Home / Sociedade / História & Património / Memórias Breves ( 1)

Memórias Breves ( 1)

ARMAND GUIBERT foi um amigo que guardo pela terra, homenageei-o na cidade de Lyon. Lá estive, no Vieux Lyon, “conversando” com o filósofo- professor Guibert, nessa memória de passado e futuro. Em 2016, em Faro, na Biblioteca Ramos Rosa, lembrara essa figura de Homem universal, que passara por Faro, em 1942, quando a Europa e o mundo entraram em guerra. Mas Faro, apesar de cidade Universitária, reserva-se ao seu incógnito… Guibert dera conferência no fresco Círculo Cultural do Algarve, sobre Fernando Pessoa, 7 anos após a sua morte. A partir de então, Guibert entrou Europa fora, como “descobridor” do poeta, publicando os primeiros estudos sobre os heterónimos pessoanos. Eu, entrei no conhecimento do filósofo, em 1964, na publicação do seu livro, “ Fernando Pessoa- Poètes d `Aujourd ´Hui”.
Saltei até Avignon, para o festival do teatro, nos claustros do palácio dos Papas, onde estava a peça “O Sopro”, de Tiago Rodrigues , director do Teatro Nacional D. Maria II. Mas foi a actriz Cristina Vidal quem obteve o grande êxito, conforme o diário parisiense, Le Monde.

O POETA MÉDICO E FLEMING– Estávamos no ano de 1960. Eu trabalhava e estudava, na cidade de Faro. Inicio-me, como leitor de português, espanhol e francês, num convite a um médico, quase invisual, mas exercendo a sua actividade, como director no Hospital da Misericórdia. Arnaldo Vilhena de seu nome, foi, para mim um mestre. Tínhamos encontros à segunda, em sua casa, e sexta, no Hospital, no mesmo horário, até à meia-noite, quando, o único médico de serviço nocturno terminava a sua actividade. Era o tempo! Vilhena era um poeta à descoberta, para mim. Uma noite, sós, deu-me um poema a ler. Num juramento: O poema fica entre nós, não sai desta casa. O poeta “morre” nesta leitura. Mais tarde entendi, para uma cidade burguesinha e preconceituosa, de gente de pouca e cultura média, ser poeta ou artista, entrava na galhofa, em que o médico se perdia. Então, o médico Arnaldo Vilhena, seria só o senhor doutor. De quinzena a quinzena, entrava um grupo muito restrito, lembro-me do advogado Filipe Almeida Carrapato, do professor Elviro Rocha Gomes. Então vivíamos a política anti-salazarista. Eu tinha a confiança dos senhores doutores. E as lições recebidas ficaram-me para sempre na preparação política e cultural, do tempo. Em 2007 preparo um estudo sobre vários homens médicos, advogados, etc, num conjunto de 15 figuras culturais, literárias ou artísticas. Encontro, o semanário de Faro “O ALGARVE”, datado de 28 de Setembro de 1944. Investigo. Tempo em plena grande guerra mundial. A penicilina fora descoberta pelos ingleses Fleming e Florey. Arnaldo Vilhena (na altura), já era responsável pelo Hospital de Faro. Recebe um doente em estado crítico, Manuel Rosa Benedito. A gravidade do doente exige que o dr. Vilhena interceda junto da Cruz Vermelha Portuguesa, a fim de obter o precioso medicamento de penicilina, até então reservado às forças armadas combatentes dos Aliados. Obtida a autorização, Benedito seria o primeiro doente do Algarve a receber o tratamento da penicilina, sendo salvo da grave doença. Publiquei nessa investigação um breve poema do meu Amigo e mestre Arnaldo Vilhena. Foi um homem por inteiro: Médico, humanista. Poeta. Leitura do poema: “ O mundo existe dentro de mim / Profundo / Abissal… / O Mundo, todo o mundo / É meu…/ E como eu / Limitado / Finito /Mortal .

Maria Campina

O ÚLTIMO CONCERTO DE MARIA CAMPINA– Foi a 25 de Agosto de 1949, consagrada a maior pianista mundial, no, então, consagrado Festival de Música, na Áustria- Salzburg, a cidade natal de Amadeus Mozart: Internationale Summer – Academie am Mozartteum in Salzburg – 25 August- 1949. Júri composto das maiores entidades musicais do mundo: LÉO PODCOLSKY, FRIEDRICH WEHER, LORIS MARGARITIS, PAUMGARTNER , DR. PREUSSNER E JOSEF KRIPS…
Algarvia de Loulé foi considerada, no panorama musical do mundo, a famosa pianista Campina. Ela foi percorrendo os maiores centros musicais do mundo. Salazar nunca a aceitou como professora do Conservatório Nacional, apesar de ter sido a aluna mais classificada de todo o tempo. Foi produzindo conferências na exigência em se criar conservatórios de música para o desenvolvimento mental da criança. Salazar não gostava de Mulheres dessa exigência. E nessa autoridade de Mulher reconhecida mundialmente, foi escrevendo e publicando na imprensa o seu pensamento. Quando, por motivos de saúde, deixou de dar concertos, a sua força de pedagoga musical não se silenciou. Só consegue, no governo de Marcelo Caetano, com o ministro do Ensino Veiga Simão, um alvará na sua responsabilidade, total, em estruturar o “seu” Conservatório em Faro. A Mulher não desistiu. O proprietário do envelhecido Teatro Lethes, serviu-lhe de abrigo, iniciando o almejado ensino, em Outubro de 1972. Morreu nessa vontade, de Senhora para o ensino, aos 70 anos, a 27 de Fevereiro de 1984. Maria Campina nunca foi bem entendida nessa sua luta pela cultura musical. Foi uma Mulher da política cultural deste país, difícil do entendimento da mulher, que, não sendo Mãe, lutou, desesperada, em servir o seu País. Admirei essa Senhora, e nessa vontade, de fundadora de um Conservatório, onde, os seus futuros alunos, foram criando, em quase todos os Concelhos algarvios, uma escola de música. Mas, nem sempre e devidamente apoiadas. Faro, o Algarve, continua sem um Conservatório público. Esse foi sempre o sonho de Maria Campina. Depois do 25 de Abril de 1974, tomámos conhecimento. Fiz uma entrevista. O caminho para o livro “O ÚLTIMO CONCERTO DE MARIA CAMPINA”. A Senhora, que em 1976, me abre a porta para uma longa conversa. Sentou-se ao piano, nessa dificuldade, que mais admirei, e me oferece a APPASSIONATA de Bethoven.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA E JOÃO DE DEUS – O Presidente da República , no início do passado mês de Outubro, deslocou-se à ESCOLA SUPERIOR JOÃO DE DEUS, em Lisboa, num reconhecimento Nacional ao POETA-PEDAGOGO, ao distinguir a ESCOLA a que o filho do Educador, fundador dos Jardins- Escolas- João de Deus, no início do século XX, após a implantação da República Portuguesa, deu continuidade por todo o País. O presidente Marcelo, entregou ao bisneto do Pedagogo João de Deus, a ORDEM HONORÍFICA DE INSTRUÇÃO PÚBLICA. Neste mês de Outubro, Messines comemorou o XX aniversário da inauguração da CASA-MUSEU JOÃO DE DEUS, na sua terra. Temos, como cidadãos portugueses esse orgulho reconhecido, assim com as Casas- Museu de Camilo Castelo- Branco, Miguel Torga, José Saramago, Fernando Pessoa, ainda, internacionalmente, as Casas de Victor Hugo (França), Pablo Neruda (Chile), Shakespeare (Inglaterra), Amadeus Mozart (Áustria), entre outras figuras mundiais. Uma oportunidade para lembrar um Autarca do Município de Silves, o Presidente eleito da CDU, José Viola, nessa vontade em cumprir a Memória do Homem que, contra todas as oposições, pretendeu e contribuiu, para a extinção do analfabetismo dos Portugueses. Não foi tarefa fácil! Os documentos assim nos informam.

PartilharShare on Facebook0Share on Google+0Tweet about this on TwitterShare on LinkedIn0Email this to someonePin on Pinterest0

Veja Também

Assembleia de Freguesia de Alcantarilha e Pêra

A Assembleia de Freguesia de Alcantarilha e Pêra irá reunir no dia 23 de abril, …

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *