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Memórias: Em julho de 2002 anunciava-se a inauguração da Auto-Estrada do Sul

Memórias: Na edição nº 26, de julho de 2002, o Terra Ruiva anunciava a inauguração da Auto-Estrada do Sul que finalmente chegaria ao Algarve e lembrava algumas polémicas em torno da sua construção. Entre as quais, a chamada de atenção dos comandantes dos bombeiros de Messines e de Silves, Joaquim Gonçalves e Abel Gomes, para a falta de condições para socorrer vítimas de acidentes…

 

«Ultrapassadas as variadas polémicas que a sua construção foi levantando ao longo do seu percurso, a Auto-Estrada do Sul chegou ao Algarve e será inaugurada dentro de poucos dias. Na altura em que se escreve este texto, aponta-se para o dia 25 ou 26 de Julho, mas a data não foi confirmada oficialmente.

A primeira polémica que surgiu em torno da Auto-Estrada do Sul teve a ver com a escolha do seu traçado que em vários momentos, antes e após o seu início, foi contestado por associações ambientalistas. Mas a A-2 acabou por se estender por planícies e serros, quase encostada a várias habitações da Portela de Messines, uma das localidades onde os moradores nunca mais tiveram sossego, e resistindo às queixas que os habitantes de Paderne apresentaram à Comissão Europeia.

Depois, ao longo de vários momentos a comunicação social foi dando conta das condições degradantes em que viviam muitos dos operários que trabalharam nesta obra, em muitos casos vítimas de empreiteiros e subempreiteiros sem escrúpulos. O balanço final é de 14 acidentes mortais “conhecidos” como faz questão de frisar o sindicato, isto só desde o nó de Grândola até ao Algarve. Mais recentemente, alertou-se para os atrasos na construção das áreas de serviço e descanso, que a Brisa reafirma que estarão operacionais quando a auto-estrada for aberta ao tráfego.

Também os comandantes das corporações de bombeiros de Messines e de Silves, Joaquim Gonçalves e Abel Gomes, respectivamente, fizeram ouvir a sua preocupação quanto à ausência de condições para socorrer as vítimas de acidentes no troço de auto-estrada entre Castro Verde e a Via do Infante. Os comandantes apontaram as dificuldades que surgirão em caso de despiste de um automóvel, em ravinas, junto a S. Marcos da Serra e a Santana, com muitos metros de altura e de acesso muito difícil e criticaram a inexistência de saídas de emergência na auto-estrada, o que os obrigará a seguir em frente, até ao Alentejo, tendo depois que voltar para trás com os feridos. A estas críticas respondeu a Brisa afirmando que os separadores centrais permitem a passagem de veículos de emergência que careçam de mudar de sentido na auto-estrada e que existem ligações de emergência ao exterior, que permitirão uma rápida evacuação da via.
Depois da inauguração, haverá ainda outros problemas por resolver. Um deles tem a ver com a reparação das muitas estradas e caminhos municipais que ficaram degradados ou quase intransitáveis. Os presidentes das autarquias de Silves e Ourique ainda muito recentemente lembraram os compromissos assumidos pela Brisa e pelos empreiteiros e que têm a ver com a reparação integral das vias atingidas.

Os últimos retoques
Neste momento, fazem-se os trabalhos de conclusão de uma obra gigantesca que até ao final de Julho verá inaugurados os sublanços de Castro Verde/ Almodovar (16Km); Almodovar/ S. Bartolomeu de Messines (33km) e entre esta localidade e a Via Longitudinal do Algarve – Via do Infante (12 Km).

Ainda em construção, perto de Messines (Foto de arquivo)

Quando esta obra estiver concluída será possível percorrer 240 quilómetros entre Lisboa e a Via do Infante sempre em auto-estrada. Em média, a viagem até à capital deverá rondar as duas horas de carro. Falando de verbas, calcula-se que esta obra tenha custado ao País cerca de 375 milhões de euros ( 75 milhões de contos), mas ainda não se sabe ao certo quanto custarão as portagens entre o Algarve e Lisboa, estimando-se que sejam 15 euros ( três contos).

 

 

 

 

Um valor que muitos automobilistas consideram elevado e que levava a revista Visão a afirmar, numa das suas últimas edições, que o negócio das portagens “é um negócio de ouro, no sentido literal da palavra”. “

A conclusão da A2, que liga Lisboa ao Algarve, deve dar, no Verão, mais proveitos do que Brisa alguma vez já teve”, diz a revista. Em 2001, o negócio das portagens rendeu 415 milhões de euros (cerca de 83 milhões de contos), o que faz da Brisa uma das empresas onde as receitas e os lucros não páram de crescer e que mais tem despertado o interesse estrangeiro. A empresa que explora cerca de mil quilómetros de auto-estradas em Portugal e que tem tudo preparado para a sua expansão tem atraído ultimamente o interesse de financeiros espanhóis, entre os quais se destaca a figura de Amancio Ortega, o dono da Zara.»

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