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História & PatrimónioSociedade

Escavações no Centro Histórico de Silves revelam dados surpreendentes

Paula Bravo
Última Atualização: 2018/Abr/Sáb
Paula Bravo
8 anos atrás
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A conhecida Porta da Almedina, no torreão junto à Câmara Municipal, pode, afinal, ser uma construção do período cristão e não islâmico, como até aqui se pensava.
A descoberta de algumas moedas cunhadas por reis portugueses é apenas uma das pistas que aponta nessa direção.
Mas a cidade de Silves tem trazido à luz verdadeiros tesouros, peças raras e únicas, no decorrer das várias fases das obras do Centro Histórico de Silves.

Foi para dar a conhecer esse trabalho que no Dia Nacional dos Centros Históricos, se realizou a palestra “Requalificação do Centro Histórico de Silves – 3ª fase; Projeto, perspetivas e resultados arqueológicos”.
Organizada pela Câmara Municipal de Silves, no Museu de Arqueologia, contou com as intervenções de Maria José Gonçalves, responsável pelo sector do Património da autarquia, e do arqueólogo Carlos Oliveira, da empresa Archeoestudos, responsável pelo acompanhamento das obras que estão a decorrer.

As escavações arqueológicas no Centro Histórico de Silves tiveram a sua 1ª fase no âmbito dos trabalhos realizados pela Sociedade Polis, sendo nessa altura que se estenderam em direção ao rio, até à Biblioteca Municipal, cuja construção permitiu descobrir estruturas mais bem conservadas do que noutras zonas. A 2ª fase foi iniciada pela Câmara Municipal, com anteriores executivos camarários, mas não foi concluída. A 3ª fase teve início em outubro de 2017, quando a Câmara de Silves arrancou com as obras de Requalificação do Centro Histórico de Silves. Uma obra que mexe com as infraestruturas da cidade e pavimentos, numa zona sensível em termos históricos, pelo que a autarquia recorreu aos serviços de uma empresa especializada que tem acompanhado toda a empreitada, na Praça do Município, Rua da Cadeia, Rua Bernardo Marques, Rua da Sé e Largo D. Jerónimo Osório.

Maria José Gonçalves

Nas intervenções anteriores, a cidade de Silves revelou ao mundo “peças únicas e raras”, como disse Maria José Gonçalves que destacou a descoberta de um “objeto de culto, uma pia de abluções” que, pela sua raridade, já esteve exposta em França, no Museu do Louvre e também em Marrocos, no Centro de Artes de Rabat. Falou também da descoberta de peças associadas ao mundo do lazer, como tambores e jogos de malha, peças de destilaria, e de uma quantidade enorme de cerâmicas e objetos, alguns de funcionalidade indeterminada, bem como de material osteológico (ossos) animal e humano, que tem permitido conhecer os hábitos e dietas e distribuição da população.

 

 

Os super-heróis

Feita esta introdução, tomou a palavra o arqueólogo Carlos Oliveira que coordena a equipa que tem acompanhado a 3ª fase das obras. Este começou por falar do “privilégio” de “escavar o subsolo desta cidade” e da “grande dose de responsabilidade” que esse trabalho acarreta.

Carlos Oliveira

Falando sobre as dificuldades que se colocam à sua equipa, considerou que o “trabalho arqueológico em ambiente de obra está longe de ser fácil”, em parte porque tem de dizer constantemente ao empreiteiro “não pode ser”, o que faz com que a obra que este faria “num dia ou dois pode demorar uma semana ou duas”. Lembrou também que “o trabalho decorre na via pública” pelo que estão sujeitos a todas as opiniões, que vêm tanto do “dono da obra, o executivo, que todos os dias passa por nós”, como dos transeuntes e cidadãos que são incomodados nas suas rotinas, ou dos turistas que param para assistir, fascinados. Para alguns, os arqueólogos são os “super-heróis do património” mas outros classificam-nos “com nomes menos próprios…”

 

 

A seguir, Carlos Oliveira apresentou o que fez questão de destacar serem os “resultados preliminares” do trabalho que está a ser desenvolvido.
Assim, na Rua 25 de Abril foi descoberto um pavimento de laje de grés, da época islâmica, no que seria um pátio interior; na direção do Torreão foi também descoberto um troço de pavimento que revelou uma superfície de circulação mais antiga, arranjada ao longo dos tempos; na Rua da Cadeia (lateral à CMS), foi descoberta uma infraestrutura de alvenaria com uma conduta para encaminhamento de água, para o que deveria ser os antigos banhos islâmicos.

A Porta da Almedina
Mas a grande novidade destes trabalhos estava guardada para o final da palestra quando Carlos Oliveira e Maria José Gonçalves revelaram a descoberta de um lajeado junto à Porta da Almedina.
Para a execução da obra foi necessário remover o lajeado e foi quando essa operação foi feita que, debaixo do mesmo, se encontraram sete moedas da época de Afonso Henriques a D. Dinis (possivelmente). Este é o elemento que mais força trás à nova suposição: de que, afinal, a Porta da Almedina será do período cristão e não do período islâmico, como até aqui se pensava.

Por enquanto, esta teoria está no campo das “probabilidades”, como foi sublinhado, uma vez que os trabalhos ainda estão a decorrer, mas há muitos indícios a apontarem para a necessidade de reformular umas páginas da história da cidade.
Quanto ao referido lajeado, uma vez que houve necessidade de retirá-lo do local, foi decidido que o mesmo será “devolvido à comunidade”, passando a integrar o pavimento no Largo do Pelourinho, junto à Porta da Almedina. A inauguração deste “pavimento especial” esteve marcada para este dia, mas a chuva das últimas semanas levou a que tal não fosse possível, devido ao atraso nas obras.

Mas isso irá acontecer num futuro próximo, como disse, no final da palestra, a presidente da Câmara, Rosa Palma, que se encontrava presente. A presidente sublinhou a importância das obras que estão a decorrer, pela grande necessidade que havia em modernizar infraestruturas envelhecidas e degradadas, mas também o cuidado que a autarquia tem colocado neste trabalho para que não se percam elementos do passado histórico de Silves e que, ao contrário, o mesmo possa ser cada vez mais conhecido e reconhecido, “em toda a sua riqueza”.

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PorPaula Bravo
Natural de S. Bartolomeu de Messines, nascida em 1963. Licenciada em Comunicação Social. Desde 1986, trabalhou em vários órgãos de comunicação nacionais e regionais. Dirigente associativa. Fundadora e diretora do Terra Ruiva desde abril de 2000.
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