Chama-se “Secreto” e nasceu há quatro anos no Centro Nacional de Reprodução do Lince Ibérico de Silves (CNRLI), localizado na freguesia de São Bartolomeu de Messines.
Em 2022 foi libertado na serra, em Espanha, a norte de Sevilha, e foi agora encontrado a quase mil quilómetros desse lugar, nos Pirenéus, perto da fronteira francesa.
Esta é a primeira vez que é documentada a presença de um lince nesta região.
O lince “silvense” foi detetado por uma das câmaras que a Associação pela Defesa do Lobo do Urso nos Pirenéus (ADLO Pirineu) tem instaladas nos Pirenéus, para monitorizar o urso pardo e o lobo.
O facto foi revelado num comunicado desta associação que afirma que “graças ao padrão da pelagem”, foi possível confirmar que se trata do lince “Secreto”, um animal com quatro anos nascido em cativeiro, no centro de reprodução de Silves, que foi libertado na serra a norte da cidade de Sevilha, no sul de Espanha, na primavera de 2020. Para chegar ao local onde foi encontrado, a cerca de sete quilómetros da fronteira com França, o lince teve de percorrer, no mínimo, centenas de quilómetros, uma vez que, a distância em linha reta entre o local onde foi libertado e o local onde foi localizado é de cerca de mil quilómetros.
Segundo a ADLO Pirineo, o “Secreto” já tinha sido detetado, meses antes, por câmaras de guardas florestais, na Catalunha, no nordeste de Espanha, mas numa zona fora dos Pirinéus. Aqui, foi registado pela câmara da associação em abril, mas as imagens só foram visionadas no verão, pelo que só agora foi divulgada esta informação.
A deteção do Secreto é também de destaque devido à altitude onde foi visto, “quase 1.750 metros, numa zona com presença de lebres, corços e outros animais”.
Para a associação, esta presença confirma os Pirenéus como um “habitat potencial” para o lince ibérico, o que “reforça a necessidade urgente de promover a sua reintrodução e conservação em regiões como Aragão e Catalunha.”
“Além de ser um símbolo de biodiversidade, a espécie tem tido historicamente um papel fundamental como predador natural de coelhos, que representam cerca de 90% da sua dieta. Este facto oferece uma alternativa ecológica e sustentável para a problemática da sobrepopulação de coelhos” em várias zonas, defende a associação.
A ADLO Pirineo considerou inaceitável que, “em pleno século XXI”, continue a ser permitida e até promovida por diversas autoridades a utilização de venenos para controlar estes animais.
A recuperação da espécie
O lince ibérico que, no inicio deste século, estava à beira da extinção, em 2024, deixou de ser classificado como “espécie em risco” para passar a “vulnerável” na Lista Vermelha elaborada pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN).
Esta conquista deve-se a vários programas de recuperação. Em Portugal, destaca-se o trabalho do Centro Nacional de Reprodução do Lince Ibérico (CNRLI), em Silves, tutelado pelo ICNF. Desde 2009, nasceram, no CNRLI, 170 animais, dos quais 110 foram reintroduzidos na natureza, até ao final de 2024.
Na Península Ibérica, o número de linces, aumentou 19% em 2024 e alcançou os 2.401 animais, segundo o último censo anual realizado pelas entidades espanholas e portuguesas que integram o projeto de recuperação da espécie.
O censo de 2024 identificou 1.557 linces adultos, sendo 470 fêmeas reprodutoras. Mas, para alcançar um “estado de conservação favorável” será necessário chegar a entre 4.500 e 6.000 indivíduos, com pelo menos 1.100 fêmeas reprodutoras, segundo os responsáveis dos programas de conservação do lince ibérico.







