Foram recentemente concluídas as obras na rua do Estádio Municipal, em São Bartolomeu de Messines, promovidas pelo Município de Silves. Trata-se de um arruamento muito estreito, que resultou, há décadas, da canalização de uma linha de água e que ficou limitado entre o estádio municipal e os muros das propriedades limítrofes.
Construído quase em simultâneo com a então Escola C+S de S. B. de Messines, hoje EB 2,3 João de Deus, inaugurada em 1979, o estádio municipal constitui com a escola uma barreira entre a zona central e poente da vila, entretanto edificada.
Na verdade, o planeamento urbano de São Bartolomeu de Messines tem estado ausente das prioridades da Câmara de Silves, praticamente desde o 25 de Abril de 1974. Só assim se explica que no fim do século XX a construção do pavilhão da escola (inaugurado em Junho de 2000), junto ao Centro Cultural e Social João de Deus, levasse ao corte de uma rua, transformando-a num beco sem saída. Ou ainda a construção do terminal rodoviário no campo da feira e do jardim municipal entre as ruas tenente-coronel Jorge Vargas Mogo e Maria Piedade Bastos, que já aqui abordámos. Ainda a este nível, refira-se o propósito da construção da nova escola EB1 no interior do recinto da EB 2,3, que pelo espaço livre já reduzido que esta última apresenta, aquele objetivo surge-nos como o corolário do absurdo. Ao invés de se fomentar o convívio dos alunos ao ar livre, em contraciclo restringe-se, ainda mais, essa possibilidade.
Por outro lado, não é menos verdade que a autarquia não pugnou, nos últimos 40 anos, pela criação de novos espaços para a prática das diferentes modalidades desportivas ao ar livre, que não o futebol, no já citado estádio. Mas, até este já não dispõe das dimensões regulamentares para aquela prática.
Ainda que no Outono de 2011, aquando a intenção da instalação da central de lamas, se tivesse ventilado que as contrapartidas para a freguesia (300 mil euros) contemplariam a construção de um parque desportivo, tal não se concretizou.
Ora, a recente intervenção na rua do estádio municipal limitou-se a um alargamento mínimo do arruamento, situação incompreensível, por não ter permitido dotar o estádio das dimensões requeridas para um campo de futebol, e que seria possível pela expropriação de uma parte dos terrenos/ edifício contíguos a particulares.
É certo que as obras visaram a construção de um novo coletor de águas residuais, para substituir o que se encontrava sob as bancadas do estádio municipal (mais um exemplo da ausência de planeamento que atrás referimos), mas até aqui, pela exiguidade do arruamento, foi uma má opção. Tantas infraestruturas (saneamento, água de abastecimento, pluviais e eletricidade) em tão reduzida área é a garantia de problemas de difícil resolução num futuro próximo.
Face ao exposto, teria sido uma boa oportunidade para ampliar o estádio municipal e simultaneamente alargar aquela rua. Porém, nada disto foi feito e a intervenção, se dúvidas houvesse, revelou-se desprovida de ambição ou de estratégia.
Com as eleições autárquicas a ocorrer no próximo Outono, permitam-nos que aqui deixemos uma sugestão para o(a) novo(a) presidente da autarquia silvense, que relocalize o estádio, construindo um novo, noutro local. Note-se que as atuais bancadas poderão servir, não os adeptos do futebol, mas de ténis, por exemplo, ou de outras modalidades de prática ao ar livre. A transferência do estádio permitirá desenvolver um arruamento novo e amplo, ligando as duas partes da vila, e simultaneamente a edificação de recintos para múltiplos desportos.
Por outro lado, possibilitaria não só a construção de um novo estádio de futebol, dotado das medidas regulamentares, de outras valências, como pista de atletismo, bem como de um amplo parque de estacionamento, de que o atual tanto carece. Terrenos na envolvência da vila não faltam, o mesmo não podemos dizer da ambição, estratégia e determinação dos nossos representantes políticos, nas últimas décadas. A vila, os jovens desportistas e a população em geral merecem essa alteração.








