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Opinião

Abanar com força a cidade

Miguel Braz
Última Atualização: 2017/Jul/Qui
Miguel Braz
9 anos atrás
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Admito que é um assunto que já maça a maioria das pessoas de Silves, mas é também um tema que pode significar uma mudança profunda na dinâmica da cidade e do concelho. A Fábrica do Inglês, um empreendimento de animação turística e cultural, está encerrada desde 2009, fruto do processo de insolvência da sociedade proprietária.
Neste sitio encontra-se ainda integrado o Museu da Cortiça (adquirido em 2014 por uma entidade ligada ao Grupo Nogueira, entretanto também falida) considerado um dos mais importantes museus industriais a nível nacional.
Passado também algum tempo depois das intenções da Câmara Municipal de Silves (CMS) em adquirir o imóvel à Caixa Geral de Depósitos e do processo em andamento para classificar a fábrica como “imóvel de interesse nacional”, o enredo continua, ao mesmo tempo que os edifícios e o espaço vão ficando degradados (a CMS não foi autorizada a fazer a manutenção do espaço por parte dos proprietários), ironicamente aumentando o esforço financeiro para que tudo fique em condições de funcionamento. Adicionalmente, e no âmbito político, este é um projeto falhado que foi sendo colado pelo atual executivo ao anterior, e portanto, é demais conveniente que assim continue, sendo usado como trunfo eleitoral, tanto a sua decadência, à qual parece estarem completamente alheios, tal como na promessa de poderem resolver o assunto nos próximos 4 anos.

No entanto, relembro que o problema já poderia estar resolvido há algum tempo na mesa de negociações, com a sua respectiva aquisição.

Assim, hoje apenas estaríamos a discutir a composição do projeto da Fábrica do Inglês, mas continuamos na casa de partida. Sei da sua complexidade e das limitações financeiras da CMS, mas também sei que é totalmente possível o investimento (custo representa 5,8% do orçamento global da Câmara e 21% do Plano Plurianual de Investimentos vigente). É exatamente isso de que se trata, um investimento e não uma compra. Ora, avaliando o custo do imóvel, a CMS tem uma posição forte na mesa de negociações, sendo que ainda nos encontramos nesta situação apática por escolha, por mais difícil que a decisão possa ser.

De todas as avaliações ponderadas que a CMS tem de fazer relativamente ao seu orçamento e gastos, este deveria ser um dos mais importantes para dar luz verde, porque se trata de uma oportunidade única para atrair empresas, criar emprego (também qualificado!), mais turismo e animação, e com isto abrir portas à manutenção da juventude no concelho. O espaço tem potencial não apenas para turismo, restauração e animação, mas também para a criação de um futuro parque de ciência e tecnologia para empresas e quiçá uma incubadora centrada na inovação. É também um bom argumento para atrair grandes empresas para o nosso concelho, pois trata-se de um espaço que ao ser pensado para tal, terá tudo o que uma empresa necessita à sua volta.

Candidatos não irão faltar. Ainda há poucos anos havia manifestações de interesse por parte de uma multinacional alemã (ALDI) para investir 3,5 milhões de euros e gerar muitos empregos precisamente na Fábrica do Inglês. Todos estes projetos criam óbvios fluxos financeiros para a CMS através das rendas, tal como permitem uma nova dinâmica no ambiente económico e social de Silves, o que também produz indiretamente novos meios à Câmara para poder pagar a sua dívida. É através de investimentos e retornos que se pagam dividas, não através de sucessivos empréstimos.

Podem-me chamar de antiquado, mas eu ainda acredito em trabalho que gera frutos como forma de angariar votos, não através da antecipação e calculo político.

Esta é uma situação que preocupa muito a população do concelho de Silves e que pelos valores que representa, há muito que já deveria estar resolvida. Ia sem dúvida ser um daqueles fortes abanões.

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PorMiguel Braz
Natural de Silves, licenciado em Relações Internacionais pela Universidade de Évora e mestre em Economia e Políticas Públicas pelo ISCTE-IUL. Atualmente trabalha na Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa, onde é responsável pela área do empreendedorismo e inovação, no âmbito das relações económicas bilaterais entre Portugal e China. Entusiasta por questões da geopolítica, economia internacional e estudos do conflito. Na área económica acredita que as startups criam disrupções de mercado que reanimam mercados apáticos e atraem investimento e empregos.
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