A equipa que lidera o Município de Silves, de maioria CDU, deu início efetivo à concretização de um importante compromisso eleitoral que, se plenamente concretizado, poderá representar uma mudança qualitativa no tecido económico, social, desportivo e cultural da cidade de Silves. Trata-se de um projeto de grande dimensão e ambição, destinado a criar um novo polo de desenvolvimento com projeção concelhia, regional, nacional e internacional.
Concretamente, no passado dia 15 de setembro, depois de demoradas e difíceis negociações e das necessárias deliberações da Câmara Municipal e da Assembleia Municipal, foi celebrada a escritura de aquisição de um terreno com uma área total de 67 040 m², pelo valor de um milhão de euros.
Localizado em zona contígua ao atual Parque de Feiras, o terreno destina-se à construção de um Complexo Multiusos vocacionado para a prática e realização de eventos desportivos — futebol, andebol, basquetebol, voleibol, entre outras modalidades — e para a promoção e realização de eventos culturais e artísticos em recinto coberto. Pelas suas características e dimensão, o empreendimento reunirá condições para acolher iniciativas de âmbito nacional e internacional, ao mesmo tempo que disponibilizará espaços de lazer, convívio e atividade física acessíveis à população. O projeto contempla igualmente a construção de um campo de futebol com pista de atletismo, dando resposta a necessidades desportivas locais e, designadamente, às do Silves Futebol Clube, uma das instituições desportivas mais representativas do concelho.
A liderança autárquica assumiu a coragem e o arrojo de lançar um projeto desta dimensão, certamente, consciente de que a sua concretização exigirá um faseamento das obras, face ao extraordinário esforço financeiro envolvido, estimado na ordem das dezenas de milhões de euros.
Antes da execução das obras será necessário elaborar um macro plano para toda a área adquirida e para o atual Parque de Feiras, bem como desenvolver os respetivos projetos técnicos. Este processo encontra-se já em desenvolvimento. Faço notar que após a elaboração dos projetos técnicos é necessário muita ponderação, criatividade e engenharia financeira para promover e fasear as obras.
A construção do complexo multiusos reforçará o posicionamento estratégico do concelho de Silves na região do Algarve e no país, impulsionando a vida económica e social, criando nova centralidade urbana, através da força impressionante do desporto e da cultura. Não é um projeto fácil, nem de execução rápida.
Apostila 1 – a política local, como a nacional e muitos dos seus protagonistas, não estão a passar pelos melhores dias. Vivemos um período marcado por mudanças aceleradas, em que a digitalização, as redes sociais e a inteligência artificial estão a transformar comportamentos, relações sociais e formas de acesso à informação, num caminho, tristemente, de retrocesso civilizacional e desumanização. Estas novas ferramentas democratizaram o conhecimento e facilitaram extraordinariamente a comunicação. Mas também criaram novas possibilidades de manipulação, de propagação da desinformação e de formação de opiniões baseadas em conteúdos falsos ou deliberadamente distorcidos, numa população, em grande parte, iliterata e carente de saber. Nos nossos dias, a verdade e a mentira equiparam-se, a ignorância é cada vez mais agressiva, a cultura do individualismo pobre e a manipulação propagam-se.
Apostila 2 – A nível autárquico a oposição local, tem assumido, por vezes, posições que considero erráticas e difíceis de compreender. É naturalmente legítimo — e indispensável numa democracia — que a oposição fiscalize, questione e vote contra as propostas do executivo. O pluralismo político e o confronto de ideias fazem parte da essência da democracia. Contudo, não são aceitáveis coligações negativas, agregando extrema-direita, direita tradicional e esquerda (?), ignorando os prometidos “cordões sanitários”, os critérios de ética e coerência e os princípios democráticos. Um exemplo recente merece ser referido. Em sede de executivo municipal foi aprovada, por maioria e com a oposição dos membros do executivo permanente, a aquisição, através do exercício do direito de preferência, de uma habitação que permanecerá ocupada pelo antigo proprietário durante o resto da sua vida. A questão que se coloca é simples: sendo a habitação uma das áreas prioritárias da Estratégia Local de Habitação do Município e existindo necessidade de aumentar o parque habitacional municipal para responder às situações de maior carência, que racionalidade existe em adquirir uma habitação que não ficará imediatamente disponível para esse efeito? Como sempre, é exigível sentido de responsabilidade e espírito de bem-servir aos eleitos locais. Sobretudo, é preciso defender e consolidar no dia-a-dia a Democracia, conquistada em 25 de Abril de 1974, e colocar acima de tudo e de todos, os interesses das populações e do concelho.


