Ao utilizar este site, concorda com a nossa politica de privacidadePolitica de Privacidade e Termos e Condições.
Accept
Terra RuivaTerra RuivaTerra Ruiva
  • Concelho
  • Sociedade
    • Ambiente & Ciência
    • Cultura
    • Educação
    • Entrevista
    • História & Património
    • Lazer
    • Política
  • Opinião
  • Vida
  • Economia & Emprego
  • Algarve
  • Desporto
  • Autores
    • António Eugénio
    • António Guerreiro
    • Aurélio Cabrita
    • Clara Nunes
    • Débora Ganda
    • Eugénio Guerreiro
    • Fabrice Martins
    • Francisco Martins
    • Frederico Mestre
    • Helena Pinto
    • Inês Jóia
    • José Quaresma
    • José Vargas
    • Maria Luísa Anselmo
    • Maria José Encarnação
    • Miguel Braz
    • Paula Bravo
    • Paulo Penisga
    • Patricia Ricardo
    • Ricardo Camacho
    • Rocha de Sousa
    • Rogélio Gomes
    • Sara Lima
    • Susana Amador
    • Teodomiro Neto
    • Tiago Brás
    • Vera Gonçalves
  • Página Aberta
  • AUTÁRQUICAS 2025
    • AUTÁRQUICAS 2021
  • Edições
Reading: Contributos para uma discussão pública no Vale de Alcantarilha
Partilhe
Font ResizerAa
Terra RuivaTerra Ruiva
Font ResizerAa
  • Home
  • Demos
  • Categories
  • Bookmarks
  • More Foxiz
    • Sitemap
Follow US
  • Advertise
© 2022 Foxiz News Network. Ruby Design Company. All Rights Reserved.
Terra Ruiva > Opinião > Contributos para uma discussão pública no Vale de Alcantarilha
Opinião

Contributos para uma discussão pública no Vale de Alcantarilha

Terra Ruiva
Última Atualização: 2020/Jun/Qua
Terra Ruiva
5 anos atrás
Partilhe
SAMSUNG DIGITAL CAMERA
PARTILHE

O Vale de Alcantarilha ilustra de forma compreensiva a história de uma dinâmica entre aglomerados ou povoações e a exploração de recursos em torno da agricultura, pesca e finalmente o Turismo. Em entrevista recente, Vítor Neto, presidente da Associação Empresarial da Região do Algarve (NERA), falou da fragilidade de uma região que não soube equilibrar e estruturar a convivência destas três atividades.

Ao contrário de muitos agentes políticos na região, como arquiteto, acredito que esta fragilidade depende não só de políticas e investimento mas essencialmente da preservação dos recursos físicos e humanos de um território.

A propósito dos inúmeros planos e projetos em discussão pública de momento, como o Plano Diretor Municipal de Silves, é oportuno olhar para trás para podermos avançar conscientes de que estamos a contribuir para a mitigação das fragilidades de que Vítor Neto fala.

A obra do arqueólogo Luís Fraga da Silva, “A viagem de Ibn Ammâr de São Brás a Silves”, revela a intensidade e atividade do centro do Algarve, em especial no triângulo entre Silves, Messines e Albufeira, entre a ocupação romano-visigótica e o século doze. Com uma malha de ligações interurbanas, desenvolvida durante a ocupação Romana e densificada durante séculos de presença islâmica, um longo vale entre a barragem romana do “presa dos mouros” junto das Sesmarias, Lagoa e Paderne, no concelho de Albufeira, concentrou durante séculos enorme aptidão agrícola. Condição que preservou estruturas agrícolas como o arrozal da Quinta da Vala e o Morgado da Lameira, outrora um enorme figueiral com cerca de 700Ha e após a construção a inauguração da Barragem do Arade convertido em pomar de laranjeiras.

Os conjuntos de instalações destas propriedades agrícolas e as povoações, em especial o sítio das Fontes da Matosa, foram objeto de levantamento arquitetónico e artístico nas campanhas do “Inquérito à Arquitetura Regional Portuguesa”(IARP).
Em 1956 os arquitetos Pires Martins, Celestino de Castro e Fernando Torres, ilustres ativistas da Associação de Arquitetos Portugueses (AAP), para além de fotografar e desenhar o edificado no âmbito do IARP, escreveram e comentaram em conferências e colóquios a relevância de ambos, Fontes da Matosa e Morgado da Lameira.

Numa versão alongada do estudo, os arquitetos, além da descrição de casas, beirados e postigos, abordam a importância da composição urbana das Fontes da Matosa enquanto aldeia que acolhia os trabalhadores agrícolas das propriedades em redor. A existência de dois poços e um forno comunitário, em redor dos quais se desenvolveu o casario, é um tema de importância arquitetónica, urbana e cultural. Como é referido pelo relatório dos arquitetos, o abastecimento de água no vale era à altura fraco, daí a importância dos poços e da sua eventual pre-existência acabaria por resultar a formação original do próprio núcleo de desenvolvimento urbano. Para além dos poços um terceiro elemento é referenciado como fundamental na definição a organização da estrutura urbana, o forno comunitário e área funcional adjacente. Os arquitetos referem ainda as características únicas de um conjunto de casas modestas de telhados de duas águas, com os vãos voltados para o largo e sem logradouros posteriores “encravada entre as propriedades circundantes”. Construídas essencialmente com matérias-primas autóctones, à exceção das madeiras, estas segundo os autores na sua maioria provenientes da Serra de Monchique. Acerca da consistência e autonomia material do conjunto é ainda de referir que nas portadas das janelas não existiam vidros.

Largo da Rua de Fontes da Matosa, Alcantarilha, 1956. Fotografia do Arq.Pires Martins, Arq.Celestino de Castro e Arq.Fernando Torres, Arquivo IARP, in ARQUITECTURA POPULAR EM PORTUGAL, LIVRO – 2 vols. Edição do Sindicato Nacional dos Arquitectos, Lisboa 1961, pp.260-261

A descrição dos arquitetos da AAP das Fontes da Matosa confirmam um equilíbrio entre ocupação humana e exploração agrícola, que Maria Elisa H. H. Gomes, no I Congresso Nacional de Arqueologia de 1958, descreve como razão para uma possível ocupação continuada do território ao longo de séculos. O mapeamento de povoamentos deste vale na “ Carta dos principais arqueossítios tardo-romanos/visigótico-bizantinos do Barlavento algarvio” de Rosa Varela Gomes, revela uma linearidade e densidade invulgares que demonstra a consistência e carácter excecional desta unidade de paisagem paralela a linha de costa. Condição que persiste, interrompida por uma rede de estradas e caminhos, que serviu o transporte, o comércio e troca de bens de consumo mas também o acesso ao trabalho da serra o mar e vice-versa.

A depreciação de indústrias transformadoras da conserva, cortiça e frutos secos e a crescente valorização da oferta de trabalho na construção civil, hotelaria, restauração e similares atividades turísticas, inverteram durante a segunda metade do século passado a mobilidade social no concelho. A geração inaugural de Planos Diretores Municipais em 1995 assumiu nesta dinâmica social uma política de uso do solo que permitiu a densificação de aglomerados na faixa litoral e um regime de exceção para a conversão de grandes propriedades agrícolas em áreas de aptidão turística e não agrícola.

A aptidão de outrora foi convertida em aglomerado ou núcleo de desenvolvimento permitindo projetos como o “Amendoeira Golf Resort” no Morgado da Lameira e o “Silves Golf Resort” no Vale de Vila Fria contíguo à Quinta da Vala. Um modelo de ocupação turística que revia no projeto da Quinta do Lago e Vale de Lobo um precedente económico e uma lógica de valorização paisagística.
Depois de intenso planeamento entre 1961-1971, em prol de uma Algarve do Turismo, na “Quinta dos Descabeçados” e sitio dos Ramalhos, futura Quinta do Lago, o arquiteto António Teixeira Guerra partilha com os estudos e planos de aptidão, desenvolvimento e valorização turística a exposição e posição paisagística em detrimento da preservação de um dinâmica humana resultante da ocupação humana ao longo do tempo de um lugar. A ambição de uma experiência ‘única’ que procura apenas a exceção e deslumbramento de uma relação entre homem e natureza exclui a importância cultural, social e económica de preservar e desenvolver a ecologia de um dado lugar. Esta é, provavelmente, a verdadeira fragilidade do Algarve que Vítor Neto (NERA) descreve.

 Colagem produzida pela GranturismoAgency no contexto da edificação do Campo de Golfe e de outros empreendimentos no antigo Morgado da Lameira incluindo proposta para uma Adega da Quinta da Lameira pelo arquitecto brasileiro Angelo Bucci, premiado internacionalmente com o “Holcim Awards for Sustainable Construction”. A imagem ‘e da autoria dos arquitectos algarvios, Nuno Costa, Filipa Cabrita e Ricardo Camacho.

Convocados enquanto residentes no concelho de Silves, a participar na discussão do Loteamento do Aldeamento Turístico AL2 e Estabelecimento Hoteleiro HT2 do Resort de Golfe do Morgado da Lameira, aberta ao público ate dia 19 de Junho, é sobre esta fragilidade que devemos e podemos pensar.

Texto e Imagens: Ricardo Camacho (Arquiteto)

Entre a Boca e o Coração: O que nos alimenta de verdade?
Me Tattoo – Me Too
Um lápis na mão de um escravo
Os primeiros jogos de futebol em SB Messines há 100 anos
Ventos do passado
TAGGED:discussão públicaFontes da MatosaMorgado da LameiraRicardo CamachoVale de Alcantarilha
Partilhe este artigo
Facebook Email Print
Artigo Anterior Compostagem doméstica e Comunitária em Messines e São Marcos da Serra
Próximo Artigo Programa ComércioDigital.pt com novas iniciativas e apoios, para comerciantes e serviços
Sem comentários

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Últimas

Anunciada construção de novo hotel em Armação de Pêra – e sessão pública sobre o tema
Concelho
Avaria grave na Estação Elevatória da Portela, em Messines, pode levar a corte de água
Concelho
Campanha de dádiva de sangue em Silves
Saúde & Bem Estar Vida
Passeio Solidário de Pais Natal em Armação de Pêra
Lazer Sociedade
Atletas de Silves e Messines em destaque em provas de corrida em montanha
Desporto

– Publicidade –

Jornal Local do Concelho de Silves.

Links Úteis

  • Notícias
  • Estatuto Editorial
  • Ficha Técnica

Publicidade

  • Publicidade & Assinaturas
  • Conteúdo Patrocinado

Info Legal

  • Contactos e Info Legal
  • Termos e Condições
  • Politica de Privacidade

Siga-nos nas Redes Sociais

© Copyright 2025, Todos os Direitos Reservados - Terra Ruiva - Created by Pixart
Ajustes de acessibilidade

Com tecnologia de OneTap

Durante quanto tempo queres ocultar a barra de acessibilidade?
Duração de ocultação da barra
Perfis de acessibilidade
Modo de Deficiência Visual
Melhora os elementos visuais do site
Perfil Seguro para Convulsões
Remove flashes e reduz cores
Modo Amigável para TDAH
Navegação focada, sem distrações
Modo de Cegueira
Reduz distrações, melhora o foco
Modo Seguro para Epilepsia
Escurece cores e para o piscar
Módulos de conteúdo
Tamanho do ícone

Padrão

Altura da linha

Padrão

Módulos de cor
Módulos de orientação
Welcome Back!

Sign in to your account

Username or Email Address
Password

Lost your password?