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Mais de dois milhões de euros para acabar com as inundações em Armação de Pêra

A presidente da Câmara, Rosa Palma, desafiou os armacenenses a falarem do que lhes ia “na alma”.
“Já a minha avó chorava quando a água lhe entrava em casa”, dizia uma moradora, na Rua Bartolomeu Dias.
Será desta que se resolvem os problemas das cheias na zona baixa de Armação de Pêra? Em sessão pública realizada no dia 10 de fevereiro, foi apresentado o Plano Geral de Drenagem Pluvial de Armação de Pêra.

 

A sessão de apresentação pública à população decorreu na Sede do CF “Os Armacenenses”. Na primeira parte da reunião, liderada pela presidente da Câmara, Rosa Palma, os presentes, que se encontravam em bom número, tiveram a oportunidade de expor os problemas sentidos quando a pluviosidade aumenta e que se agudizam com a simultaneidade da preia-mar, conduzindo a períodos de cheias que os afetam e aos seus haveres.
Rosa Palma desafiou os presentes a explicarem o que lhes ia na alma, relatando os efeitos das inundações. A autarca apontou algumas causas para o problema das cheias que se ligarão à falta de ordenamento do edificado e às cotas baixas da zona, que em presença de situações atípicas de chuvas repentinas, com grande pluviosidade, levam a que o escoamento não se faça pelos meios existentes, particularmente na Rua Manuel de Arriaga, Rua dos Pescadores e Rua do Alentejo.

“Fiquei surpresa quando identificaram as ruas a intervencionar, porque vivo na Rua Bartolomeu Dias há 40 anos e desde que me conheço que aquela rua tem cheias. Já a minha avó chorava que lhe entrava água em casa” afirmou uma residente, que sublinhou que, “talvez esta artéria encha primeiro que as outras ruas”, recordando que, no passado, no final dessa via, “havia um pontão, que era para onde a água escoava, que era depois direcionada para o rio que era aberto com enxadas”.

Maria de Jesus, outra armacenense presente, acentuou que a cada ano que passa há mais água, considerando que é natural, pois onde havia campo, agora existem prédios. Esta moradora reforçou que não pode ir descansada a lado nenhum porque não é preciso muita chuva para toda a zona encher. A realidade não é ainda pior porque a garagem do prédio vizinho enche quando chove. “Têm de ir os bombeiros bombear água para fora”, finalizou.
Uma residente na Rua do Alentejo afirmou que tem um espaço comercial e “desde que fizeram a marginal, entra água no estabelecimento.”
Outras pessoas focaram que quando acontecem cheias e circulam viaturas nessas vias, a água é empurrada contras as portas das habitações, acabando por entrar.
O presidente da Junta de Freguesia, Ricardo Pinto, demonstrou satisfação pela participação das pessoas, explicando que da parte dos autarcas há, por vezes, um sentimento de impotência quando a população busca socorro e não conseguem fazer nada.

Enquadramento geral

Após o debate com a população seguiu-se a apresentação do Plano Geral de Drenagem Pluvial, trabalho que foi contratado à renomada empresa do sector, liderada pelo engenheiro civil e professor catedrático do Instituto Superior Técnico (IST), José Saldanha Matos.
A apresentação foi feita pelo próprio e pela engenheira Filipa Ferreira.

Na síntese dos problemas detetados no Estudo, salientam-se os seguintes:

Áreas urbanas localizadas em leito de cheia; Insuficiente capacidade hidráulica das infraestruturas (coletores e sumidouros); Obstrução parcial de coletores motivada por problemas de autolimpeza; Deficiências nas infraestruturas de descarga da rede de drenagem pluvial, junto à Ribeira de Alcantarilha.

Para corrigir esta situações foram analisadas três possibilidades.

A primeira solução, que seria a mais barata, consistiria na beneficiação do canal de descarga das águas pluviais para a Ribeira de Alcantarilha através do seu alargamento e renaturalização, reposição da válvula de maré e a instalação de uma Estação Elevatória (EE) na sua secção final.
A segunda solução envolveria a desativação do troço da vala implantada sob edifícios, a instalação de EE de águas pluviais no cruzamento da Rua do Alentejo com a Rua Redes, a construção de sistema elevatório para descarga dos caudais pluviais na ribeira de Alcantarilha e a renaturalização e alargamento da vala existente.
A terceira solução que é a recomendada e a mais eficaz, contempla a desativação do troço da vala implantada sob edifícios, a renaturalização e alargamento da vala de drenagem existente, a instalação de poderosa EE junto à praia e a construção de coletores gravíticos – um a jusante da EE para descarga no meio recetor e outro para descarga de emergência.
No se refere à EE junto à praia, os especialistas garantiram que o sistema não será afetado pela maré, na medida em que existe uma válvula que empurra a água bombeada, mas que não permite que esta abra quando há subida de maré; a EE terá a capacidade para bombear 2400 litros de água por segundo, estando ainda previsto o aproveitamento da capacidade da válvula existente, através da instalação de um coletor.

Investimento previsto de 2,1 milhões de euros
O investimento global custará cerca de 2,1 milhões de euros, incluindo as intervenções junto da EB 2,3 António Contreiras que abrange a construção de coletor de reforço que contorna a zona da escola, o reforço de capacidade da passagem hidráulica situada a montante e a possibilidade de construção futura de duas bacias de retenção em série.
Do conjunto de obras prioritárias no curto prazo, salienta-se o reforço dos dispositivos de captação do escoamento superficial na Via Dorsal, cujo intercetor, construído em 1986, evidencia elevada e adequada capacidade de recolha das águas pluviais.
Saldanha Matos sublinhou que o projeto de execução (após o Plano Geral já elaborado) necessitará de três meses para ser executado, e que a obra nunca demorará menos de um ano no terreno.
No final da apresentação do Plano, pairou na sala um sentimento de satisfação pelas soluções apresentadas, que terão ido de encontro às expetativas.
Em declarações ao Terra Ruiva, a presidente Rosa Palma sublinhou que “o investimento é elevado mas é absolutamente indispensável para Armação de Pêra e estamos confiantes de que encontraremos as soluções de financiamento apropriadas para levar a cabo as obras no terreno”. “Foi com essa convição que contratámos, provavelmente, os melhores especialistas do país, para resolver de forma definitiva um problema estrutural e de longa data que afeta os armacenenses”, acrescentou a autarca.

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