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A evolução do sector agroalimentar

Uma notícia recente no jornal “Público” indicava que as principais cadeias de distribuição pretendiam comercializar mais fruta fora da sua época e como tal, sugeriram alterações aos produtores de fruta.
Um dos focos da noticia remetia para a laranja do Algarve, e de como as cadeias de distribuição incentivam os produtores a utilizar outras técnicas de cultivo que permitam culturas mais alargadas. O artigo alude igualmente à utilização de embalagens diferentes para alguns tipos de laranjas que, embora fossem igualmente saborosas, pecavam por ter uma aparência menos apetitosa.

Este relato espelha as mudanças que se tem verificado e operado nos últimos anos no Sector Agroalimentar Português. Uma maior aproximação às cadeias de distribuição por parte dos produtores é a normal atual, no qual se verifica um poder negocial muito superior à que se verificava no paradigma anterior, por parte das cadeias de distribuição. De certa forma, são as cadeias de distribuição que definem o standard do Sector Agroalimentar em Portugal.
A entrada de Portugal na Comunidade Europeia, em 1986, potenciou uma completa alteração no panorama agrícola, abrindo a porta do país a uma competitividade à qual o sector não estava habituado e a crescente alteração dos hábitos de consumo dos portugueses não foram correspondidos da melhor forma pelos produtores portugueses. A entrada de novas formas de comércio e de distribuição, reforçadas pela entrada de novos atores multinacionais no país, provocou um aumento das importações de bens alimentares no país, numa altura em que o tecido produtivo não se conseguira adaptar às novas exigências. A política agrícola falhou igualmente na compreensão e na atuação no Sector Agroalimentar, e como tal, o sector tem definhado nas últimas décadas, tendo-se verificado que os subsídios comunitários à agricultura não foram aplicados de forma a potenciar a competitividade do sector, não obstante se tratar de uma pedra basilar na economia de um país com um potencial edafoclimático extraordinário.

Para o Algarve, o sector agrícola assume especial importância, dada a nossa tradição em certas culturas na qual detemos qualidade de excelência e da nossa gritante necessidade de expandir a nossa base económica para além do turismo, sendo que os dois sectores poderão ser alvo de retroalimentação entre si.

É necessário um novo olhar sobre o sector Agroalimentar, tanto da perspetiva privada como da pública.

Num trabalho recente da Professora Teresa de Noronha, Professora da Faculdade de Economia da Universidade do Algarve e, intitulado “Setor Agroalimentar em Portugal – Conjunturas e Abordagens Recentes”, que versa incidentalmente nesta temática do Agroalimentar, a autora apresenta 5 soluções para o sector no país, as quais penso que podem ser adaptadas à escala regional:
• Adaptação da Agricultura aos mercados segmentados;
• Aumento da inovação organizacional, respeitando culturas regionais;
• Criação de marcas e concentração de atividades;
• Desenvolvimento do movimento exportar como aprendizagem básica dos atores;
• Definição de uma politica de coordenação dos atores dentro do sistema alimentar;
De resto, acabo mesmo por remeter para este último trabalho sobre o Sector Agroalimentar, no qual se faz uma análise profunda, pertinente e notavelmente clara do tópico e sugerir a sua leitura vivamente para os interessados na temática.

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