Vinte de Março de dois mil e vinte. Estamos em estado de emergência e, assim sendo, ficamos isolados em casa. Coisa nunca falada e nem pensada antes. Eu, recordo com muita mágoa os anos 40 e 50. O tempo em que muitos soldados Portugueses foram destacados, para a Índia e, também para Angola e Guiné, onde muitos lá perderam a vida a defender as ilhas que eram do ultramar.
Como no tempo em que tudo era racionado: o pão e todos os géneros alimentícios e seus derivados e, para obter as ditas senhas para ter direito ao racionamento tínhamos de ficar na fila, frente à Câmara Municipal horas sem fim e muitas vezes, chegava às quatro horas da tarde, o sujeito que nos dava as senhas dizia: – Hoje já não há mais senhas, só amanhã e, neste caso voltávamos para casa sem poder comprar nada naquele dia mesmo com algum dinheiro que se tivesse.
As fábricas de cortiça frequentemente ardiam e os pobres trabalhadores ficavam sem o seu ganha-pão; muitos deles obrigados a ir abrir caboucos à mão para o canal da barragem que se iniciou na altura, onde recebiam um mísero salário no fim da semana. Foi um tempo horrível. Passado uns bons anos tudo mudou felizmente. Mas hoje!..
Parece que tudo acabou. As pessoas retidas em casa, ruas vazias, Cafés e restaurantes encerrados, locais de trabalho e comércio e indústria igual. Tudo em dificuldade como nunca se imaginou, motivado por esta horrível pandemia que não sabemos o tempo que vai durar. Vamos vivendo ou sobrevivendo, um dia de cada vez e pensar que cada dia já se passou mais um.
Num destes dias estando de quarentena já há muitos e muitos dias, fazendo a sopa de letras para ocupar o tempo, encontrei uma palavra começada por “Fo”. Dei voltas á cabeça para dar com o nome certo, depois encontrei outra palavra começada por “Va”. Novamente disse Va, Va, Va e mais nada. Encontrei outra palavra começada por “Pu” continuei na mesma não dava mais nada, parecia estar adormecida. Mas ao fim de tanto tempo, descobri de repente o que tudo quer dizer: – Que temos de ser fortes, valentes e pujantes até os mais fracos !
Texto de Lídia Santos
Nota: O texto foi-nos enviado por seu filho, que nos explica: Este texto foi escrito pela minha mãe que fez o seu 86º aniversário no passado dia 18 de Março e que desta vez teve de ser sem festa como habitualmente é festejado, que está em confinamento o que lhe está a custar muito pois estava habituada a dar sempre o seu passeio matinal!








