Muitas são verdadeiras anciãs: há 143 com mais de 100 anos. E algumas delas têm nomes comuns bem curiosos, como Bordo da Noruega, Árvore-do-céu, Árvore-de-fogo-de Ilawarra, Escova-de-garrafa, Árvore das trombetas, Árvore-do-fumo, Coquito-do-Chile, Poinsétia, Espinho-de-Jerusalém, Murta da Austrália, Acácia do Japão, Milfolhado, Vela-da-pureza.
São dezenas os nomes que encontramos no Inventário do Arvoredo Urbano do Concelho de Silves realizado pela Câmara Municipal e divulgado no final do mês de janeiro de 2025.
E não é para admirar, uma vez que no concelho existe uma média de 33 árvores por habitante. Os mais privilegiados são os habitantes de São Marcos da Serra, com 70 árvores por cada 100 habitantes; em Tunes é onde há menos, apenas 13; em Messines 22; Algoz tem 26; Alcantarilha tem 27; Pêra tem 35; Armação de Pêra tem 40 ; e Silves tem 48.
Diz o Inventário, já citado, que foi possível identificar, georreferenciar e caraterizar um total de 7.883 árvores nos aglomerados urbanos de todo o território municipal, abrangendo 135 espécies diferentes.
No que concerne à distribuição geográfica das espécies, Silves apresenta o maior número de árvores: 3.149 (o que corresponde a 40% do total). Não deixa de ser curiosa a constatação de que o aglomerado urbano onde há mais queixas pela falta de árvores, Armação de Pêra, esteja afinal no 2º lugar do ranking, com 1.760 árvores (22% do total).
Segue-se São Bartolomeu de Messines, com 976 árvores (12% do total); Tunes, com 509 árvores (6,5% do total); Algoz, com 468 árvores (5,9% do total); Pêra, com 472 árvores (6,0% do total); Alcantarilha, com 353 árvores (4,5% do total); e, por último, São Marcos da Serra, com 196 árvores (2,5% do total).
Quanto às espécies, apesar de estarem contabilizadas 135, as mais frequentes nos aglomerados são o Lodão Bastardo (Celtis australis), correspondente a 645 exemplares (8,2%); a Oliveira (Olea europaea), com 545 exemplares (6,9%); o Carvalho Sedoso (Grevillea robusta), com 507 exemplares (6,4%); e a Amendoeira (Prunus dulcis), com 401 exemplares (5,1%).
No meio de tanta variedade, foram encontradas 161 árvores de espécies exóticas no concelho, o que representa 2% do total do arvoredo urbano municipal, “revelando um índice considerável de espécies nativas que possuem potencial invasivo”, que se encontram em maior número em Silves (65) e Messines (36). Tunes destaca-se com a maior proporção de árvores invasoras, representando 3,9% do arvoredo urbano do aglomerado, correspondente a 20 árvores.
No que toca a idade, quase metade das árvores urbanas no concelho de Silves têm entre 11 a 25 anos (44,5%). Foram identificadas 143 árvores com mais de 100 anos.
É no Algoz que se encontram as árvores com mais idade, na EB 2.3 do Algoz, no Jardim do Algoz, na EM 269, e no Jardim a Norte do aglomerado.
Do total de árvores inventariadas nos aglomerados urbanos destacam-se 128 exemplares arbóreos no concelho de Silves com potencial de classificação de interesse através do conjunto dos seguintes parâmetros: – Altura: Superior a 20 metros; – Perímetro X Altura do Peito (PAP): Superior a 200 cm; – Idade: Superior a 100 anos.
Conclusões e Recomendações
Segundo a Câmara Municipal de Silves, este inventário “faz parte de todo um processo que visa a construção dos instrumentos de gestão do arvoredo urbano”, sendo uma “ferramenta essencial para a definição de políticas públicas e a promoção de boas práticas de arborização urbana”.
Nesse sentido, o documento apresenta conclusões e recomendações. Entre estas, destaca-se a necessidade de vigilância e controle sobre as espécies invasoras inventariadas, que correspondem a 8 tipos. A mais numerosa, representada por 55 árvores, é a “robinia pseudoacacia”, mais conhecida como Falsa-Acácia. É uma das espécies mais problemáticas, conhecida pela sua rápida propagação e pelo impacte que causa em habitats naturais, alterando a composição das comunidades vegetais.
De análise realizada, verifica-se que os exemplares de espécies invasoras encontram-se disseminadas pelo concelho, sendo todas elas susceptíveis de ameaçar a biodiversidade local e levar à degradação dos habitats naturais, pelo que se sublinha a importância de implementar estratégias de controlo e erradicação, monitorizando, intervindo e sensibilizando para a importância da preservação da flora nativa.
Noutra vertente, tendo como base as indicações da Organização Mundial da Saúde (OMS) que estabelece como valor de referência 30 árvores por cada 100 habitantes, verifica-se que o concelho de Silves está dentro do referencial (com 33). No entanto, Alcantarilha, Algoz, São Bartolomeu de Messines e Tunes estão abaixo do valor referenciado, sendo necessária a plantação de 1 061 árvores para atingir o valor esperado no total destes aglomerados.
Quanto à cobertura arbórea, considerado um indicador essencial da saúde ambiental e da qualidade da vida urbana, verifica-se que é Silves que possui a maior, com 2,5% da área urbana coberta, e o Algoz tem a mais baixa, apenas 0,5% da área coberta; mas todos os aglomerados do concelho estão bem abaixo do valor recomendado, que é 10%.
Este estudo analisa ainda outros parâmetros como a influência do arvoredo na remoção da poluição, armazenamento de carbono, sequestro e produção de carbono, produção de oxigénio, água de escoamento evitada.
No final, são apresentadas as linhas principais do Regulamento Municipal de Gestão do Arvoredo Urbano (RMGAU), o instrumento de gestão que, juntamente com o inventário agora realizado, consubstanciam as ferramentas de gestão do Município de Silves. “A implementação de um regulamento para o arvoredo municipal de Silves exige uma abordagem estratégica, considerando a escolha das espécies adequadas, o dimensionamento das caldeiras, a sustentabilidade hídrica e a minimização do impacte das infraestruturas urbanas.” Seguindo essas recomendações, “Silves pode tornar-se um exemplo de concelho que utiliza a arborização urbana para combater as alterações climáticas, melhorar a qualidade de vida e preservar seu património natural.”
De referir ainda que toda a informação sobre o inventário municipal do arvoredo urbano está disponível para consulta no site do Município de Silves, bem como o relatório final dos trabalhos desenvolvidos, que apresenta estatísticas detalhadas sobre a distribuição das árvores, as árvores com potencial para classificação e os impactos do arvoredo no ecossistema.








