Um estudante Zen reclamou que não conseguia meditar. Os seus pensamentos não permitiam. Esta dificuldade levou-o a conversar com seu professor, na procura de respostas que o pudessem ajudar a acalmar a mente:
“Mestre, pensamentos e imagens mentais não me permitem meditar. Quando eles se vão por alguns segundos, depois voltam com mais força. Não consigo meditar. Não me deixam em paz”. O professor disse-lhe que isso dependia de si mesmo e para parar de remoer. No entanto, o aluno continuou a reclamar que os pensamentos não o deixavam em paz e que sua mente estava confusa. Sempre que tentava concentrar-se, uma série de pensamentos e reflexões, muitas vezes inúteis e triviais, explodiam em sua cabeça.
O professor então disse-lhe:
“Tudo bem. Pega nessa colher e agarra com a tua mão. Agora senta-te e medita.”
O discípulo obedeceu. Depois de um tempo o professor ordenou: “Larga a colher!”
O aluno assim fez e a colher, obviamente, caiu no chão. Olhou espantado para o professor que lhe perguntou: “Então, agora diz-me, quem pegou em quem, tu a colher, ou a colher a ti?”.
Que podemos refletir sobre esta história?
Não temos poder absoluto sobre as nossas vidas. Por vezes as emoções e pensamentos condicionam o nosso comportamento. Mas eles são resultado do nosso percurso de vida. As crenças que construímos ao longo das nossas vidas, deixam-nos aprisionados a um padrão de comportamento que muitas vezes nos gera desconforto e mau estar. As crenças transformam-nos em escravos do tempo, da produtividade, das normas e formas de estar impostas ou condicionadas pelos outros, ou da interpretação que fazemos das situações.
A verdade é que toda essa ocupação mental nos causa muito stress (que, se prolongado, causa doenças), altera a nossa capacidade de concentração, de ser produtivos, de nos sentirmos realizados e satisfeitos, deteriorando as relações interpessoais.
Como podemos sair deste ciclo vicioso?
É fundamental ganhar consciência dos padrões de comportamento, identificar as crenças limitantes (pensamentos negativos autoreferentes) que estão na base, ouvir com ouvidos de escutar e sentir o que o corpo nos está a dizer, para identificar a origem e ir à raiz do problema. Este é um processo profundo e para o qual é muitas vezes necessária ajuda profissional. Reorganizar e limpar o organismo físico, mental e espiritual.
Abrir, depois, o caminho para criar novos olhares sobre nós próprios, sobre os outros e sobre a vida. Criar novos projetos, novos propósitos, novas realidades.
Ter consciência que a forma como vivermos o presente é o único caminho que nos garante o futuro. Para isso, temos de arrumar o passado e libertar as amarras que nos prendem. Ter mais clareza sobre as coisas bonitas da vida e puder cultivar a gratidão, uma das sementes da felicidade.
Aproveite as férias para desacelerar. Pare e usufrua de cada momento, pois a felicidade é feita de momentos. Comece nestas férias a construir o caminho para ser a pessoa que já há muito tempo sonha ser e a quem ainda não deu espaço, talvez por assuntos não resolvidos, falta de energia, tempo, autoestima e amor próprio…
É escusado sonhar que se bebe; quando a sede aperta, é preciso acordar para beber.
Sigmund Freud
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