão”.

    Para encerrar, esta pequena divagação, recorde-se que, para Portugal, cada Euro ficou a valer cerca de “duzentos escudos”, após o cálculo relativo feito dentro do cabaz das moedas dos países que, então, aderiram ao Euro.

  2. A “PRAÇA” DE MESSINES ( II )

    O artigo da colaboradora Vera Gonçalves menciona igualmente o senhor Doutor FRANCISCO NETO CABRITA – médico da Casa do Povo, ao tempo –, como tendo sido um dos oradores, no jantar que selou as cerimónias de inauguração do Mercado Municipal de Messines, assim como da chegada ao povo da electricidade.
    Se me é permitido, também, em relação a este assunto gostaria de deixar a minha memória, visto que integra o meu imaginário de criança.
    Desde a minha mais tenra idade que ouvi as melhores referências ao senhor Doutor CABRITA, como tendo sido um humanista de excepção, na relação que mantinha com todos os que necessitavam de a ele recorrer, designadamente, os mais necessitados.
    Era corrente que, após a consulta domiciliária aos mais humildes, em vez de cobrar honorários, pelo contrário, deixava, por norma, uma nota de vinte escudos, sob a almofada do paciente para compra de medicamentos, facto que só podia vir de um espírito bondoso e condoído pela dor e pobreza alheias.
    Pelas contas que fiz, o senhor Doutor CABRITA terá falecido, em 1948, “levado” por doença cancerosa, quando eu contava exactamente cinco anitos, a mesma idade que tinha, aquando das duas inaugurações acima mencionadas, pelo que, presumo, pouco mais tempo terá, infelizmente, vivido, após a sua intervenção oratória no referido jantar, altura em que, eventualmente, já estaria condenado.
    A sua casa senhorial situava-se perto daquela em que eu nascera e vivia.
    Guardo memória, embora aos olhos de criança, do dia do seu funeral e do grande envolvimento e movimento de pessoas que marcaram as redondezas.
    Deixou viúva a Dona Figuerinhas, uma excelente senhora.
    Pena foi que o filho, Domingos, segundo é voz corrente, não tenha gerido, de um modo mais positivo, a riqueza fundiária herdada daquela que era uma das mais fortes Casas Agrícolas da nossa terra, mas – como sói dizer-se – já são contas de outro rosário …

  3. A “PRAÇA” DE MESSINES (correcção)

    Com os meus pedidos de desculpa e tendo presente que, quem escreve para outros, informar mal é pior do que não informar, corrijo o parágrafo – quase no final do comentário -, que, por distracção, grafei :

    “O ‘tostão’ equivalia 100 réis, a centésima parte do “escudo” e tem uma origem curiosa.”

    que passará a ser :

    “O ‘tostão’, que equivalia a 100 réis, era a décima parte do “escudo” e tem uma origem curiosa.”

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