Um passeio/ caminhada até ao marco geodésico do Monte Telhado, na freguesia de São Marcos da Serra, terá lugar no domingo, dia 23 de abril.
O ponto de encontro é na Sociedade de Instrução e Recreio Messinense, às 8h30, ou no Cantinho dos Caçadores, em São Marcos da Serra, às 8h45.
O grau de dificuldade desta caminhada é médio mas a organização aconselha o uso de bastões para a descida.
O passeio é organizado pela Sociedade de Instrução e Recreio Messinense que, após ter “esgotado” os marcos geodésicos na freguesia de Messines, inicia agora os passeios à descoberta dos marcos da freguesia de São Marcos da Serra.
A iniciativa tem o apoio da Câmara Municipal de Silves e da Junta de Freguesia de São Marcos da Serra.
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O nosso povo meridional designa, popularmente, os chamados “marcos geodésicos” por “talefes”, palavra que recebeu (via moçárabe) do Árabe ṯulâṯî, em cujo idioma significa, literalmente, “tripartido” (cónico), termo que manteve do riquíssimo espólio linguístico da permanência daqueles povos (Árabes e Berberes) entre nós.
O Árabe ao designar o “talefe” (= “marco geodésico”), pelo conceito de “tripartido”, seguiu a mesma lógica da Antiga Grécia, na sua criação do vocábulo “geodesia”, do gr. “geōdaisía” (gê, terra + daíō, dividir), visto que geodesia significa, literalmente, “dividir a terra”, segundo certos padrões, para, de seguida, a medir e classificar.
Com efeito, de um modo muito sucinto, um “marco geodésico” serve para marcar coordenadas geográficas, elas próprias subsidiárias para outras disciplinas.
Certamente, cada um de nós viu já alguns senhores a fazerem medições entre dois pontos do solo, utilizando um aparelho colocado sobre um cavalete, através do qual espreitam, enquanto um colega, a alguma distância, desloca para o ponto indicado um outro dispositivo.
A sua actividade é, como todos sabemos, a da “agrimensura” (do lat. “ager, agri”, campo + “mensus”, forma do verbo “metior”, medir), ciência também relacionada com a geodesia.
Quando era mais novo, deslocava-me, regularmente, a visitar uns familiares, no sítio do Falacho.
Recordo-me de que, ao longe, era possível divisar um dos tais “talefes”, designado por “marco geodésico de Silves”, sobre um pico elevado, bem longe, embora desse para ter uma visão perfeita do mesmo, mais concretamente, situado no chamado Moinho de Enxerim, elevação a Norte da cidade de Silves.
Uma vez que a notícia refere que, nos passeios que são organizados aos “marcos geodésicos” da freguesia de Messines, já todos foram visitados, certamente que este a que me refiro foi já objecto de um jornada até lá.
Antigamente, as elevações onde eram implantados os “marcos geodésicos” – por norma, as mais altas – tinham também funções militares, designadamente, para avisar, com sinais de fogo, da aproximação de algum eventual inimigo, sinais que eram passados de “talefe“ em “talefe”, aproveitando a rede existente.
Muitos outros “marcos geodésicos” existem espalhados pelas alturas dos nossos montes, ao longo do país, com os seus perfis piramidais angulados ou redondos, todos a terminar em bico, sendo que o principal se situa nas cercanias de Vila de Rei, marcando o centro geodésico de Portugal.
Bom passeio aos participantes !